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Os privilégios da soberania
26-Jun-2008
O Estado sabe proteger-se quando quer. Não regateira verbas para o efeito e ninguém contesta os gastos. No que se refere aos juízes e aos tribunais, não quer. É evidente. Os gastos são elevados, e por isso, o órgão de soberania tribunais, é um parente pobre da democracia portuguesa. Os tribunais, que se amolem e fiquem à mercê do primeiro energúmeno que aparecer. É mais um privilégio, a acrescer aos restantes.

 

«Ontem foi notícia, a agressão, em plena sala de audiências, na sequência de leitura de sentença, a dois juízes do tribunal de Santa Maria da Feira. Hoje, é notícia, o que se comenta na opinião publicada, a propósito de assunto.

Os presidentes de sindicato, das magistraturas - juízes e mp- já se pronunciaram. Merece destaque, a declaração de António Martins, do sindicato dos juízes:«Isto só está a decorrer porque o Estado tem estado a degradar as condições mínimas de dignidade e segurança de funcionamento dos tribunais e do exercício da função dos tribunais», adiantou António Martins.
 
Segundo a Constituição da República que temos, no seu artº 110º, os juízes, precisamente na veste de julgadores, como era o caso, são um órgão de soberania, em plena paridade com os demais: o presidente da República, os deputados da Assembleia da República e os membros do Governo.
 
Imaginemos que dois deputados eram agredidos em plena sala grande, da A.R.; ou que dois ministros em funções de inauguração ou assinatura de acordos com parceiros sociais, ou ainda o próprio presidente da República, eram agredidos por descontentes com as suas decisões democráticas e legítimas.
 
Que notícias ouviríamos hoje? Os lamentos dos pares dos agredidos, explicando a falência do Estado?
 
Talvez para evitar essas eventualidades desagradáveis, vemos sempre uma extensa comitiva de carros pretos e indivíduos de fato escuro e fio na orelha, rodeando tão excelsas individualidades da nossa democracia. Esses cortejos, aliás, têm por vezes, honras de países de terceiro mundo. Ninguém se incomoda, a não ser os que sentem vergonha. Para quem a perdeu, todo o mundo é já seu.
 
As residências e locais de funcionamento dos titulares desses órgãos de soberania, têm sempre alguém às portas. Alguns continuam a ter, durante anos a fio, depois de deixarem os cargos e os lugares. Continuam com polícias fardados e vigilância permanente, assegurada pelo Estado.
 
Ou seja, este Estado, sabe proteger-se quando quer. Não regateira verbas para o efeito e ninguém contesta os gastos, quando lhes mostram as razões.
 
No que se refere aos juízes e aos tribunais, não quer. É evidente. Os gastos são elevados, e por isso, o órgão de soberania tribunais, é um parente pobre da democracia portuguesa. Com a agravante de serem precisamente os demais órgãos de soberania, a discriminarem e a escolherem para si, em exclusivo, as preocupações com a segurança individual dos seus titulares.
 
Os tribunais, esses, que se amolem e fiquem à mercê do primeiro energúmeno que aparecer. É mais um privilégio, a acrescer aos restantes.
 
JOSÉ | GRANDE LOJA QUEIJO LIMIANO | 26.06.2008
Comentarios (2)add
... : Pedro Galvão
Senhores

Continuam a ter segurança à porta mesmo depois de terem deixado de exercer os cargos o que obriga as esquadras da área, e postos da da G.N.R., a desguarnecer a vigilância urbana da população!!
Uma vez o falecido Professor Sousa Franco porque deu uma festa na sua residência exigiu à Esquadra da área um Agente à porta por puro capricho pessoal...é esta a mentalidade de quem (des)governa...
27.Junho.2008
... : Gajo atento a mandar "bitaites"
Alguém pode recordar-me quantos polícias chegaram a estar de guarda às casas do Mário Soares já depois de este ter deixado de ser PR??

Quanto aos membros do Governo posso garantir-vos que nas portas dos prédios dos Senhores Jaime Gama e Alberto Costa está sempre um polícia.

E recordo-me de uma senhora que era secretária de Estado que enquanto morou perto de mim também tinha permanentemente um polícia na porta do prédio.

28.Junho.2008
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