header image
Início seta Sistema Político seta Portugal não é República de Procuradores
Portugal não é República de Procuradores criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
17-Jan-2008

"Nós não vivemos numa República que tenha deferido o poder de legislar a procuradores-gerais-adjuntos", disse Alberto Costa em entrevista hoje publicada na revista “Visão”. Ainda ontem, Pinto Monteiro, Procurador-Geral da República, entregou ao Ministro da Justiça uma proposta contendo várias alterações ao Código de Processo Penal que se encontra em vigor desde o dia 15 de Setembro de 2007.


Alberto Costa está a pensar no Procurador-Geral da República e nas magistradas Maria José Morgado e Cândida Almeida quando diz que é necessário "distinguir entre a responsabilidade de fazer leis e de as executar".

"Nós não podemos, no dia a seguir, pôr em causa a opção do legislador. Essa não é a atitude que seria expectável de um jurista", afirma o responsável pela pasta da justiça para quem uma comunidade jurídica que se quer modernizar precisa de fazer "um esforço adicional de adaptação".

Alberto Costa justifica que apesar do "respeito" que lhe merecem as pessoas em causa, o facto é que elas "não foram investidas pelo eleitorado do poder para legislar. Quem tem esse poder é o parlamento".

"O que há a fazer é aplicar a lei e obter resultados", acrescenta.

O governante garante, no entanto, que "de uma maneira geral" os contributos do Procurador-Geral da República e do Ministério Público sempre foram "ponderados e contemplados nos códigos".

Alberto Costa vai adiantando ao longo da entrevista que não sente nos magistrados a tentação de intervir directamente na política ao contrário de "uma certa influência que existiu no passado" e que "não pode considerar-se equilibrada num Estado de Direito" e que está, na sua opinião, a terminar.

* Lei dos vínvúlos e das carreiras 
Questionado pelos jornalistas da Visão sobre a polémica lei dos vínculos e carreiras da Administração Pública, Alberto Costa, anunciou ainda a sua intenção retirar do texto legal não apenas os juízes, como determinou o Tribunal Constitucional, mas também os magistrados do Ministério Público.
"A nossa interpretação é que essa alínea (que inclui juízes e magistrados do Ministério Público no regime de carreiras da Administração Pública) deve ser expurgada na totalidade, porque introduz uma diferenciação que não estava nos nossos planos", explicou.
A legislação em causa previa a equiparação em termos de carreiras dos juízes e magistrados do Ministério Público aos funcionários públicos. Recebeu inúmeras críticas de vários quadrantes da justiça.
O Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, já em 21 de Novembro do ano transacto, em entrevista à mesma revista, afirmara que não aceitaria nunca "ser um procurador dependente do poder político". 
O Presidente da República, Cavaco Silva, quando recebeu o diploma foi sensível aos argumentos dos sectores da justiça e, tendo algumas dúvidas sobre a constitucionalidade do mesmo, enviou-o para o Tribunal Constitucional. Este Tribunal deu razão ao Presidente da República e declarou inconstitucional, sa polémica norma que equiparava juízes a funcionários públicos.  

* Mapa judiciário não contempla encerramento de tribunais
Contrariando um convencimento geral e a propósito do novo mapa judiciário que se encontra em estudo pelo Governo, o ministro da Justiça garantiu que nenhum tribunal será encerrado, estando apenas pensados alguns ajustamentos. 
Quanto aos tribunais de Carrazeda de Ansiães, Alfândega da Fé e Vila Nova de Cerveira, de que corriam notícias de encerramento, Alberto Costa afirmou: "É uma garantia que posso dar” de que não vão encerrar. Esses tribunais serão integrados em comarcas alargadas". 

SITE DA RTP | 18.01.2008

Comentarios (13)add
... : O Costa dos Murmúrios
Alguém podia explicar ao Sr. Ministro que não vivemos na América do Sul, e que Portugal não é a Venezuela?
17.Janeiro.2008
... : Um cidadão
O Ministro poderia ter razão se a nossa classe política fosse digna.
17.Janeiro.2008
... : Alverca(gar)
Não considerar as posições do Sr Procurador Geral da República sobre um CPP é uma asneira política. Não considerar as opiniões do Sr Juiz Conselheiro Pinto Monteiro, Magistrado com enorme experiência e conhecimento sobre aplicação do direito, é um acto que revela falta de inteligência. Pobre pasta da Justiça, a quem foste entregue pelo Povo.
17.Janeiro.2008
... : AJD
Viva o Sr. Ministro da Justiça, que faz ovos mexidos sem ... ovos! Isto é, acaba com as comarcas e cria novas circunscrições judiciais, de maior dimensão, chamadas ... comarcas ... e pelo meio não encerra nem um trinunal ... Ooops, ía dizer ... comarca!!!!
17.Janeiro.2008
... : Zé da Burra
"Nós não vivemos numa República que tenha deferido o poder de legislar a procuradores-gerais-adjuntos", disse Alberto Costa(...)

Pois não, lá isso é verdade: vivemos antes num país em que os amigos políticos e ex-sócios de Ministros compram imobiliário vendido pelo governo a preço de saldo.
17.Janeiro.2008
... : João Carlos Silva : http://www.legalidade.net
Na verdade estas afirmações demonstram - e bem - a forma de agir deste poder executivo (Governo). Em consonância com este poder, vigora o poder legislativo, cujo assento parlamentar representa a maioria nesta câmara. Ao poder político incumbe legislar em nome do povo e, deveria ser, de acordo com a vontade deste.
O poder judicial é, de facto, completamente autónomo do poder político - princípio da separação de poderes - (pelo menos em teoria, pois, pelo menos, depende sempre financeiramente), mas este deveria ter um espírito aberto às propostas legislativas, para o bem e por vontade do povo.
O legislador é, de facto, um ente incorpóreo. Contudo, nesta reforma penal é impossível desassociar o professor Rui Pereira como criador desta alteração legislativa penal (UMRP - Resolução do
Conselho de Ministros nº 138/2005, de 29 de Julho). E a figura do criticado, largamente pela população portuguesa, crime continuado o dito professor afirma, publicamente, que foi totalmente contra esta norma, referindo, mesmo, que propôs a extinção da figura do crime continuado.
Ora, perante as afirmações do Sr. ministro, que pensarão os portugueses. Esta foi uma lei medida, camuflada em lei geral e abstrata!?
Porque não torna publicas as actas da ordem de trabalhos da UMRP?
Fica no ar...
18.Janeiro.2008
... : BD
Portugal não é uma República de Procuradores. Pois não, lá isso é verdade. Nem de procuradores, nem de juízes, nem de advogados, nem de juristas. É uma República das Bananas, fonte de chacota internacional pelas piores razões, como aquele sujeito da ASAE que apareceu caricaturado numa revista americana a fumar cigarrilha e a dizer que tinha de ir interpretar a lei - como se fosse ele que tivesse de fazer a interpretação da lei, deve julgar-se algum César, não? -, peça inexistente no xadrez político. É um pequeno bairro periférico, sujo de dia e perigoso à noite. E a Sua Excelência o Ministro da Justiça, apetece dizer como o digno monarca: "Porque no te callas, ombre?"
18.Janeiro.2008
... : Socrália
Temos um Sr. Ministro da Justiça deslocado no espaço. Na América Latina ou em África ficava bem e ao que se vê exercia bem o seu poder majestático, que não soberano. Lá, não há republica de procuradores, nem outros agentes incomodativos... advogados.... etc.

É bem patente o país pobre e subdsenvolvido em que vivemos...

Aliás, só num país assim pobre só a opinião destes é que é credivel. Alguém acredita na opinião do Sr. Procurador ou de algum Juíz sobre a Justiça ? Estámos a léguas....
18.Janeiro.2008
... : Grande Manitu
Pois não, é uma república de incompetentes e de ignorantes, a começar pelo dr. ABC que desconhece que uma das competências do PGR, previstas no EMP é precisamente a de propor medidas legislativas tendentes ao aprefeiçoamento das instituições judidiárias.

Porque é que ele não se vai embora escrever as memórias de Macau?
18.Janeiro.2008
... : Lisandra
Ó Alberto: por que no te callas?
18.Janeiro.2008
... : xico
"Nós não podemos, no dia a seguir, pôr em causa a opção do legislador. Essa não é a atitude que seria expectável de um jurista"...
Os juristas criticaram «no dia anterior» algumas soluções que se pensava que iriam constar do diploma.
Mas só depois da publicação deste é que os juristas tiveram conhecimento das soluções efectivamente consagradas e puderam avaliar a dimensão dos «estragos» causados por elas.
Quanto a estas soluções não as podiam criticar antes desse momento.
Mas, quando no dia seguinte à publicação da legislação a grande maioria dos juristas viu que algumas das soluções consagradas não tinham qualquer justificação e eram manifestamente prejudiciais à boa administração da justiça... por que razão não seria «expectável» que o dissessem imediatamente?
Tanto mais que a «opção do legislador» ignorou totalmente as advertências feitas anteriormente face a rumores circulantes sobre algumas soluções que, infelizmente e apesar disso, vieram a ser consagradas em letra de lei!
18.Janeiro.2008
... : Filipe
A afirmação do Sr. Dr. Alberto Costa (de que não se vive num país de Procuradores Adjuntos), só vem demonstrar aquilo que já se desconfiava há muito: que vive mergulhado num completo autismo social, político, juridico e ministerial.
Aliás, se de facto ele ouvisse, já saberia que antes da Lei ser aprovada e publicada, as criticas que agora se fazem, já se fizeram aquando da discussão da lei, mas em termos de advertência para os problemas que surgiriam com ela.
De facto, o ministro da Justiça, mais parece o Dr. Rui Pereira, pois que, é sempre ele quem aparece a falar das alterações legistativas que afectam a área da Justiça. É ele quem fala da investigação criminal e do Terrorismo, quando na realidade essas são áreas quase exclusivas da PJ; PJ que pertence ao Ministério da Justiça. É o Dr. Rui Pereira que fala das alterações ao mapa judiciário.
Alberto Costa como Ministro, não existe.
21.Janeiro.2008
... : juizdoMP
O MP continua um Estado dentro do Estado!
21.Janeiro.2008
Escreva o seu Comentario

Este post foi bloqueado. Impossivel adicionar comentarios.


busy
 
< Item anterior   Item seguinte >
Sondagem