|
Em todos os tribunais do país, começa a discutir-se agora o planeamento das férias dos magistrados judiciais e do Ministério Público bem como dos funcionários judiciais. São horas perdidas de discussão e de elaboração de mapas de férias que apenas servem para demonstrar a dificuldade que há em "meter o Rossio na Rua da Betesga", ou seja, assegurar o funcionamento normal dos serviços numa altura em que uma boa parte dos magistrados e dos funcionários já estão no gozo do seu direito constitucional de férias, particularmente em Julho ou em Setembro.
Em artigo, da autoria do Juiz de Direito Dr. António José Fialho, publicado no site de Justiça Independente - Fórum Permanente, é feito um relato na primeira pessoa (embora ficcionada nalguns aspectos) que procura demonstrar como esse tempo seria melhor aproveitado naquilo que é essencial e mais necessário: - resolver os problemas na Administração da Justiça.
«Os problemas com as marcações de férias e conciliar o exercício deste direito com as substituições é objecto de muitas horas perdidas. Da conciliação dos mapas de férias dos funcionários e do Ministério Público permite-se concluir que, no mês de Agosto, os turnos estão devidamente assegurados mas que durante boa parte de Julho e de Setembro, todas as secções estarão a funcionar com cerca de metade (ou menos que isso) dos efectivos.
(...) A elaboração do mapa de férias implica o dispêndio de muitas horas a considerar todas as implicações, regras de substituição, número de dias a que cada um tem direito, procurando resolver um problema que nenhum Juiz criou. Multiplique-se agora este tempo por todos os tribunais do país e verão com facilidade quantas horas são perdidas numa labuta insana quando melhor seria que estivéssemos a dedicar o nosso tempo a fazer o trabalho que os cidadãos exigem aos tribunais: - a Administração da Justiça.
(...) É verdade que grande parte destas questões são resolvidas ou decididas fora do horário normal de expediente e que, no meio de tudo isto, só os Juízes é que ficam prejudicados, bem como os familiares. E isto tudo para melhorar em dez por cento a produtividade dos tribunais ..?»
Comentarios () |
|
|
|
|
|