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Pedro e o lobo criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
17-Abr-2007

Todas as semanas alguns jornais e o Sindicato dos Jornalistas (SJ) tocam os sinos a rebate anunciando que a liberdade de imprensa está em perigo e todas as semanas a montanha pare um minúsculo rato... Quem o diz é Manuel Pina, em artigo publicado no JN.

A condenação do "Público" no STJ a indemnizar o Sporting por ter noticiado que o clube devia 460 mil contos ao Fisco, e que teria até sido executado por essa dívida, suscitou, também ela, notícias e comunicados catastróficos, pois se provara que a notícia era "verdadeira" e, mesmo assim, o jornal fora, escândalo!, condenado.

Os jornais, como se sabe, escrevem principalmente uns para os outros e foi isso que o "Público", parte interessada, escreveu.

Ninguém se lembrou, claro, de ir ler o acórdão, e muito menos a decisão da 1ª instância que fixou a matéria de facto. Se isso tivesse sido feito, teriam jornais e SJ verificado que, afinal, a "verdade" da notícia… não ficou provada.

Pelo contrário, a 1ª instância concluiu expressamente que não foi feita "prova da efectiva existência dessa dívida" e o STJ que "os factos relatados não correspondiam à situação envolvida".

E agora? Agora ficaremos à espera de novas notícias sobre o fim da liberdade de imprensa. Até que um dia, como na história de Pedro e o lobo, a coisa será a sério e ninguém acreditará.

MANUEL PINA | JN | 17.04.2007

Nota:
Entretanto, ... o Jornal de Negócios destaca como frase dita, António Barreto, ao Público: "Raramente uma decisão judicial se elevou, como esta, tão alto, nos píncaros do absurdo".
Falta saber se o "grande sociólogo português" (como é chamado), leu a decisão de Primeira Instância ou, pelo menos, a do Supremo Tribunal de Justiça. Está aqui publicada em texto integral, para quem lhe fizer o favor de encaminhar para que os seus julgamentos primários não corram o risco de também serem passíveis de classificação idêntica.

Comentarios (6)add
... : neves
Aos portugueses não interessa ler, interessa sim os grandes títulos dos jornais e o início (não o conteúdo) das noticias dos telejornais. Como os jornalistas sabem isso dão aos portugueses o que eles querem. Depois ficam todos com dúvidas e numa grande suspeição relativamente a determinadas classes profissionais, menos claro a dos jornalistas. smilies/wink.gif
18.Abril.2007
... : José Pastor
Manuel Pina já não nos surpreende. Ele é um caso raro de elevada lucidez e de enorme independência.
Os outros jornalistas que olhem para ele e sigam o seu exemplo. Mas não, não o fazem, enquanto receberem o ordenado dos seus patrões, enquanto forem destemperados a comentar o que não sabem e se portarem como comissários do poder político na comunicação social.


18.Abril.2007
... : Julio Roque
É... parece que por vezes as noticias que aparecem nos jornais não primam pela correcção. Mas só em algumas, poucas, aliás muito poucas situações. Quando a noticia vem ao encontro da nossa convicção, do nosso preconceito, ela é fidedigna, pura; quando assim não é, a mesma passa a especulativa, absurda e outros epítetos. As pessoas de bom senso sabem que assim é e deixam assentar a poeira para poderem ver melhor. As outras ... bem, as outras fazem as figurinhas que nós vemos e lemos, mas como o ridículo não mata e a memória das pessoas (de algumas) é curta ...
18.Abril.2007
... : AAVR
Quem escreve num jornal ou comunica pela televisão, referindo-se a factos que ocorreram, está a dirigir-se publicamente aos outros.
Além disso, está a exercer uma actividade comercial, a ganhar dinheiro.
Afirmar factos que não são verdadeiros é enganar os leitores ou ouvintes.
É frequente serem narrados factos que desprestigiam as pessoas e as instituições e se verifica serem falsos.
Porém, toda a gente parece conviver muito bem com esta realidade e nada acontece a quem se dirige publicamente aos outros, mentindo!

24.Abril.2007
... : JJED
O António Barreto acima citado será o mesmo que quando foi ministro da agricultura se lembrou de além de devolver todas as terras dos latifundiários a estes, acrescido de elevadas quantias de indemnização? Aquele que fala muito num pacto sobre a corrupção, porque segundo diz, "há por aí muita gente com rabos de palha"? Até o falecido Sá Carneiro compreendeu que essas terras para produzirem tinham que ser geridas por pessoas da agricultura e não pelos toureiros, granadeiros, agora também "subsidiadeiros".
03.Maio.2007
... : kiki : http://nete
esta historia e muito interessante da prarir smilies/cheesy.gif smilies/cheesy.gif smilies/grin.gif smilies/grin.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/wink.gif smilies/cheesy.gif
11.Maio.2007
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