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POR DR. RUI RANGEL. Os objectivos fixados pela ASAE do sr. Nunes, quanto a detenções,
processos-crime e multas, representam uns dos maiores ataques, dos
últimos tempos, ao Estado de Direito e aos direitos constitucionais.
Perante a divulgação pública dos objectivos, o que
aconteceu? Simplesmente nada. António Nunes não se demitiu, o Governo
assobiou para o lado e, para meu espanto, instalou-se uma cortina de
silêncio, mesmo nos media, que explica o défice de cidadania que se
instalou. A existência das metas envergonha não só a ASAE como a todos
nós que, com o silêncio, nos tornamos cúmplices. Para a ASAE há que
prender a todo o vapor, encerrar, multar e multar, atirando muitas
famílias, que vivem do seu trabalho, para a desgraça.
Em
matérias tão delicadas, que mexem com direitos e liberdades, como é
possível traçar, no abstracto, objectivos cegos e que dão uma péssima
imagem da mentalidade e da credibilidade da ASAE?
É a República do sr. Nunes.
As
detenções, processos-crime e multas não podem ser fixadas como metas
abstractas. Precisam, a montante, dos factos. Só a investigação e os
factos, apurados com rigor e seriedade, legitimam metas, e não o
contrário. Foi assim que aprendi. E ainda falam da ‘república dos
juízes’, quando estes, legitimados pela Constituição, ao contrário da
ASAE, prendem preventivamente criminosos e personagens de colarinho
branco.
Reparem como seria perigoso e inseguro
se os juízes, que julgam o crime, fixassem, como objectivo de trabalho,
decretar prisões preventivas por ano, em processos que, atirados ao ar,
não caíssem na secretária. Pobres dos cidadãos que caíssem ao chão. O
que António Nunes nos propôs foi a arbitrariedade e a inversão das
regras legais. A PIDE também prendia sem factos e sem processos.
Demita-se, sr. Nunes.
RUI RANGEL | CORREIO DA MANHÃ | 18.05.2008
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