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A revolta das pessoas criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
13-Mar-2008
Receia-se que a revolta dos professores, mais do que fruto de uma oposição às medidas governamentais para o sector do ensino, seja já uma expressão, entre outras (como a revolta das respectivas populações face ao fecho de serviços de saúde), dum mal-estar mais profundo que atravessará a nossa sociedade, como, pós 25 de Abril, porventura, jamais se terá observado.

O indicador de desigualdade social no nosso país é de 7,9, quando a média europeia é de 4,7; enquanto se pede sacrifícios aos sacrificados de sempre, o desemprego e o trabalho precário grassam e uma classe média cada vez menos o é, há quem, no lado oposto, especuladores bolsistas e imobiliários, administradores e gestores de bancos e grandes empresas (onde ex-governantes tomam, entretanto, assento), ganhe num só mês os que os demais levam anos a auferirem.

Para os primeiros impõe-se o cutelo do «poder governativo», para os segundos alivia-se a consciência com o «mercado»!

A pretexto da racionalização do Estado, mas tantas vezes servindo interesses privados, numa lógica de privatizar tudo quanto nele possa dar lucro e «socializando» o que dê prejuízo, vimos magistrados, professores e funcionários públicos em geral serem lançados pela classe política governante na praça pública e nesta serem vexados a título de grupos pretensamente cheios de escandalosas mordomias, ociosos (a), etc., como se os parâmetros organizacionais em que se movessem e os ditos privilégios possuídos fossem, até, da sua responsabilidade e não fruto de diversas políticas governativas.

A «maioria parlamentar» deu origem à «sobranceria governativa» e as pessoas deixaram de ser tratadas como tal, para serem reduzidas a números estatísticos e orçamentais.

Ora, dado que não haverá, como alguém escreveu, «racionalidade» sem «emoção», que, para o caso, o mesmo é dizer, sem levar em conta as «pessoas», o Governo estará a colher agora, nas revoltas que vão rebentando um pouco por todo o lado, aquilo que semeou.

Só não vê, quem estiver cego pelo exercício/vaidade do Poder pelo Poder!

(a) Quando a Ministra da Educação, numa entrevista concedida a um canal televisivo logo após a manifestação que trouxe para a rua cerca de 100 000 professores, disse «até reconhecer a insatisfação dos mesmos por lhes ser pedido mais trabalho e mais esforço», não estará, cinicamente, a passar para a opinião pública a ideia de que os professores, afinal, só protestam por serem malandros, pouco amigos de trabalhar?

LUÍS GANHÃO - ADVOGADO | JORNAL REGIÃO SUL | 12.03.2008
Comentarios (6)add
... : Alberto Ruço
As pessoas revoltam-se quando se sentem desiludidas e pisadas.

Quem manda tem de mostrar que é melhor do que os outros, caso contrário emocionalmente forma-se um sentimento de rejeição.

Os que mandam em Portugal ( não me refiro só aos políticos, mas a todos os que aparecem nos meio de comunicação a representaro país ) o q


13.Março.2008
... : Barracuda
Em tempos recuados e missão País fora dei com um dos perguntados a discorrer com frontalidade e saber que resulta do estudo, claro, mas essencialmente de apurada meditação e sentido crítico. Viviamos tempos de incertezas, de arbitrariedades e de medo. A rua fervilhava de manifs de todas as cores e movidas por cordelinhos de horizontes antagónicos. Como segundo os hipócritas da praça estávamos em guerra fria todos os valores podiam ser adaptados aos interesses que se digladiavam.Em guerra fria tudo á permitido. Não pude deixar de fazer um pequeno comentário: aqui, em pleno interior do País, fui encontrar o mais profundo e frontal pensador, seguro de si e sem medo do que se estava a passar. Respondeu-me que só tinha medo se concluisse que o Povo deixaria morrer Portugal e seus valores. Não era o caso. Quanto ao mais, a distância que o separava da capital permitia-lhe reflectir, coisa que nela não se estava a fazer. Ao ver o que se tem vindo a fazer ao nosso País por dentro, rompendo todos os laços que unem o nosso colectivo, atomizando cada um de nós na tentativa vã de escapar se não mexer, desbaratando o que era de todos e o que tem vindo do exterior, permitindo que quem delapidou o que era de todos possa gozar impunemente os benefícios a sua traição ao colectivo, deixando o País sem defesa perante políticas de interesses alheios, a quem o vendem sem estado de alma, os nossos governantes, a todos os níveis e não só de agora, podem dizer que rumam ao sul mesmo que estejam claramente a rumar para o Norte. Podem transformar o País num cesto do lixo de actividades poluentes e estranhas aos nossos interesses. Eles abem que, para além do alarido dos cães (nós a seu ver) a caravana acaba sempre por passar. Tal como o autor do texto comentado, penso que a manifestação dos professores se n esgota neles nem se deve à questão de meros interesses corporativos. Recordo o movimento de rebelião que em 1974 derrubou o regime em campo. Se se tratasse apenas de interesses corporativos dos soldados que se rebelaram, o 25 de Abril morreria à nascença. Havia mais: o País estava doente pela cegueira dos políticos de então. Penso que estamos agora ainda mais doentes da mesma cegueira dos nossos de hoje e de ontem,mas bem mais enfraquecidos. Na altura tínhamos reservas em ouro e outras estratégicas, tínhamos a possibilidade de conduzir a nossa vida segundo as nossas necessidades e possibilidades. Agora não temos nem reservas nem outros haveres. Tudo foi delapidado e não me espanto se amanhã o Terreiro do Paço for um hotel de 5 estrelas de uma qualquer cadeia influente e os serviços públicos de abalada para um mammarracho de 580 andares, o maior, cujo primeiro bloco o nosso PM irá orgulhosamente fazer que coloca no seu sítio. Pouco me importa o que os notáveis dos palcos da TV e outros troem, o que me importa é que em terrenos agrícolas férteis se espalhe betão, importa que se destruam as potencialidades da nossa indústria, da nossa agricultura e até do nosso comércio, pelo importação de empresas alheias, que o País interior estiole, que as nossas gentes foram arrebanhadas para construir um processo especulativo imobiliário através de políticas de crédito desastroso para a economia nacional que é hoje e sê-lo-à durante anos um flagelo para as famílias que crendo ter comprado uma casa se agrilhoarem aos bancos e aos locais onde se deixaram enganar. Hoje, com a precaridade do vínculo laboral sempre a pesar nos seus projectos, com a quase impossibilidade de partir para outras paragens à procura de trabalho já que têm a casinha a que estão acorrentados e de que não podem desfazer-se facilmente, com a instabilidade dos laços familiares que não resistem às tensões, o povo português tem necessariamente que estar deprimido e revoltado. É isso o que vejo e me importa. Mas o pior está para vir. Ainda que os nossos Professores Doutores garantissem que a crise mundial no sector financeiro, não afectaria significativamente o nosso sistema bancário, como ainda há pouco um dizia, a verdade é outra. Começam a mormurá-lo uns e outros. Não tendo fundos próprios para cobrir os impréstimos não honrados pelos devedores que continuarão a aumentar, nem podendo reaver na venda dos imóveis a liquidez suficiente, terão de estender mais uma vez a mão aos grandes emprestadores e pouco a pouco ir cedendo partes de capital até não terem nada ou quase de portugueses. Pode alguem dizer: tanto faz. Não é assim a meu ver. Andar de bandeja na mão a servir turista não justifica o choque tecnológico do Senhor PM e é altamente aleatório como meio de sobrevivência nacional. Que fazer? Uma coisa eu alvitro: procure-se quem ontem e hoje nos conduziu a este atoleiro, julgue-se pela lei e pelas suas promessas que os conduziram ao poder e que sejam banidos de direitos políticos até ao fim dos seus dias. Só assim estaríamos seguros de que não voltariam e ganharímos a dignidade da cidadania que se faz respeitar. Tarda que os descontentes se façam ouvir para salvar Portugal, mais que os interesses corporativos de grupo profissional. .
13.Março.2008
... : cgf
Cá neste rectângulo, meus amigos, bastará uma faísca no momento certo e isto, como se diz na minha terra, vai dar molho.
O protesto dos professores já não é um protesto só deles, mas também de toda a sociedade que lança um grito desesperado para que as coisas mudem urgentmente, como se isso fosse possível.
13.Março.2008
... : horacio
Mas então porque é que o Governo de Sócrates continua à frente em todas as sondagens? É que os eleitores não são 100.000, são 7 milhões! É preciso contar com os restantes 6.900.000!
14.Março.2008
... : Mário Rama da Silva
Caro Horácio
O governo continua à frente nas sondagens por duas razões muito simples:
- uma é porque se trata, e só, de sondagens;
- a outra é a que o próprio Luiz Filipe Menezes afirmou, com muitas críticas dos seus próprios correligionários: o PSD não está em condições de ser governo.
Mas talvez seja bom pensar que se uma classe pouco dada a manifestações reúne numa manif 2/3 dos que a integram, provavelmente o descontentamento dos 6.900.000 eleitores restantes existirá em proporção muito aproximada e nada têm a ver já com a maioria que votou em Sócrates no ressalto de Santana Lopes, armadilhado por Jorge Sampaio.
Se o PR entendesse o actual desfasamento entre a maioria parlamentar e os eleitores dissolvia a AR e convocava eleições.
Pessoalmente creio que não seria o melhor caminho só por uma razão: é que Sócrates, neste momento, ganharia as eleições com maioria relativa e recusaria governar preso à arreata pela oposição coisa de que não seria capaz. O homem não tem humildade para isso e só sabe governar autoritariamente pelo que entraríamos numa crise política de difícil solução.
A solução é deixar ir agravando a crise social até que ele rebente como um balão inchado.
15.Março.2008
... : jesuah

...sou um anticristo ...
o problema do país é devido a um erro da história.
o grave erro de 1640. a restauração nunca deveria ....
Estamos mal. é claro k estamos.
e qual é a alternativa ?
o psd? o be? o pcp? ou cds?

com o devido respeito pelos militantes socialistas e s. democratas
acha-se k são partidos irmãos.
são filhos da mesma mãe ... mas, não do mesmo pai.....

Pois ...entre sócrates e zapatero opino por este..
entre meneses e o " rojão " prefiro este ...

este bloco centralão
desgraça a paciência dos crentes
...os k acreditam no ps e psd

o fosso entre pensionistas e reformados é preocupante
parece haver pessoas de1ª e 2ª e 3ª

pois, a vaca já não é nossa
é do centralão ( ps e psd )

oh! 1640....
15.Março.2008
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