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20-Fev-2007 |
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Xeque-mate do Governo aos Tribunais, em cinco simples jogadas.
1.ª jogada:
Descredibilizar os juízes;
2.ª jogada:
Descredibilizar os Conselhos;
3.ª jogada:
Fornecer meios e instrumentos de controlo aos Conselhos (paradoxal? não! Em primeiro lugar porque credibiliza a actuação política quanto aos Conselhos e aos magistrados; Em segundo lugar porque deixa normativamente consignado, em altura insuspeita, os ditos instrumentos, para utilização futura);
4.ª jogada:
Modificação da composição dos Conselhos, ou do Conselho (por absorção do administrativo), afastando da sua composição os juízes e com controlo absoluto pelo poder político;
5.ª jogada:
Acesso ao Supremo por escolha (côr dos olhos? do cabelo? não! mas certamente pela côr).
Cogitação 1:
Ou eu sofro da mania da perseguição (e somos muitos com esta mania) ou o fim do princípio da independência dos tribunais teve início com a jogada das férias judiciais.
Cogitação 2:
Que juiz , nesse cenário, decide com independência? Tendo sobre a cabeça uma de Dâmocles?
Cogitação 3:
Feito com pezinhos de lã, tudo isto pode revestir uma forma de aparente legalidade e conformação constitucional e só no funcionamento do sistema, dentro do convento, é que se notam as suas corruptelas.
Cogitação 4:
Lembro-me da Constituição semântica de 33, apodada de semântica precisamente por ser ou ter sido ultrapassada por vil realidade que, todavia, dela se alimentava sugando-lhe os rebentos de legitimação formal.
XAVIER IERI | BLOG EXCÊNTRICO
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