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O secretário de Estado adjunto e
da Justiça anunciou hoje no Canadá que a reforma do sistema judicial português,
a apresentar em breve, prevê a conversão de 230 comarcas em 35 super-tribunais
regionais e a criação da figura do "administrador de tribunal" com
responsabilidade de gestão, a par do juiz presidente.Anteriormente o
Governo falava na divisão territorial do mapa judicial em circunscrições mais
alargadas, designadas «NUT». Agora serão super-tribunais-regionais...
Em declarações à agência Lusa, o
presidente da ASJP, António Martins, destacou uma "diferença na
terminologia", na nomenclatura de super-tribunais. António Martins lembrou que anteriormente o
Governo falava na divisão territorial do mapa judicial em circunscrições mais
alargadas, correspondentes às delimitações territoriais utilizadas para a
distribuição de fundos comunitários, as chamadas NUT (nomenclaturas unitárias
territoriais).
"Desconheço se os super-tribunais são
uma designação nova ou se só se mudou o nome e se manteve a realidade",
disse, acrescentando que o aumentando das divisões de 32 para 35 se assemelha a
"uma operação de cosmética para obviar as críticas" que surgiram. Limitando-se nas reacções por desconhecer o
que o Governo quer dizer com super-tribunais, António Martins realçou que a
questão do mapa judiciário "é muito importante para modernizar a justiça e
dar-lhe capacidade para responder às necessidades".
Salientou ainda que este mapa deve ser
feito com "muito cuidado" e por quem "conhece bem a
realidade".
Quanto à figura de administrador de tribunal,
o presidente da ASJP disse ser necessário saber se este fica ou não subordinado
à figura de juiz-presidente.
As dúvidas são também uma constante na
reacção à Lusa do presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério
Público, António Cluny. O dirigente sindical Cluny receia que a
nova distribuição judicial represente um "acantonamento de magistrados em
grandes tribunais e muito hierarquizados". De acordo com António Cluny, tal poderia
levar a "uma alteração substancial da jurisprudência e limitação da
criatividade dos tribunais". O magistrado disse que é necessário saber
se a reforma do mapa judiciário vai ser ou não submetida ao pacto de justiça
alargado, entre o PSD e PS.
António Cluny criticou o facto de as
medidas da reforma estarem a ser apresentadas de forma parcial. "Só temos recebido fatias do bolo, mas
não sabemos se as fatias encaixam no bolo", disse o presidente da ASJP. O presidente do sindicato lamentou também
que não tivesse existido até agora uma "discussão aberta" entre todos
os operadores judiciais, que se limitaram até agora a analisar medidas
parcelares. "Não queremos tomar uma posição
crítica ou a favor [sobre a reforma do sistema judicial], porque não conhecemos
o guião da peça", referiu.
LUSA | 04.12.2007
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