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Todas as semanas alguns jornais e o Sindicato dos Jornalistas (SJ) tocam os sinos a rebate anunciando que a liberdade de imprensa está em perigo e todas as semanas a montanha pare um minúsculo rato... Quem o diz é Manuel Pina, em artigo publicado no JN.
A condenação do "Público" no STJ a indemnizar o Sporting por ter noticiado que o clube devia 460 mil contos ao Fisco, e que teria até sido executado por essa dívida, suscitou, também ela, notícias e comunicados catastróficos, pois se provara que a notícia era "verdadeira" e, mesmo assim, o jornal fora, escândalo!, condenado.
Os jornais, como se sabe, escrevem principalmente uns para os outros e foi isso que o "Público", parte interessada, escreveu.
Ninguém se lembrou, claro, de ir ler o acórdão, e muito menos a decisão da 1ª instância que fixou a matéria de facto. Se isso tivesse sido feito, teriam jornais e SJ verificado que, afinal, a "verdade" da notícia
não ficou provada.
Pelo contrário, a 1ª instância concluiu expressamente que não foi feita "prova da efectiva existência dessa dívida" e o STJ que "os factos relatados não correspondiam à situação envolvida".
E agora? Agora ficaremos à espera de novas notícias sobre o fim da liberdade de imprensa. Até que um dia, como na história de Pedro e o lobo, a coisa será a sério e ninguém acreditará.
MANUEL PINA | JN | 17.04.2007
Nota:
Entretanto, ... o Jornal de Negócios destaca como frase dita, António Barreto, ao Público: "Raramente uma decisão judicial se elevou, como esta, tão alto, nos píncaros do absurdo".
Falta saber se o "grande sociólogo português" (como é chamado), leu a decisão de Primeira Instância ou, pelo menos, a do Supremo Tribunal de Justiça. Está aqui publicada em texto integral, para quem lhe fizer o favor de encaminhar para que os seus julgamentos primários não corram o risco de também serem passíveis de classificação idêntica.
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