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Os polícias sempre ganharam mal e sempre trabalharam sem as condições
que a sua actividade exige. Contudo, seria de esperar que, pelo menos,
fossem respeitados pelos cidadãos e pelos governantes, mas isso não
acontece. Manifestam-se, mas não lhes dão ouvidos. São agredidos e não
podem utilizar a força para se defender. A autoridade está desprovida
de autoridade. Polícias agredidos (às dezenas!) “são casos isolados”;
diz quem nos governa que não há caso para alarme. Os professores
deixaram de ter a consideração devida por serem transmissores de
conhecimentos para as novas gerações se prepararem para o futuro, que
se quer sempre melhor. Quem governa trata-os por bandidos, assim como
alguns fazedores de opinião. Manifestam-se, mas quem devia não lhes dá
ouvidos. Também são desrespeitados e agredidos (às centenas, no
mínimo!), quer por alunos, quer por encarregados de educação. Diz quem
nos governa que “são casos isolados”, nada que possa gerar preocupação.
Recentemente, foram agredidos dois juízes (só dois!). Aqui sim, a coisa
apresenta-se feia! Juízes agredidos… é coisa impensável, que não pode
acontecer num estado de direito. Mas, quem trata os polícias e os
professores como tem tratado não se devia admirar com as agressões aos
juízes, até porque são só dois “casos isolados”. Ironia, claro!
Que dirá quem nos governa quando os políticos forem alvo de agressões
idênticas? Provavelmente vai dizer que os polícias não garantem
segurança, que os professores não sabem educar e que os juízes não
sabem aplicar a justiça, e que tal se reflecte na sociedade. Não está
mal pensado, não senhor.
Quem semeia ventos, está à espera de colher o quê?
ANTÓNIO GALRINHO | PÚBLICO | 01.07.2008
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