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Ser ou não ser ... Justiça criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
01-Jul-2008
Não estamos na Idade Média, embora de quando em vez até pareça, pelo que levar um Tribunal a funcionar fora… do Tribunal, é, na minha opinião, desrespeitar a justiça. É levá-la para a rua!  Acontece que, como não há um projecto político para nenhuma área no nosso País, também na Justiça se “navega à vista”.

Diariamente chegam novas de comportamentos indignos perpetrados por agentes da justiça e pelos que já esgotaram a paciência – os arguidos que crescem que nem cogumelos.
Aliás, hoje em dia, em Portugal, um “bom pai de família” foi, é, ou será arguido de qualquer coisa!
Não é, pois, de admirar que engrossem as fileiras dos descrentes nos sistemas judiciário e judicial.
São vozes que surgem de todos os lados. Com ou sem razão.
Com mais ou menos aproveitamento mediático.
A voz mais recente chega de Londres. Vale e Azevedo decidiu dar uma entrevista à Sic para justificar o seu “rico” modus vivendi na capital britânica e afirmar de forma peremptória que não acredita na “justiça portuguesa”, só na “inglesa”…!
Acontece que o ex-presidente do Benfica é advogado, já esteve preso, continua a ter em Portugal uns quantos “casos pendentes” e enquanto passeia o “seu” Bentley em terras de Sua Majestade, vai dizendo que “sabe do que fala” quando diz que em “Portugal não há justiça!”.
E porquê mais este enxovalho?
Claro que o “invisível” ministro da Justiça, nada sabe, nada comenta, nada vê, nada explica porque anda muito ocupado com o controverso Mapa Judiciário, uma ideia “luminosa” que como todas tem um lado obscuro.
Ou seja: o Mapa Judiciário como modelo de gestão até pode parecer moderno e eficaz, mas há a questão territorial desta concentração que vai obrigar à deslocação de muitas dezenas de quilómetros de todos os infelizes que habitarem longe. E assim continuaremos a ter a justiça mais cara para os que menos podem!
Entretanto um juiz foi agredido a pontapé e uma magistrada ficou com cortes na cara em Santa Maria da Feira.
Dizem que as instalações, no caso o salão dos bombeiros da Feira, foi local propício às agressões, pela falta de condições ao julgamento em causa – tráfico de droga –, mas tenho para mim que tudo isto é uma grande falta de respeito e de educação. A todos os níveis.
Não estamos na Idade Média, embora de quando em vez até pareça, pelo que levar um Tribunal a funcionar fora… do Tribunal, é, na minha opinião, desrespeitar a justiça. É levá-la para a rua!
Acontece que, como não há um projecto político para nenhuma área no nosso País, também na Justiça se “navega à vista”.
Desde há décadas que são necessárias obras em dezenas de tribunais. Não se fizeram. Agora alguns caem aos bocados e com a cal, o estuque e o cimento cai o sentimento de respeito e de dignidade que a palavra justiça deveria conter em si.
Mas talvez, como escreveu Yonesco, que as raízes das palavras sejam quadradas e nesse caso ainda haja esperança para encontrar na palavra “justiça” um lado bom.
Até lá, manda o bom senso que os senhores juízes e o Ministério Público (uma parte, que não felizmente, o todo) se deixem de ironias de mau gosto nas sessões de audiência de testemunhas e de julgamentos…
É que o respeito não pode ser só numa direcção – a do terceiro poder que dizem ser o da Justiça.
O respeito não ocupa espaço e distingue o Homem dos restantes animais.
Robert Muzil diz que o “pensamento é uma questão moral”.
O respeito também!
 
NASSALETE MIRANDA | JUSTIÇA E CIDADANIA | 01.07.2008
Comentarios (1)add
... : Alberto Ruço
Diz-se no texto « Até lá, manda o bom senso que os senhores juízes e o Ministério Público (uma parte, que não felizmente, o todo) se deixem de ironias de mau gosto nas sessões de audiência de testemunhas e de julgamentos?».

Penso ter compreendido e concordo.

A rotina diária dos julgamentos pode levar a que se tenham atitudes que, subjectivamente inócuas, são, objectivamente, inadequadas a criar nos outros um sentimento de respeito para com o tribunal.

Por isso, os magistrados e advogados devem ter o máximo cuidado.

Não se pode «sorrir» ou «dizer umas piadas» se em causa está a hipótese de um arguido vir a ser condenado numa pesada pena de prisão.

Outra atitude importante é a de manter as audiências com baixos níveis de emoção, pois a emoção é contagiante e não favorece a atenção e o discernimento.

05.Julho.2008
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