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Seis mil imigrantes obtiveram a nacionalidade portuguesa este ano, um
número que é já quatro vezes superior à média dos anos anteriores. É a
consequência da nova lei da nacionalidade que entrou em vigor no dia 1
de Janeiro e que tem já 25 mil processos abertos até Outubro deste ano.
A informação foi avançada pelo alto-comissário para
a Imigração e Diálogo Cultural, Rui Marques, ontem, na apresentação de
um estudo da OCDE, "Integração dos Imigrantes no Mercado de trabalho em
Portugal". E um dos problemas detectados é a dificuldade dos filhos dos
imigrantes em se integrarem no sistema de ensino nacional, começando
logo pela sua sub-representação na educação pré-escolar.Rui Marques
entende que a aquisição da nacionalidade portuguesa contribui para uma
maior integração da 29 geração, já que a nova lei tornou mais fácil a
naturalização, sobretudo para quem nasce em Portugal. E muitos dos
novos portugueses são menores. "A questão da nacionalidade cria
condições para uma maior igualdade formal, o que não é pouca coisa. No
limite máximo do ensino básico, todas as crianças que nascem em
Portugal são portuguesas", disse.
Mercado laboral
Os imigrantes têm uma maior taxa
de actividade que os nacionais, mas também são os mais atingidos pelo
desemprego. Outro dos problemas é desadequação dos empregos às
habilitações de uns (é o caso de 80% dos imigrantes da Europa de Leste)
e a falta de qualificação e formação de outros (em especial, entre os
caboverdianos). Além de que os estrangeiros ganham entre dez a vinte
por cento menos que a média dos nacionais, "que já de si possuem
salários baixos", salientaram Martine Durand, Thomas Liebig e George
Lemaitre, os especialistas da OCDE responsáveis pelo estudo. Mas este é
um quadro que se repete nos outros países em que fizeram o mesmo tipo
de análise: Austrália, Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha e Suécia.
Para
alterar a situação, os técnicos recomendam a agilização e harmonização
no reconhecimento das habilitações, a aposta no ensino da língua
portuguesa e uma maior fiscalização para combater a imigração ilegal e
a economia formal.
DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 28.11.2007
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