O vídeo ontem divulgado (disponível em
[
videos.sapo.pt]) é um retrato dramático da
situação a que chegou o Ensino entre nós. Numa escola do Porto, uma
professora é agredida em plena sala de aula, agarrada, empurrada e
perseguida por uma aluna a quem tirara o telemóvel, no meio de gritos e
palmas do resto da turma. Impotente, a professora tenta, em vão,
dirigir-se à porta para sair, acossada por um magote de adolescentes
que a puxam violentamente, enquanto, em "off", uma voz exulta: "Sai da
frente, ó gorda!", "Altamente" "Ela vai cair!".
Sabe-se (só o
Ministério o ignora) que muitas escolas são hoje um campo de batalha
onde ninguém está a salvo, e que ser professor ou aluno deveria dar
direito a pagamento de subsídio de risco. Basta compulsar o número de
docentes, funcionários e alunos que todos os anos recebem assistência
hospitalar.
A permanente campanha de desprestígio e desautorização dos
professores promovida pelo actual Ministério tornou-os o elo mais
frágil e desrespeitado da cadeia educativa. O resultado está à vista.
Seria interessante ver como (com que leis ou com que Estatuto do Aluno
ou da Carreira Docente) reagiriam a ministra e os seus secretários de
Estado na situação da professora da Escola Carolina Michaëlis.
MANUEL O. PINA | JORNAL DE NOTÍCIAS | 21.03.2008