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14-Nov-2007 |
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A leitura da imprensa de ontem deixou-me mergulhado naquilo que, em
literatura de aeroporto, se chama de “confusão de sentimentos". A
notícia de que o Ministério da Justiça tinha comprado cinco limusinas
de luxo, uma para o ministro, duas para os secretários de Estado, outra
para o presidente do Instituto de Gestão Financeira e de
Infra-Estruturas da Justiça (mais que justificadamente, pois este só já
tinha uns velhíssimos AudiA6 e Peugeot 404 de 2003) e mais uma para a
secretaria-geral, começou por inquietar-me. Tanto mais que outra
notícia me dava conta de que o OE gastará, em 2008, 3,4 milhões de
euros (mais 15,4% do que este ano) com viagens de deputados. Mas que
podia eu fazer? Preocupo-me em ter os impostos em dia pois alguém tem
que pagar o défice (incluindo os 280.000 euros de vencimento do Dr.
Vítor Constâncio, quase o dobro do que recebia Alan Greenspan na
Reserva Federal americana) e já não tenho, como a generalidade dos
portugueses, mais buracos no cinto que apertar. Mas depois percebi que
eram boas notícias e que, como disse o primeiro-ministro, estamos todos
de parabéns pois o défice já só vai em 3%. Os funcionários públicos vão
ver que os 2,1 % de aumento são lapso do Ministério das Finanças. Na
verdade, o aumento será de 21%.
MANUEL ANTÓNIO PINA | JN | 14.11.2007
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