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O ministro da Justiça, Alberto Costa, considerou esta sexta-feira que o
caso das agressões a dois magistrados judiciais em Santa Maria da Feira
merece preocupação, mas realçou que «não se pode ter uma interpretação
catastrófica», noticia a Lusa.
No final da cerimónia alusiva ao Dia dos Serviços Prisionais, que
decorreu durante a manhã de hoje no Estabelecimento Prisional S. José
do Campo, em Viseu, o ministro da Justiça disse aos jornalistas que «em
muitos países do mundo existem incidências desta natureza e em número
bastante mais elevado».
«Se considerarmos o número de estabelecimentos que temos, que são
centenas, estes casos devem preocupar-nos e fazer-nos pensar em formas
de prevenção mais enérgicas», explicou. Em Santa Maria da Feira, onde o
tribunal está a funcionar em instalações provisórias, «existiu uma
particularidade que convém ter presente», referiu o ministro da
Justiça, alegando, no entanto, que «não se pode ter uma interpretação
catastrófica» da situação.
«Quem, porventura, queira retirar
de um caso concreto, que todos lamentamos, elementos de perturbação e
agitação de catastrofismos está enganado», referiu. Alberto Costa
contou que «já foi aberto um procedimento disciplinar contra os autores
desses actos, que não serão apenas sancionados judicialmente, mas
também na esfera disciplinar dos Serviços Prisionais».
Soluções para Santa Maria da Feira
Ainda sobre «as condições extraordinárias que se vivem em Santa Maria
da Feira», o ministro da Justiça garantiu que estão a ser procuradas
soluções. «Estive em contacto, nos últimos dias, com o ministro das
Finanças, que já procedeu à aprovação do contrato de arrendamento
necessário para solucionar a questão», salientou.
Sobre os dados hoje divulgados pela
Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP), que referem que pelo
menos 16 tribunais de todo o país registaram casos recentes de
violência, o ministro da Justiça referiu que o Ministério «está atento»
e que já foi constituída uma «comissão para estudar estes problemas».
«Essa comissão concluiu os seus trabalhos, apresentou relatório
aprofundado, que agora está a ser estudado, a fim de serem tomadas
decisões», informou.
O ministro da Justiça referiu ainda que «no próximo mês serão
anunciadas decisões e medidas, algumas com eficácia imediata e outras
que terão que aguardar o próximo ano orçamental, visto que os custos
implicados serão maiores».
Noronha do Nascimento quer solução
«rápida»
O
presidente do Conselho Superior da Magistratura (CSM), Noronha do
Nascimento, afirmou que a situação no Tribunal de Santa Maria da Feira
tem de ser «rapidamente resolvida». Na segunda visita no espaço de uma
semana ao armazém industrial onde funcionam os serviços judiciais,
Noronha do Nascimento sublinhou que «as instalações provisórias não têm
condições nem de segurança, nem de qualidade e, por isso, tem de ser
rapidamente resolvido».
Manifestando «solidariedade» com os magistrados - depois dos incidentes
de quarta-feira - disse aos jornalistas, no final da visita, ter a
informação de que «estará praticamente desbloqueado o processo que
permitirá celebrar um contrato de arrendamento das novas instalações».
Noronha do Nascimento alertou ainda para o facto de se realizarem
julgamentos de risco «em variadíssimos sítios no País», defendendo a
necessidade de serem implementadas «regras específicas de segurança nos
tribunais».
PORTUGAL DIÁRIO | 27.06.2008
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