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19-Mar-2008
Sou capaz de apreciar um quadro em que o respectivo autor, por exemplo, conseguiu captar uma paisagem ou a expressão de alguém como se fosse uma máquina fotográfica, tipo «Mona Lisa», de Leonardo da Vinci ou, ainda, uma escultura reproduzindo tal e qual uma pessoa, como se a mesma tivesse vida, como «David», de Michelangelo.Mas outras manifestações há classificadas como artísticas, nomeadamente, no domínio da chamada arte moderna/contemporânea, em que, humildemente, confesso, não consigo apreender a beleza de que se diz serem possuídas, por mais que me esforce por o conseguir, observando-as de perto, de longe, de lado, de esguelha, em bicos de pé, de cócoras, com o estômago vazio, acabado de comer, ou, ainda, de cabeça para baixo, fazendo o pino!

Certamente, falta de sensibilidade e cultura minhas para as poder assimilar e apreciar enquanto tal, à semelhança do que acontece com o vinho, em que, por mais que o faça rodar no copo, observe a contraluz, cheire e prove, como vejo fazer aos considerados entendidos na matéria, a tal «cor bem fechada, o nariz a revelar aromas de grande intensidade, fruto vermelho com notas de compota, ligeira baunilha e notas de madeira, com boca bem redonda, sem arestas, fresca e cheia, excelente volume, a conferir um longo e persistente final de boca», é que nada! No fim, fico-me por uma pouco conseguida distinção entre um tinto, um branco e um rosé!

Mas, em tais momentos de frustração sentida, o que, ainda, me causa algum conforto ao ego, é relembrar um documentário visto na televisão algum tempo atrás, em que um grupo de cientistas teve a ideia de pôr um chimpanzé com um pincel e umas latas de tinta frente a uma tela e, depois de este a ter «borrado», pegaram nela e levaram-na para uma galeria de arte moderna, onde, anonimamente, a colocaram entre outras de autores tidos como consagrados.

Uma vez aí colocada, pediram, por sua vez, a uma não menos tida como conceituada crítica do referido tipo de arte, para, sobre a mesma, dar a sua avalizada opinião.

Então não é que a senhora crítica viu na «borrada» do chimpanzé a mão de alguém, artisticamente, muito promissor?!

Entretanto, como apanhei o dito documentário já a meio, fiquei, apenas, sem saber qual tinha sido a finalidade do teste levado a cabo pelos cientistas, se tentar provar a capacidade artística do chimpanzé ou a hereditariedade da senhora crítica em relação ao mesmo.
 
LUÍS GANHÃO | ADVOGADO | JORNAL REGIÃO SUL | 18.03.2008 
Comentarios (7)add
... : BD
E aquela dos chouriços pendurados numa corda como se estivessem num fumeiro e que espantou Lisboa como se fosse uma obra-prima? Ou a dos tijolos uns em cima dos outros formando um muro, coisa que era cá duma imaginação!... e valia milhões! Ou a dos sapatos de salto alto na calçada, oh, nunca se fez nada assim, que emoção!
Caro Dr. Luís Ganhão, concordo inteiramente com a sua tese de que um chimpanzé nunca pode fazer arte, pois se a arte obedece à lógica, à geometria e à matemática, às suas regras precisas onde cabe a imaginação, o som, o sentido, etc., como é que a arte podia 'acontecer' (para usar a expressão de J. L. Borges) num macaco? Por outro lado, críticos como a senhora crítica consagrada que menciona no seu texto e que considerou o macaco um artista promissor há infelizmente muitos por aí e nos mais diversos lugares.
20.Março.2008
... : Iuris : http://iuris
Mas a "melhor "obra de arte foi aquela que esteve exposta no Museu de serralves, nada mais nada menos do que fotografias GIGANTES do Anús. O Maior artista foi sem dúvida quem autorizou a sua exposição. voilá...
20.Março.2008
... : andre mouzinho
Se o pollock no seu drifting (verter) com as latas de tinta e ao se deitar a pintar ao pé da obra para estar mais perto dela ainda tinhamos alguma originalidade, não consigo ver nada de positivo no expressionismo alemão que deu origem ao abstracionismo puro.. A partir daí a pintura tornou-se um acto egoísta e intimista pois só quem a concebeu sabe explicar o que está por tráz dela se é que está alguma coisa...E os críticos veem com as suas pseudo interpretações que depois ao questionarmos os artistas nada teem de analogo com as suas intenções e estados de espírito..Aqui também o jogo dos lobbies está presente nas galerias de arte, nos criticos, nos pseudomecenas ignorantes etc etc..
Quando vejo uma pintura com um quadrado em amarelo sobre um fundo azul acho que só um pitágoras ali veria algo de interessante ou alguem que ali descortinasse um projecto minimalista de uma marina no meio da àgua com os raios do sol que estão ocultos a iluminarem a dita marina.. Querem ver que tambem ao imaginar esta obra ganho tanto sucesso como o meu amigo símio???
20.Março.2008
... : armando
É fácil , deve ver-se estas pinturas dos novos autores e grandiosos artistas, com óculos de tela verde, pois a palha parece um campo verdejante, expressão do artista que transmitiu para a tela aquilo que não viu, mas que os outros artistas e comentadores apreciadores de arte viram, um analgésico tipo de pirueta redondo, com o fundo amarelo fica verde ou côr de burro, para os melhores criticos de arte.
Gosto de arte, adoro até, mas a verdade é que há coisas que não se entendem nos criticos de arte, esta coisa de egoista e intimista, não consigo vislumbrar o alcance da aplicação destas palavras em apreciação de a exemplo de uma tela pintada a óleo ou aguarelas, que não expressa nada, e se de nada existe que não seja o elemento do próprio autor que tentou, pelo menos revelar a sua forma de arte/contemporânea, não se pode enxergar o egoismo ou intimismo pela mesma via do critico, em que apenas ficaria a imperfeição patente e de desagrado dos apreciadores. Nada de mais , cumplicidade, parabéns BD
21.Março.2008
... : anónimo
Dá um bocadinho que pensar, não dá? senão vejam:


Aquela poderia ser mais uma manhã como outra qualquer. Um sujeito
entra na estação
do metro, vestindo jeans, camiseta e boné, encosta-se próximo à
entrada,
tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão
que
passa por ali, na hora de ponta matinal. Durante os 45 minutos em que
tocou,
foi praticamente ignorado pelos passantes.

Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores
violinistas do mundo,
executando peças musicais consagradas, num instrumento raríssimo, um
Stradivarius
de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares.

Alguns dias antes Bell tinha tocado no Symphony Hall de Boston, onde
os
melhores lugares custam a bagatela de 1000 dólares.

A experiência, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar
ligeiro,copo
de café na mão, telemovel no ouvido, crachá balançando no
pescoço,indiferentes
ao som do violino. A iniciativa realizada pelo jornal The Washington
Post
era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte.

A conclusão: estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão
num contexto.
Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefato de luxo sem etiqueta
de
marca.

o video da experiência :



21.Março.2008
... : anónimo
PS:HYPERLINK "http://www.youtube.com/watch?v=hnOPu0_YWhw"


21.Março.2008
... : sempre na mesma
Reiventar a pintura como fez Picasso,Braque e Miró ou Andre Breton, Dali, ou Magrite, o movimento dádá com por ex o Marx Ernst, a Pop Art , o hiper realismo de Hooper, o Paul Klee, o Klimt, Modigliani, a pintura mural do Diego Rivera muitas vezes de conteúdo político, o drifting do Pollock, entre outros, marcaram com originalidade a historia da arte moderna.Agora como já se comentou, o expressionismo alemão e companhias limitadas de abstração pura não são arte mas meras alienações colectivas de quem pinta e de quem aplaude (ou de quem é pago para o fazer). Ou então tornou-se em um jogo de simbologia abstracta da mente para tentar entrar (pois é inacessivel) no subconsciente de quem fez a obra.Aliás esse é um dos objectivos: pintar o subconsciente de forma abstracta. Mas que impressão poderá isso causar no espectador? Náuseas, Arrepios, Enxaquecas? Neste momento o uso ou combinação de novas matérias primas e tecnologias como forma de arte são o presente mas haja originalidade e não façam de nós alienados mentais...
22.Março.2008
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