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Por vezes tem-se dificuldade em lidar com a «idade», em aceitar que
a vida tem um principio e um fim, que houve um Tempo que, inexoravelmente,
passou e essa dificuldade tornar-se-á, ainda, mais difícil de superar
quando acompanhada do sentimento frustrante de que coisas houve que
se poderia ter sido/vivido e não se foi/viveu, tantas vezes mais por
culpa/inércia própria, do que por causa dos outros ou de falta de
sorte na vida.
E nesses momentos de confronto com a «idade», ocorram eles mais cedo
ou mais tarde, nesta ou naquela circunstância, em vez de se ter a única
atitude sensata de se cantar com Sérgio Godinho «hoje é o primeiro
dia do resto da minha vida» e viver-se em conformidade, mergulha-se
num exercício de nostalgia do passado e de exorcismo/vingança da «idade»
que curvará, em que tudo nesse passado terá passado a ser bom, mesmo
que na altura, assim, não tivesse sido sentido, ao contrário do presente.
Talvez isso explique, pelo menos, em parte, o «alarido» que a recusa
de uma adolescente em se ver despojada do seu telemóvel por parte da
professora provocou.
Ontem haveria respeito pelos professores, autoridade, etc., era-se outra
juventude, com valores, mais sadia… hoje não será assim, «rasca»,
violenta…
Tal como já no tempo dos Beatles outros mais «velhos» que os «velhos»
que, entretanto, passaram a ser, acusavam estes, por usarem cabelos
compridos, de «maricas», em oposição aos «homens» que eles teriam
sido!
DR. LUÍS GANHÃO | ADVOGADO
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