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Reflexões em torno do Caso Esmeralda criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
18-Out-2007

ImagePOR RICARDO G. BARROSO | PSICÓLOGO E DOCENTE UNIVERSITÁRIO
«No passado dia 1 de Outubro assisti com revolta e espanto ao programa Prós e Contras da RTPI. onde foi debatido o denominado "caso Esmeralda". Presenciei aquilo que considero ter sido o cúmulo da completa descredibilização da prática psicológica em Portugal.
Apesar de existirem outros episódios anteriores menos felizes (como em muitas áreas profissionais), os princípios de apoio e ajuda profissional posterior aos acontecimentos vão, felizmente, imperando. Mas julgo que, dado o carácter da situação, nesse programa e nesse momento se foi demasiado longe.

Independentemente dos pontos de vista que os cidadãos possam ter sobre o assunto em questão, é inadmissível que profissionais de psicologia tenham o desplante de assumir a postura de comentadores públicos sem aparentemente terem lido sequer o Acórdão do Tribunal da Relação (bttp://www.trc.pt/esmeralda.pdf).

Mais: um dos psicólogos ali presentes, a coberto de uma suposta autoridade moral e técnica, não teve o comportamento ético exigível de explicitar aos telespectadores a existência de eventuais conflitos de interesse, na medida em quetinha emitido um parecer e que até foi ouvido como testemunha, arrolado pelo casal que tem tido a guarda de facto da criança.

O resultado foi o que se viu: uma lição do juiz ali presente sobre o que é a ética e deontologia da prática profissional, realçando o chorrilho de enganos e de confusões que os psicólogos ali iam desbobinando. Comportamento bastante diferente tiveram outras classes profissionais presentes no referido programa de televisão, na fonna e no género de apresentação das suas diferentes opiniões técnicas.

Aliás, foram muito interessantes os dados técnicos e teóricos formulados pela pedopsiquiatria e, igualmente, a chamada de atenção da médica pediatra do Hospital Garcia de Orta em relação ao reduzido período de transição estabelecido pelo tribunal. Porque é mais do que óbvio para todos, profissionais de saúde mental ou não, que o mais importante é o equilíbrio emocional desta criança.

Mas quem lida ou lidou de perto com casos semelhantes a este (porque este não é o único) sabe perfeitamente do ambiente de manipulação que pode envolver uma criança nestas condições. Principalmente sabe que, nestas situações, não existem "lobos maus" nem "lobos bons". E sabe, infelizmente, que qualquer decisão numa situação desta natureza tenderá a não ser branca nem preta e terá, com grande probabilidade, de ser cinzenta.

Na minha modesta opinião, entre outras ponderações, o caso em discussão (como o também designado caso McCann) merece uma reflexão muito séria em relação à prática psicológica em Portugal e em relação à responsabilidade social que os profissionais de psicologia assumem publicamente. Isso também é Humanismo.

Embora pense que depois da leitura integral do acórdão judicial talvez algumas opiniões se alterem ou atenuem, gostaria de voltar a frisar que as críticas presentes neste texto não se prendem com os diferentes pontos de vista que as pessoas possam ter sobre o assunto em questão como profissionais de psicologia ou como comuns cidadãos. Muito menos com a legitimidade de alguns pareceres técnicos. Eventualmente todos farão sentido.

A questão final parece ser a do costume: para quando uma associação profissional da área da psicologia que adicione rigor a todo este processo?»

IN PÚBLICO | 18.10.2007 | PÁGINA 49 

Comentarios (4)add
... : Um cidadão
Onde foram os comentários anteriores?
22.Novembro.2007
... : IDN
De facto... estava-se aqui a ter um debate muito interessante...
27.Novembro.2007
... : Iva Dalte
Desculpem mas acho que deveria haver um comentário por parte dos responsáveis deste sitio sobre o facto de terem retirado um conjunto de comentários a este texto extremamente interessantes. Estava-se a discutir um conjunto de questões éticas importantes para a prática profissional.
27.Novembro.2007
... : Administrador In Verbis
Um cidadão, IDN e Iva Dalte:
Não houve retirada de qualquer comentário.
O que se passa é que este mesmo artigo encontra-se publicado na secção de arquivo | dossier Caso Esmeralda, onde se encontram outros comentários, aliás, na sequência de uma observação do próprio IDN

27.Novembro.2007
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