header image
Início seta Artigos de Opinião seta Sinais do tempo que corre
Sinais do tempo que corre criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
21-Fev-2008
Não sei se a Justiça hoje estará ou não melhor do que ontem, porque para poder pronunciar-me sobre tal teria de ter em conta factores múltiplos que não dominarei.  No entanto, não creio que isso seja o mais relevante.  O que importará, isso sim, como noutros domínios da nossa vivência colectiva, é o sermos capazes de preservar o que ela tenha de bom e melhorar/corrigir o que se mostrar como menos bom ou mesmo mau.

O progresso civilizacional opera-se sem autocontemplações de que a perfeição terá sido alcançada, nem pessimismos que nos inibam de corrigir e inovar.

Todavia, quando hoje em dia se discute a Justiça que temos ou deixamos de ter, o modo e as circunstâncias em que tal discussão, por vezes, tem lugar, leva-nos a questionar se os respectivos intervenientes estarão, verdadeiramente, empenhados na dignificação da mesma ou, ao invés, apenas serão movidos por guerras pessoais, procura de afirmação de «poder» dentro dela, exibição de egozinhos vaidosos ou utilizando-a como trampolim de interesses não menos pessoais ou de grupos restritos.

Mas, bem vistas as coisas, a Justiça não será neutra e, ainda que aparecendo, aparentemente, acima dos conflitos sociais e reguladora dos mesmos, reflectirá, em última instância, a dinâmica de tais conflitos e correlação de forças em presença.

E, assim, talvez o modo e as circunstâncias em que o debate à volta dela possa ocorrer, ultrapassando os personagens em si que nele intervêm, seja, apenas, o reflexo das clivagens cada vez mais acentuadas que se vão registando na nosso tecido social, de enriquecimento chocante/duvidosa origem de uns, em contraste com o empobrecimento acentuado de outros e onde, nomeadamente, uma classe média cada vez o menos é.
 
LUÍS GANHÃO | ADVOGADO | JORNAL «REGIÃO SUL» | 19.02.2008 
Comentarios (4)add
... : jurista portugues
Se está melhor?!
Posso garantir-lhe... que está muito pior.
E está pior, pois a avalanche de processos nem dá tempo para o decisor pensar na melhor decisão.
Está pior, pois os intervenientes; os operadores judiciários, normalmente, não têm a mesma experiência; cuidado e saber, que tinham.
Está pior, porque as leis são mal feitas; mudam demasiado depressa, não são gerais, e legisla-se para as situações politicas concretas.
Está pior, porque os governantes do sector, são péssimos..
Está pior, porque as testemunhas não receiam praticar falso testemunho.
Está pior, porque o País é uma pseudo democracia, sem respeito pela Lei; garante da igualdade e da fraternidade.

Está pior, porque existem por aí, vendedores de promessas de um futuro melhor, que vivem da politica mesquinha e teatral, que no presente, não implementa um mundo culto, respeitador, de paz e desenvolvimento.
Está pior, porque é pior e porque alguns governos e politicos, querem que esteja pior.
É que.....quanto pior......melhor!

21.Fevereiro.2008
... : Alberto Ruço
O que acontece num país, desde a justiça à saúde, ao ensino, à governação, é o resultado da actuação concreta das pessoas desse país.
Se, na Europa, Portugal é dos últimos em tudo, excepção feita ao futebol, porque razão havíamos de ser melhores na área da justiça ?

Se as pessoas no seu dia a dia não cumprem os deveres, nem os compromissos assumidos, compram com dinheiro que não têm, claro que chovem processos em tribunal.
Se as pessoas no exercício de actividades perigosas ( actividades laborais, industriais, trânsito, etc) não adoptam comportamento que diminuem os riscos (porquê estacionar antes de uma passadeira, tapando a visibilidade dos peões a outros condutores, se se pode estacionar para além dela ?), caem processos em tribunal.
Se as pessoas cometem crimes, há processos em tribunal.
E todos os anos os nossos cidadãos debitam mais ou menos 800 000 processos colocando, actualmente, 1500 juízes a fazer a sua justiça ( e já foram bem menos).
A tendência é para piorar, porque hoje em dia há menor eficiência.
Os processos são mais difíceis de fazer progredir; tudo é mais pastoso; dão-se dois passos em frente e um atrás; nada está completo; falta sempre algo; há sempre um documento para juntar ao processo; uma pergunta para fazer; uma testemunha para ouvi; um facto para alegar; um erro para remediar; algo que afinal falta.
Um horror.
Ensino adequado; profissionalismo a sério em toda a sociedade e cooperação é o que necessitamos.

Depois, os maldosos ou meros ignorantes apregoam aos quatro ventos a crise da justiça para responsabilizar os juízes, magistrados do Ministério Público e funcionários judiciais pela crise.
Outro horror.


21.Fevereiro.2008
... : Um advogado
O respeito pela Lei, garante da igualdade e da fraternidade, MAS TAMBÉM DA LIBERDADE, é às magistraturas que compete impô-lo!
22.Fevereiro.2008
... : Zé Povinho
Caro Alberto Ruço:
Quando são os próprios Juizes a denunciar o «contolo político» que sobre eles querem exercer, quando a denúncia de corrupção e da necessidade de ser perseguida, devidamente, pela Justiça, feita pelo actual Bastonário da OA, tanta «raiva» levantou em certos sectores de «colarinho branco» da nossa sociedade, etc, de que «problemas» da Justiça se estará, exactamente, a falar? Resumir-se-ão eles aos factos, certamente, pertinentes por si evocados ou vão, também, além desses mesmos factos, reflectindo os diversos interesses em confronto no seio da nossa sociedade?
22.Fevereiro.2008
Escreva o seu Comentario

Este post foi bloqueado. Impossivel adicionar comentarios.


busy
 
< Item anterior   Item seguinte >
Sondagem