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Remuneração variável por objectivos ? criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
24-Jun-2007

Image«(...) O Estatuto Universal do Juiz, aprovado pelo Conselho Central da União Internacional de Magistrados, reunido em Taipei (Taiwan) a 17 de Novembro de 1999, proclama, no seu artigo 13º, que "O Juiz deve receber uma remuneração que seja suficiente para assegurar a sua independência económica. A remuneração não deve depender do resultado da actividade como Juiz e não deve ser reduzida enquanto preste serviço profissional".
A Judicatura não se pode confundir com o Funcionalismo Público, visto serem os juízes verdadeiros agentes da soberania do Estado, radicando no povo a emanação do seu poder, já que julgam em nome deste (art.º 202.º da CRP).
Há também que não esquecer que o exercício das suas funções não é equiparável à de outros profissionais, na medida em que não só lhes está vedado a prática de qualquer outra actividade remunerada (só podendo exercer a docência, sem qualquer remuneração), como não lhes é estabelecido qualquer limite à sua carga diária de trabalho.
Por outro lado ainda, com o crescente avolumar das pendências processuais, com a inovação e complexidade de certas matérias, o trabalho dos juízes vai exigindo cada vez mais crescente especialização e dedicação. Não há nenhum privilégio nesta actividade, se o mesmo existe, ele reside apenas na intervenção cívica que a aplicação da justiça proporciona.
Por isso, uma remuneração adequada, que garanta a independência económica e a dignidade da função, não é um privilégio dos juízes, mas antes uma garantia da sua própria independência e da segurança dos cidadãos; como dizia Carlos Maximiliano, sem remuneração condigna não serão atraídos profissionais competentes para a função de julgar; quanto mais o Estado economizar com a Justiça mais gastarão os cidadãos com a mesma... (...)».
Extracto de texto do Fórum Permanente Justiça Independente (ler texto integral)

Comentarios (3)add
... : Administrador In Verbis
A este propósito, cfr. comentário da autoria do Juiz de Círculo, Dr. Jorge Langweg, in Blog de Informação
http://langweg.blogspot.com/2007/06/uma-questo-de-justia.html

«Curioso...

Nenhum economista ou especialista em Finanças Públicas defendeu, alguma vez, que o Presidente da República, os Ministros ou os Deputados devessem auferir vencimentos em consonância com objectivos pré-estabelecidos.

No entanto, as soluções são conhecidas há muito tempo - infelizmente, parece que a maior parte dos representantes da população, nomeados pelos partidos políticos, não parece estar interessada na eficácia da administração da justiça -. Será que isso estará relacionado com a predilecção da mesma maioria por obras públicas geradoras de imensa riqueza para... certos agentes económicos e seus «defensores públicos» ?

Essa interrogação surge, espontaneamente, na boca dos arautos da teoria da conspiração, que desenvolvem a mesma:

Onde acaba o interesse público e começa o interesse privado ilícito e anti-social?
Quem patrocina este nos órgãos de soberania políticos?

Tribunais eficientes podem perigar o sucesso de tais patrocínios...

Deixemos essas reflexões para os já mencionados arautos...

Contudo, existe uma realidade que não pode ser escamoteada:

Além da economia nacional e da coesão social, também a democracia portuguesa pode ficar em crise, se não for aumentada a eficácia da administração da justiça.

Para a satisfação das legítimas expectativas dos cidadãos e dos agentes económicos no tocante à eficiência da administração da justiça, bastará uma reforma de fundo nos procedimentos, na organização judiciária, nas instalações, nos equipamentos, nas novas tecnologias, na gestão e formação dos recursos humanos e - factor essencial - que o legislador confie mais nos juízes , não sobrecarregando estes com actividade administrativa e processual que diminui injustificadamente a sua produtividade e não é exigida nos países mais desenvolvidos.

Essa reforma deverá centrar-se, exclusivamente, no interesse dos Cidadãos .

Além do exposto, relacionado com a eficácia da administração da justiça, também existe uma crise de imagem da Justiça:

Infelizmente, tanto as instalações (falta de salas de espera e de salas de audiência com o mínimo de conforto e condições de segurança na maior parte dos tribunais), como a legislação (que permite, por exemplo, a convocatória de dezenas de testemunhas para a mesma data/hora no mesmo julgamento) não respeitam devidamente os cidadãos, gerando a sua desconfiança e animosidade em relação aos Tribunais.

Até quando?...»
25.Junho.2007
... : boa noite
A questão da falta de meios já estaria resolvida se os juízes se recusassem pura e simplesmente a fazer julgamentos enquanto as condições mínimas de dignidade não fossem asseguradas: se os Desembargadores parassem de trabalhar enquanto o Estado não lhes fornecesse um gabinete condigno; se os juízes de primeira instância deixassem de fazer julgamentos nos gabinetes; se os tribunais fechassem quando as condições mínimas de funcionamento não estão reunidas, etc. Mas isso não acontece. Por um lado porque os Juízes foram alvo de uma lavagem ao cérebro para lhes incutir um gene funcionarizante, que os leva a trabalhar até na casa de banho, só para dar andamento aos processos; e por outro porque quem tenta reagir contra isto é de imediato "apertado" pelo conselho superior da magistratura. Da conjugação destas duas realidades resulta o estado actual dos Tribunais.
25.Junho.2007
... : Nunes
Com todo o respeito que me merecem os Mmos. Juízes e reconhecendo a falta de condições em que muitas vezes trabalham, permito-me lembrar-lhes que é graças ao trabalho de funcionários públicos, que por vezes parecem desprezar ( veja-se o comentário anterior, donde se infere que a falta de condições para estes será normal e aceitável, dado estarem inseridos numa cadeia hierárquica) que recebem os seus vencimentos. Deviam ver as condições em que se trabalha em muitos sítios deste país...O mal é geral! smilies/smiley.gif
26.Junho.2007
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