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25 de Abril por realizar (menos para alguns) criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
23-Abr-2008
POR LUÍS GANHÃO (*).
Segundo os últimos dados fornecidos pelo INE, entre 2000 e 2006, o fosso entre as famílias mais ricas e as mais pobres aumentou, sendo que os agregados familiares 10% mais ricos tinham um rendimento que representava 8,9 vezes o auferido pela fatia mais pobre, diferença que subia para quase 11 vezes ao tomar-se em conta, apenas, os rendimentos monetários. De acordo com o mesmo INE, os preços no consumidor subiram 3,1% em Março, face ao mesmo mês do ano passado, enquanto a inflação média anual pulou para 2,6%, já muito acima da meta de 2,1% que o Governo usou para negociar os salários da Função Pública. Os maiores agravamentos dão-se na cesta base da alimentação, prejudicando, sobretudo, as classes mais desfavorecidas, onde o peso dos alimentos no rendimento mensal é mais elevado.

Entre Agosto de 2007 e Fevereiro de 2008, encerraram/faliram 12 830 empresas.

Por sua vez, entre 2004 e o presente, o número de portugueses a residir em Espanha quase duplicou, tendo passado dos 55 mil para os 100 mil.

O número de desempregados ronda os 500.000 (não falando, claro está, em todos os outros – cada vez mais - com contratos a prazo ou trabalhando a mero «recibo verde», isto é, sem prazo sequer).

Estima-se em cerca de 300 000 os portugueses que vivem abaixo do limiar da pobreza.

Os beneficiários do Rendimento Social de Inserção aumentaram cerca de 10 por cento entre 2006 e o ano passado.

As famílias sobreendividadas, ou seja, as que já recorrem ao crédito para pagar outros créditos antes contraídos, têm, igualmente, vindo a aumentar, só não sendo mais visível este fenómeno, ao que dizem os estudiosos da matéria, pela «vergonha sentida» por muitas delas em pedir auxílio, só o fazendo já em completo desespero de causa (a).

Como se já não bastasse, até um dos símbolos nacionais, o «garanhão lusitano», estará a ser posto em causa, por suspeita de um criador ter utilizado em reprodução um cavalo português de raça cruzada!

Tudo isto, antes das ondas de choque da crise financeira nascida nos EUA nos baterem à porta, o que, segundo alguns analistas, estará para breve, se é que as primeiras não começaram a bater já!

Ah! Mas folguemos, uma vez que metade das empresas cotadas no PSI-20 são geridas por ex-governantes que nos apertaram o cinto, enquanto eles agora os seus afrouxam largamente, por via dos chorudos vencimentos que passaram a auferir, com direito suplementar a carro, motorista e cartão de crédito!

O seu «mérito» governativo, a sua «republicana» entrega à causa «pública» teria, obviamente, mais tarde ou mais cedo, de ser reconhecida/compensada, só os «invejosos» e «populistas» isso não compreendendo e achando anormal que alguém, até, ligue para o pai ou amigo comendador a dar a notícia «Já sou Ministro!», quando Ministro seja nomeado!

(a) Normalmente, assiste-se, socialmente, a uma classe alta, uma média e outra baixa. Em Portugal, onde se instituiu um modelo económico original, traduzido na procura da privatização de tudo quanto possa dar lucro e na socialização, através, de subsídios, das dificuldades/prejuízos que se possam ter, os extractos sociais também teriam de reflectir essa originalidade e, assim, a classe «média» vai dando cada vez mais lugar à dos «sobreendividados», ou seja, aqueles a quem se acena com o mundo dos ricos a «prestações», pagando juros aos verdadeiramente ricos para estes ricos continuarem a ser, mas correndo, ao invés, o risco de virem a cair na classe baixa!

(b) Um ex-governante de obras públicas e destacado político do partido político actualmente no Governo, por uma empresa, que a obras públicas concorre, acaba de ser contratado para a respectiva Administração. No dia em que a contratação em causa foi anunciada, as acções da dita empresa subiram de imediato de cotação no mercado bolsista. Como será fácil de presumir, o dito mercado reagiu pela positiva atendendo aos méritos, estritamente, «técnicos» da aludida aquisição!

PS - «ORDINARIAMENTE todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o ESTADISTA. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política do acaso, política do compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?» - Eça de Queiroz, 1867, in «O distrito de Évora».

* Advogado/Jornal «Região Sul», 2008-04-23
Comentarios (7)add
... : Barracuda
Caro e Ex.mo Dr, Ganhão,

N posso deixar de lhe dar razão. Do meu ponto de vista Portugal já n existe e o povo que o habita está embrutecido. Por razões várias, algumas das quais são de sempre, como a bola, outras porque assim foi programado. Por quem em concreto é difícil de dizer mas todos os que passaram pelo poder político (não o Zé dito soberano) são responsáveis e oxalá venham a pagar por isso. Umas vezes por iniciativa e outras por n se terem oposto a projectos alheios. O projecto de uma ditadura mundial vem de longe e a queda da URSS permitiu que os submarinos fossem substituídos por navios de guerra de superfície sem medo de serem atacados. A mundialização dos capitais, a destruição dos sistemas nacionais de segurança social retir
ando dele as contribuições que são canalizadoas para Fundos de pensões que por sua vez alimentam fundos de investimento que controlam massas monetárias a que nehum país por si pode fazer frente ou domesticar permitem fazer e desfazer à sua guisa. Quando a isso se soma a nível nacional a deliberada degradação do ensino por forma a que a nossa juventude acabe por obter diplomas universitários sem terem bases no ensino secundário, cria-se o caldo de que politicos mais ou menos corruptos podem abusar e manipular a seu bel-prazer. Portugal é hoje um sítio e tudo o que acontecer não produzirá nada de concreto que possa contribuir para que os responsáveis possam ter o mínimo receio. Ao ouvir o nosso noticiário, entrevistas com os mais cotados, o discurso político dos que lá estão e dos que querem ir para lá sinto vómitos. Sei que iremos de mal a pior e sinto que não posso fazer nada porque o povo está embrutecido e se a fome apertar vai para fora do País, buscando tanto uma oportunidade de vida melhor como e a mais das vezes escapando-se para o anonimato da estranja onde faz e suporta tudo o que teria vergonha de fazer ou suportar aí. Acresce que, de tempos a tempos, uns senhores vão ao estranjeiro, dizem-lhes umas quantas banalidades que nem sequer são verdadeiras a respeito dos seus méritos e da apreciação em que os países de acolhimento os têm e voltam na esperança de que a lágrima da saudade leve mais uns milhões para o forrobodó dos que mandam no País. Tenho-o dito várias vezes e estou seguro do que digo: dado o passado e atento a ignorância e embrutecimento das nossas gentes a procissão só ainda vai no adro. Os mais velhos, para além de poderem fazer comparações e ajuizarem do que vai sendo feito para destruir a nossa identidade vão morrer amargurados se se sentirem ainda portugueses.
25.Abril.2008
... : Cap. Spock
é o que faz o centro e a esquerda...!
Governam, segundo dizem para o maior numero (esbanjam...), mas lá vão atrás do guito...Palavras há mtas?!! Claro, só para os tolos...
26.Abril.2008
... : O jurista aprendiz
Quantas saudades do salazarismo revelam os 3 textos anteriores! Mas com quem continua a pensar assim depois de 34 anos não vale a pena discutir.
26.Abril.2008
... : Calvin
O «Circo» em que a direita está tranformada, só para criancinhas como eu!!!
26.Abril.2008
... : Barracuda
Jurista aprendiz,

Estou convencido de que nem uma coisa nem outra. Quanto a carimbos ponho-os onde quiser no seu cérebro se tiver lugar. Se lucra com a situação actual bom proveito, mas cuidado com as indigestões. Quanto a discutir, pelo q me toca, n o considero à altura.
28.Abril.2008
... : Jurista aprendiz
Barracuda:

Não sei o que quer dizer com essa dos "carimbos", a menos que V. seja dos que ganham a vida a carimbar papéis. Com a situação actual não lucro nada, como nunca lucrei com situação nenhuma; sempre ganhei honestamente a minha vida com o meu trabalho, independentemente das situações, ou apesar das situações, ou, sobretudo, na maior parte dos casos, CONTRA as situações, isto desde antes do 25 de Abril, com o qual nunca lucrei um tostão que fosse, mas "lucrei" a liberdade, coisa que para si parece não ter valor nenhum.
Quanto a não me considerar à altura de discutir consigo..."presunção e água benta cada qual toma a que quer". Parece-me que o Sr. exagera no consumo de ambas essas coisas. Cuidado com as indigestôes!

01.Maio.2008
... : Barracuda
Sempre me perguntei a razão pela qual tanto se fala em liberdade como se fosse um conceito unívoco. No Iraque e no Afeganistão há combatentes da liberdade. Lançam-na do ar, embrulhando toneladas de bombas que só matam terroristas. Essa liberdade não consumo. Por isso falar de liberdade, sem mais, tal como falar em esquerda, tudo não passa de cestos vazios onde cada um mete o que lhe interessa. O nosso Governo e sua maioria apelida-se socialista. Já tivemos sociais democratas aos comandos. Etiquetas diversas para o mesmo conteúdo: encher os bolsos dos mesmos e viver à custa do trabalho dos mesmos. Dizer que o 25 de Abril nos deu a liberdade e contenbtar-se com essa afirmação significa nada de concreto. Será liberdade não ter trabalho ou trabalhar por um salário de 500 ou mesmo 700 euros? Será liberdade aguardar anos por uma intervenção cirúrgica, ver os serviços essenciais cada vez mais distantes, ver o contrato de trabalho reduzido a uma relação precária ou mesmo dissimulado em mera prestaçaão de serviços? Será liberdade acabar um curso superior e receber ofertas de trabalho por um euro por hora? Será liberdade ter medo de andar na estrada, na rua, em todo o lado já que se algo acontece nada funciona correctamente? Quando vou a um restaurante modesto, os únicos que frequento de tempos a tempos, e saio de lá com 25 euros gastos penso nos que têem de viver com 500 euros, mais que o salário mínimo, por mês. Terão a minha liberdade de ir de vez em quando gastar 25 num restaurante? Penso que não. Quando penso que há ex governantes que ocupam cargos em empresas públicas e ou privadas e aí ganham 60 salários mínimos além de outras prebendas penso que a liberdade que o 25 de Abril lhes trouxe ou consente não tem a dimensão da minha. Esperava outra liberdade. É certo que posso ir votar e escrever ou dizer o que não me era consentido em 1974 mas ocorre perguntar se seria hoje possível que o salazarismo e o caetanismo sobrevivessem na Europa que conhecemos e não nos deve nada politicamente. Essa liberdade, ainda que essencial para a dignidade cidadã, não basta e não foi só essa que o 25 de nos prometeu e ficou plasmada na Constituição da República de 1976 e que ainda hoje se esconde em algumas disposições envergonhadas que resistiram às sucessivas destruições do 25 de Abril. Para mim o 25 de Abril está morto. É um acontecimento histórico, uma data, nada mais. Talvez convenha aos empanturrados com os frutos do 25 de Abril dos anafados. O deles está cheio de euros, de propriedades várias. O da grande maioria dos portugueses está cheio de nada. Se usam o voto de nada lhes serve já que entre o soaial democrata e o socialista caviar venha o diabo e escolha. Eu nunca o fiz nem farei. Não fabrico nem passo moeda falsa. Posto isto se sou de direita ou de esquerda é irrelevante. Pense o aprendiz e outros carimbadores de escritos alheios o que quiserem. É mesmo para esse lado que eu durmo melhor.
08.Maio.2008
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