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«Por esta altura, serão já muitos os advogados arrependidos de ter eleito o Dr. Marinho Pinto como Bastonário. Iludidos por um ar aparentemente mais calmo e civilizado, menosprezaram
o facto da sua fama não lhe advir da qualidade da prática jurídica –
desconhecida – mas das atoardas que foi proferindo numa comunicação
social sedenta de turbulência e avessa ao discernimento e ao bom senso.
Nos últimos dias, e fiel ao seu estilo, o Dr. Marinho apelidou os
políticos de corruptos, os magistrados de preguiçosos e os polícias de
“paus-mandados”.
O Bastonário acredita que o destino lhe reservou a missão de porta-voz do povo oprimido e enganado.
Mas nem Portugal é a Venezuela, nem ele é Hugo Chávez.
Se repararmos no seu discurso, o que o move não é a defesa de uma sociedade mais justa; porque aí até lhe perdoaríamos o feitio!
O que ele não consegue é esconder a pele de quem sempre foi da extrema-esquerda.
E só por isso é que, com o mesmo displante que condena o arquivamento
de um inquérito porque os visados eram governantes da direita, defende
a tese da cabala para um processo judicial em curso, porque desta vez,
os implicados vêm da esquerda.
E neste caso, pouco lhe importa que as suas declarações possam
prejudicar ainda mais as vítimas que, na sua maioria, são crianças
indefesas e órfãs.
Aliás, se a pobreza o importunasse e o desprendimento o caracterizasse,
não teria sido o primeiro Bastonário a exigir um vencimento mensal de
largos milhares de euros. Mas isso não conta ele. Pois não, Marinho?
»
Durval Tiago Ferreira | CIDADE HOJE | 07.02.2008
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