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Sentimento generalizado de insegurança criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
08-Mar-2008
OS meios de comunicação social têm noticiado que a população vive insegura, por: parecer que aumentou o crime violento, em consequência da entrada em vigor dos Códigos, Penal e do Processo Penal, cuja aplicação é obrigatória para os Juízes; terem sido colocados em liberdade, por excesso de prisão preventiva em harmonia com os novos Códigos, cerca de 200 presos condenados por crimes graves (homicídio, abuso sexual de menores, burla, roubo, furto, etc.); não ser possível a detenção, em flagrante, dos gatunos, ou dos homicidas que voluntariamente se apresentem às Autoridades; parecer que as entidades policiais não dão atempado andamento às investigações, e que os Tribunais são muito lentos nas decisões; parecer que as leis favorecem a impunidade dos delinquentes, especialmente os mais poderosos.
Que pensar disto?

Não creio que exista uma efectiva situação de insegurança real, pois, pelo contrário, me parece haver, sim, «um sentimento mais ou menos generalizado de insegurança», o que é uma realidade distinta, ainda que possa sertão ou mais grave do que a primeira, por se tratar de um circunstancialismo fortemente susceptível de gerar pânicos colectivos, e condutas irracionais e violentas dos povos.

Dos factores que têm contribuído para a criação e manutenção de tal «sentimento» podem-se indicar como estruturantes todos os medos, reais ou fictícios, dos cidadãos, relativos ao seu futuro ou ao seu emprego, ou às condições de vida, quer próprias, quer dos familiares, todas a situações de injustiça ou de menor rapidez na resposta relativamente àquilo que se considera como factor gerador de níveis elevados de insegurança (as aparentes deficiências e demoras na obtenção de resultados judiciais ou de apoio das forças de segurança, a perda de credibilidade e de respeitabilidade, das instituições do Estado, a ininteligibilidade das leis para o cidadão comum, a alteração frequente delas, por vezes com razões incompreensíveis, a deficiência generalizada relativa aos mínimos aceitáveis do conhecimento do nosso sistema jurídico, a narração empolada, sensacionalista, e, frequentemente imperfeita ou, mesmo, tendenciosa, feita por alguns, ainda que poucos, órgãos da Comunicação Social). Ora, a existência de um «sentimento generalizado de insegurança» força, com frequência, os legisladores a tomarem medidas destinadas a diminuí-lo, o que, no entanto, é sempre feito em prejuízo do factor «liberdade» e em proveito do factor «segurança». É sempre em nome da «Segurança», alcandorada como valor máximo da «Democracia» para a obtenção e defesa do valor «Liberdade das pessoas», que começam os ataques insidiosos a esta última, cometidos pelas ditaduras em potência, cujos cidadãos, acalmados pela luta contra o que erradamente consideram corresponder a uma situação real de insegurança, acabam por aceitar, enganadamente convencidos de que só pode existir «liberdade» dentro de um sistema que garanta a «segurança» máxima, e que só vêm a repudiar, quase sempre pela via da violência, quando tal «segurança», passa a ser entendida como «opressão intolerável».


Considero urgente, pois, que sejam tomadas medidas destinadas a eliminar os apontados factores de «geração de ideias ou sentimentos generalizados de insegurança não correspondentes com a realidade», de molde a que a noção de «LIBERDADE» possa ser razoavelmente sentida e desejada pelo Povo, pois o que for feito com outras finalidades implicará a produção de um resultado perigosamente inútil para a Democracia e para todos nós.
 
FISHER SÁ NOGUEIRA | O DIABO | 11.03.2008 
Comentarios (1)add
... : VILA VERDE
O sentimento de insegurança é geral. Pois, todos nós nos sentimos inseguros no trabalho (vem aí a flexisegurança), no escritório ("diarreia" legislativa) na rua (buracos e os limpa telemóveis e cartões) em casa (internet e falta de dinheiro), no estádio (as bolas não vão para a baliza, mas sim para a bancada e os apitos por vezes tocam muito alto), no tribunal (não julgam e, quando julgam, julgam tarde e mal), na democracia (as maiorias governam a seu bel-prazer) nas ditaduras (porque por este andar não tardam a proliferar). Enfim, sentimos apenas alguma segurança na nossa consciência individual, porque a colectiva está a desaparecer.
12.Março.2008
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