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«A entrevista televisionada da Dra. Maria Manuela Dias Ferreira Leite, esta noite, fez-me recordar uma prestação de contas devida por sucessivos Governos. (...) Os
grupos parlamentares deveriam exigir - além dos estudos de impacto
financeiro a médio e longo prazo dos investimentos em obras públicas de
muito grande dimensão - os estudos que justificam as opções políticas
da nova reorganização judiciária e da pretérita reforma da acção
executiva».
A entrevista televisionada da Dra. Maria Manuela Dias Ferreira Leite, esta noite, fez-me recordar uma prestação de contas devida por sucessivos Governos: quando
é que os autores da reforma da acção executiva explicam ao país os
impactos extraordinariamente negativos - aliás já esperados ex ante - que as suas opções de política legislativa produziram na economia e na confiança dos agentes económicos?
Uma
parte não negligenciável da actual crise económica deve-se, certamente,
a um dos aspectos mais nefastos da actividade legislativa - e do poder
executivo - do país , que tem consistido no desmantelamento gradual do
sistema judicial, retirando-lhe, em aspectos essenciais, capacidade de
resposta atempada - e, portanto, satisfatória - às exigências da
comunidade.
Numa altura em que os investidores estrangeiros retiram os seus investimentos de Portugal (v.g. a
queda das cotações das acções do PSI20 na bolsa), os investidores
nacionais não actuam no mercado, diminuindo a sua exposição ao risco da
subida das taxas de juro, ninguém
questiona as políticas legislativas do passado recente em matéria de
reforma da justiça e - mais importante - os actuais projectos (ainda
não revelados, porque não se encontram completados) de reorganização
judiciária, cuja exequibilidade ainda não foi, sequer, estudada.
Também aqui deveria ser aplicada a nova doutrina da Dra. Maria Manuela Dias Ferreira Leite e os
grupos parlamentares deveriam exigir - além dos estudos de impacto
financeiro a médio e longo prazo dos investimentos em obras públicas de
muito grande dimensão - os estudos que justificam as opções políticas
da nova reorganização judiciária e da pretérita reforma da acção
executiva.
Arrisco
mesmo afirmar que a (falta de) resposta só será surpreendente para
alguns, certamente mais distraídos... ou comprometidos...
Para considerar:
Os
custos de uma Justiça estrangulada pelo poder legislativo e executivo
repercutem-se na economia real e no bem-estar social dos portugueses de
um modo que o actual estado da economia e da sociedade já não podem
suportar.
DR. JORGE LANGWEG | BLOG DE INFORMAÇÃO | 01.07.2008
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