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Limitar acesso à profissão de advogado criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
10-Dez-2007
ImageO Dr. Marinho e Pinto ganhou a eleição para Bastonário sobretudo por ter anunciado que iria limitar o acesso à Profissão com base em outro critério que não a adequada formação universitária, a comprovada competência tecnicoprofissional e a imersão nos critérios deontológicos da profissão. Conseguiu com isso reunir os descontentes e os que não vêm horizontes profissionais para a profissão que escolheram. Muitos dos seus votantes mobilizaram-se com base num princípio egoísta: eu estou dentro e a minha situação melhora se não entrarem mais concorrentes.

Estamos todos os advogados de acordo quanto ao diagnóstico sobre a situação da profissão. A pedido do Bastonário Pires de Lima fiz, em 1999, um relatório sobre "Saídas Profissionais para Juristas" que definia um conjunto de soluções para ultrapassar ou diminuir o problema. Candidatei-me com um programa que tinha nisso uma das prioridades e concretizámos para isso no mandato que exerci um conjunto de reformas, muitas delas legislativas, que deveriam ser prosseguidas no mandato seguinte.

Estas reformas iriam melhorar substancialmente a situação, é a minha opinião. Realmente, se tivessem sido aproveitadas as potencialidades abertas pelo novo Estatuto, pela nova Lei das Sociedades de Advogados, pela nova Lei da Protecção Jurídica; se tivesse sido desenvolvido o programa das especialidades, se tivesse sido regulamentada a formação contínua obrigatória, se a Ordem tivesse continuado a encarar a Declaração de Bolonha como uma prioridade; se o Conselho Geral da Ordem tivesse alterado tempestivamente o Estatuto e negociasse com o Governo saídas profissionais alternativas para licenciados em Direito ao mesmo tempo que passasse a exigir um mestrado para acesso à nossa profissão; se programas activos de apoio ao associativismo de jovens Advogados ligado ao apoio judiciário e à defesa oficiosa tivessem sido criados, se com a regulamentação da nova Lei dos Actos próprios e exclusivos dos Advogados se criassem novos instrumentos de luta contra a procuradoria ilícita, se isto tivesse sido feito, não tenho dúvidas de que as coisas teriam melhorado muito.

O Dr. Marinho e Pinto - embora continue a dizer depois de eleito que não sabe quantificar - acha que devem entrar na profissão apenas os que sejam necessários e não todos os que tenham mérito. Essa é a solução que propõe para o problema. Quer criar um numerus clausus, ainda que prefira não usar a terminologia. Esta é uma solução ilegal, injusta, contraproducente, perigosa e inexequível.

1. É uma solução ilegal. O Estatuto não o permite e o regime que regula o Direito da Concorrência não o aceita. Se fosse implementada, criaria um caos jurídico e drenaria todos os recursos escassos da Ordem para se defender nas instâncias nacionais e comunitárias contra acções de anulação e contra pesadas multas determinadas pela Comissão Europeia e pela Autoridade da Concorrência.

2. É uma solução injusta. Não é razoável que um Cidadão habilitado para exercer a profissão de Advogado, comparativamente mais qualificado do que muitos que já são Advogados, que tenha vocação para a Profissão, cuja família investiu com dificuldades na sua formação, veja impedido o seu desejo apenas porque a Ordem vai definir para cada ano um número máximo de lugares disponíveis.

3. É uma solução injusta. A menos que os critérios sejam ideológicos ou que o princípio da igualdade não seja respeitado, o "numerus clausus" vai favorecer os mais privilegiados dos estudantes, os que frequentaram as melhores escolas e os que podem ir obter graus ao estrangeiro o que lhes permitirá a prática da profissão em Portugal mesmo contra a vontade do Dr. Marinho e Pinto.

4. É uma solução injusta. Vai destruir aquilo que com toda a razão o Dr. Marinho defende: a advocacia não precisa só de alunos excelentes, de advogados muito brilhantes e supostamente de elite. A selecção dos escassos lugares disponíveis, que só pode ser legalmente feita pelo mérito, irá ser muito mais classista do que alguma vez foi em Portugal o acesso à profissão.

5. É uma solução contraproducente. O excesso de Advogados em Portugal para as necessidades - tal como as coisas estão - é tão elevado que duraria décadas a atingir o ponto de equilíbrio, mesmo que durante muitos anos não fosse autorizada a entrada de nenhum candidato à advocacia. O desgaste que esta medida trará, a hostilidade contra ela das famílias, dos estudantes e das universidades, a perda de goodwill que acarreta, irá inviabilizar os esforços que se fizessem noutras formas de atacar o problema.

6. É uma solução perigosa. A afirmação da vontade de criação de numerus clausus irá provocar com toda a probabilidade três efeitos que são altamente nefastos para a profissão e sobretudo para os mais desfavorecidos dos Advogados, que o Dr. Marinho pretende proteger: o Estado com isso sentir-se-á naturalmente autorizado a criar para o sistema de protecção jurídica um corpo de Defensores Públicos (que sem a reforma do sistema do apoio judiciário, que foi bloqueada neste mandato, prestarão aliás melhor serviço aos Cidadãos), liberalizará para não advogados a prática de actos hoje exclusivos de Advogados e poderá pensar em tornar não obrigatória a inscrição na Ordem dos Advogados para o exercício da profissão, a qual passaria a ser regulada (como em muitos países) por entidades a ela estranhas.

7. É uma solução inexequível. O Dr. Marinho e Pinto ainda não tomou posse e já hostilizou o Governo, a Assembleia da República (e nelas cerca de 20% dos seus membros que são Advogados), parte significativa da profissão (as sociedade de advogados que acusou indiscriminadamente de corrupção entre outros mimos) e as Magistraturas. Não é assim que conseguirá os apoios sem os quais as suas reformas "revolucionárias" nunca passarão.

Mas é claro que, apesar do que disse atrás, pode conseguir levar a água ao seu moinho. E foi por isso que afirmei, e repito, que se o deixarem dará cabo da profissão. Não estou zangado com a Ordem, como levianamente afirmou o Bastonário cessante. Fui ofendido pela Ordem através dos seus legítimos dirigentes nacionais, mas isso é irrelevante para aqui. Amo a minha profissão e os cidadãos que representamos, a quem dediquei toda a minha vida e o melhor de que fui sendo capaz.

Por isso não me calo e continuarei a lutar com todos os meios ao meu dispor para que o Bastonário eleito não consiga concretizar aquilo que 38% dos advogados portugueses que votaram nas eleições lhe disseram para fazer. Nisso ele não pode ter nem sequer o benefício da dúvida.

JOSÉ MIGUEL JÚDICE | DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 10.12.2007
Comentarios (24)add
... : Silva
Júdice será democrata?
10.Dezembro.2007
... : camarada veiga
Infelizmente o Dr. Judice voltou aos tempos do MIRN. Fac. de direito com Santana 1975. Não se cala porque cavalga as mordomias do poder, qualquer que ele seja. E até tem razão, só que está ressabiado. Lamentavelmente haverá advogados para servir como peões do Dr. Judice, do Dr. Rogério e do Dr. Marinho. E por isso ,mais ano menos ano, adeus Ordem, adeus caixa de previdência. adeus deontologia e viva o Canibalismo entre os Advogados. Quem se salva? Os Júdices que falam porque têm a barriga cheia, Os Rogérios porque a vâo enchendo e os Marinhos que a vão encher.
Os problemas do Dr. Júdice não têm de ter solidários, têm de ser resolvidos por ele, porque há Estado de direito. recorra aos orgãos da Ordem ou aos Tribunais , mas cale-se porque o seu barulho soa a ridículo. Os problemas que o dr. Rogerio causou e que o dr. Marinho causará acabariam por ser resolvidos pelos verdadeiros Advogados. Só que pelo caminho que isto está a tomar. o Ordem não deve resistir mais que este mandato. Precisamente porque já se perfilam exercitos de peões ao serviço de suas magestades.
10.Dezembro.2007
... : Estagiário LOL
Só demagogia! Com a estória dos descamisados e da profissão liberal caminhamos a passos rápidos para os 35000 Advogados e alguém duvida que assim chegaremos aos 40000, 50000,60000.........
Continuem a deixar o mercado funcionar e não serão os melhores a sobreviver, em boa verdade ninguém sobreviverá.
10.Dezembro.2007
... : Grande Manitu
Ao invés de carpir publicamente as suas mágoas, com os habituais tiques de pavão emplumado, o Dr. Júdice devia ir verter as suas lágrimas na quinta.
10.Dezembro.2007
... : Socrália
O Dr. Judice devia ter vergonha...pois, foi conivente com a situação a que os Advogados chegaram
10.Dezembro.2007
... : ANÓNIMO
A única solução é um rigoroso exame de acesso à OA, antes do estágio. Tudo o resto, "numerus clausus" incluídos, são balelas.

Quanto ao Dr. Júdice, a sua recente aproximação às rosinhas em complemento da sua condição de avençado governamental, dispensam quaisquer outros comentários.
10.Dezembro.2007
... : Um cidadão
O Dr. Júdice está a chamar parvos a todos os advogados que votaram no Dr. Marinho?
11.Dezembro.2007
... : LT
O último parágrafo do texto supra é paradigmático do pensamento do autor.
Não só não respeita o sistema democrático e a vontade da maioria, manifestada em sufrágio directo e legal, como desrespeita, em flagrante violação do estaturo que o rege, as mais elementares regras deontológicas. Se tivermos presente que as declarações são proferidas por quem já foi bastonário e, portanto, com deveres de postura e deontológicos acrescidos, estamos conversados quanto aos juízos de censura que nos merecem as atordoadas que lançou para o ar. Discordar com fundamentação séria é uma coisa, insultar (pessoalmente) quem pensa defende ideias diferente e é algo que me recuso a qualificar.
Mas talvez devessemos pensar nas motivações que movem tais ataques. Basta não ter memória curta e tudo passa a ser perceptível. Resta-nos o consolo de saber que as declarações, pelo conteúdo, pela oportunidade, pela forma, encerram em si mesmas o juízo que se deve fazer delas.
De resto, é caso para perguntar ao autor do texto em que estriba a sua legitimidade para afrontar uma classe que, em respeito pelas regas democráticas e de direito, manifestou soberanamente a sua vontade? E porquê não, perguntar-lhe o que fazer ao governo? Sim, também foi eleito, bem ou mal, pelos seus representados?

11.Dezembro.2007
... : Mário Rama da Silva
O Bastonário Dr. Júdice esqueceu, definitivamente, que tem a prerrogativa de usar o colar de Bastonário da Ordem dos Advogados o que, como contrapartida, exige que se comporte como Bastonário.
É pena que não faça.
Atacou o Bastonário Dr. Rogério Alves. Ataca o Bastonário Dr. Marinho Pinto. Mas defende o governo... pudera.
11.Dezembro.2007
... : BD
Judice não disse nenhumas barbaridades. Até concordo com ele em praticamente tudo. Pois não foram palavras justas, as suas? Claro que sim. O questão é a demagogia subjacente. Já lá esteve. Não fez nada de especial. Rogério Alves era um excelente bastonário. Mas tinha um pequeno grande problema para alguns: é que falava bem demais, devia ser como os outros, ter mais dificuldade em se exprimir... assim não se distinguia tanto. Judice não tem a mesma fluência mas tem poder e creio, um irmão poeta. Também é causa de muita inveja. Não devia ter poder nem nenhum irmão poeta. Marinho... bem... Marinho mal sabe falar, não é bonito (isto é, é mesmo feio fisicamente), não é dado à cultura, ataca os juízes e os jovens que querem entrar para a Ordem, well... é bem aceite e muito tolerado pela maioria. Eu, por mim, à mediania espalha-brasas prefiro o poderoso Judice e o sofista do Rogério.
12.Dezembro.2007
... : eb
Se o Dr. Júdice diz que ama a sua profissão então que faça a experiência de trabalhar doente, a fazer tratamentos de quimioterapia e outros, com uma gravidez de risco, sem licença de parto, etc.
Trabalhar assim significa amar a nossa profissão!
Mulher advogada há 15 anos que adora o Direito e a advocacia.
12.Dezembro.2007
... : Justo
Para o fazer mudar de discurso nada melhor que terem-no eleito para Bastonário...como os advogados descontentes e que votaram no "Bota-a- Baixo" devem estar já arrependidos. Profetas da desgraça têm voto fácil dos mais desfavorecidos, mas no "poleiro" passam a ter outro "estilo", como o próprio Maaarinho...lembra-se de Coimbra...já confessou...eu sei porque andei lá e conheço a peça em tempos de estudante e depois profissionalmente.Vejam os próximos episódios que seguramente me darão razão.
12.Dezembro.2007
... : GP
Nas declarações do Dr. António Marinho Pinto ao semanário Sol, de 08.12.2007, na página 14 pode ler-se: « entre as medidas que serão adoptadas está a instauração de severas restrições à entrada de novos advogados na Ordem».
É esta a mensagem de Natal que foi enviada a cerca de três centenas de advogados estagiários que realizaram exame no passado dia 24 de Novembro, depois de calcorrearem meses a fio, um estágio que tem tanto de longo como de inútil. É esta a mensagem de Natal que a Ordem enviou a estes candidatos que foram obrigados a realizar um exame de cinco horas sobre as mesmas matérias a que já haviam sido aprovados na primeira fase e também na Universidade. Estes jovens candidatos à profissão, pelos sacrifícios inúteis de que já foram vítimas, são merecedores de um pedido de desculpas e de uma palavra de acolhimento e de boas vindas. Mas em lugar desse reconhecimento e de uma verdadeira mensagem de natal, o novo Bastonário prefere arremessar palavras quase saguinárias: a instauração de severas restrições.
A instauração de severas restrições - faz lembrar tempos de má memória. Tempos negros, muito negros, mas que felizmente se extinguiram.Todavia, deixaram cicatrizes profundas e inapagáveis. Será que o mesmo vai suceder com a Ordem dos Advogados ? Quem com ferros mata...
12.Dezembro.2007
... : Zé da Tasca

Uma visão catastrofista, uma voz desesperada, uma procissão de "E SEs", pois se não se aproveitou a oportunidade para se fazer o que poderia ter sido feito, mas que não se fez, só resta perguntar "e se tivesse sido feito".
Mas é de uma pessoa firme e coerente o nosso ex-Bastonário, embora tendo-o sido, nunca deixe de o ser, é certo, mas que apenas se adapta às circunstâncias, ou seja, o homem não muda nem de tendências, nem de conveniências, as tendências e as conveniências é que mudam dentro de si, e ele apenas se adapta, é pragmático para não ser dogmático.
E será que o Marinho já ofendeu a magistratura, os deputados, etc., desde que foi eleito Bastonário? Haja a noção do rídiculo.
Dúvidas não há que o Dr. Marinho foi eleito com base num programa sufragado pela maioria da classe, que nele se revê, e que é um programa de ruptura. Resta-nos pois aguardar e esperar que as acções programadas passem a ser implementadas, e aí sim, poderemos criticar algo de criticável.
Mas a principal preocupação do Dr. Judice, creio que será aquela medida de propor que os serviços contratados às sociedades de advogados (as grandes, as pequenas ou as médias), passem a ser objecto de concurso publico, como as adjudicações das empreitadas, de forma a que os contribuintes tenham a noção do dinheiro gasto pelo Estado, o seu dinheiro, portanto, em serviços jurídicos.
E agora que o homem mudou de tendência política, ao apoiar o António Costa à autarquia de Lisboa, ele que até aí era mais pró-laranja, ou seja, um favor político a ser pago com influência política, portanto... Não há dúvidas que o homem lá terá as razões dele para estar preocupado...




12.Dezembro.2007
... : WAM
É deveras engraçado ver agora Júdice no papel de contestatário e defensor dos fracos e oprimidos.
O Institucionalista, o Sistemático, "Patrão de advogados menores"... vem agora, em tom de protesto erguer uma bandeira que não lhe pertence e que não defendeu enqunto bastonário.

Todos sabemos como funcionam as megas sociedades de advogados (especialmente nas grandes cidades) como as sociedades do Dr. júdice Recrutam-se advogados estagiários com médias altíssimas colocam-nos todos numa sala a trabalhar, impõem-se-lhes um horário fixo, e paga-se-lhes uma miséria.

Depois do trabalho feito, lá vai a assinatura do "advogado patrão" que nem teve tempo para ler o documento ( há um presunção de trabalho bem feito para quem teve média de 16 na FDUC).

Quem ganha nome é a sociedade. Ninguém conhece o advogado que elaborou a peça, e assim ninguém lhe pode recorrecer o mérito.

Quando sair da sociedade (porque mais depressa ficam os familiares que os bons) é uma dvogado desconhecido e sem provas dadas!

Eu pergunto: Isto é advocacia? Isto não é simplesmente um trabalhador por conta de outrém?



O que origina este trabalho precário que só beneficia os patrões?
A resposta a esta questão só pode ser uma. O excesso de advogados (não qualificados).

Se os maus advogados, ou advogados não-qualificados não surgissem das faculdades como frutos de uma àrvore gigantesca, aquele dvogado não se sugeitaria àquela exploração porque poderia vincar cá fora no mundo real.

não precisaria de utilizar a sociedade como um escudo, como a possibilidade de um rendimento que embora miserável,é regular.

É isto que o Bastonário pretende combater, porque entende, e bem, que muita desta exploração está ligada ao número excessivo de advogados.


Ainda mais obvio é o facto do Sr. Júdice (e outros) se insurgir(em) contra esta medida.

Tudo tão claro.


Agora, o "numero clausus" não parece ser uma boa ideia. Mas exitem outras medidas de se conseguir o mesmo efeito.


Porque não impor uma média mínima de acesso ao curso de direito, ou melhor , como se faz em medicina (obviamente não tão alta)?

A qualidade do defensor dos nossos direitos como cidadão e como humanos é inferior a qualidade que um médico deve ter ao cuidar-nos da saúde física?
A meu ver não. Mas a questão é discutível, admito...

Ou melhor, porque não atender a média do curso da OA para futura inscrição como advogado?


Na minha opinião esta é a melhor solução porque não é cega como o "numerus clausus" e não é subjectiva, antes assenta no mérito, na preserverança e na qualidade de um aspirante a Advogado, a mais bela profissão do mundo.
13.Dezembro.2007
... : BD
Estou perfeitamente de acordo consigo quanto ao absurdo do numerus clausus e à alternativa razoável da imposição de uma média mínima de acesso à Ordem, WAM. 13, 14, penso que não seria excessiva e já permitia uma fazer uma selecção aceitável. Agora, as regras têm de ser definidas com suficiente antecedência, para não defraudar as legítimas expectativas dos actuais estudantes de Direito, que nos merecem todo o respeito.
13.Dezembro.2007
... : Anti-peixeiro
EXACTAMENTE!

"Agora, as regras têm de ser definidas com suficiente antecedência, para não defraudar as legítimas expectativas dos actuais estudantes de Direito, que nos merecem todo o respeito."

Como vai dizer sr marinho a um aluno que entrou na faculdade há 4 anos e vai acabar o curso agora que as legítimas expectativas que tinha quando entrou na universidade (prevendo que quando acabar o curso tinha o direito de se inscrever na ordem, uma vez que escolheu o curso de direito porque queria ser advogado), que no sentido de proteger aqueles que já são advogados, nao entra, a partir de agora para a ordem practicamente mais nenhum aluno...Quantas famílias nao andaram a fazer esforços para poder alimentar o sonho do filho que agora acaba o curso e lhe dizem: quando escolheste o curso podias ser advogado, agora NÃO!
Este sr é perigoso e é dispensável num regime democrático.



14.Dezembro.2007
... : Ana Santos
Estou de acordo que um Bastonário como o Dr. António Marinho Pinto é dispensável num regime democático. Mais, com o seu sentido cego de proteger os profissionais já instalados em detrimento daqueles que querem aceder à profissão, este senhor Bastonário vai violar as mais elementares regras de um Estado de Direito Democrático. A Ordem dos Advogados sempre se disse defensora dos Direitos Humanos, mas ultimamente tem tido alguns esquecimentos. Dr António Marinho, nao se deixe que a Ordem dos Advogados proceda como o vigarista quando quer vender ou comprar a pulseira: umas vezes é de ouro; outras vezes, não.
14.Dezembro.2007
... : Santos
Diz o Dr Marinho Pinto que há advogados a mais, ou seja acha o bastonário eleito que 1 advogado por 380 habitantes são muitos advogados. Não vou aqui contestar a opinião do Sr Dr, vou apenas tentar dedicar-me ao mesmo desporto que ele, ou seja torturar os numeros.
Torturemo-los que eles hão-de dizer seja o que for que nós quisermos.
Primeiro que tudo será bom ter em conta os seguintes dados. Mais de metade dos advogados exercem procuradoria ilícita porque não pagam quotas ou não têm quotas em dia (fonte - Dr Miguel Judice enquanto bastonário) e só os advogados com as quotas em dia podem exercer a advocacia. Isto coloca imediatamente a fasquia em metade. Não acredito que essas pessoas todas estejam a cometer o crime de procuradoria ilícita, provavelmente o que se passa é que deixaram de exercer advocacia e simplesmente deixaram de pagar quotas. Significa assim que já temos um numero mais perto do razoavel ou seja 760 habitantes por advogado. Depois dizem-nos as finanças que um advogado declara em média 70 Eur por mês de rendimento. O que, tendo em conta que essas pessoas têm que viver, resulta como conclusão lógica que exercem outra actividade profissional paralelamente. Fazendo umas contas generosas podemos dizer que quem aufere rendimentos mensais de 70 Eur apenas exerce a advocacia a .... digamos 30 % ... não ... sejamos mais generosos ... 50 % ! o que vai retirar ao universo de advogados 25 % ou seja teremos agora apenas 975 habitantes por advogado. O número já parece fazer sentido agora, acho eu. Ainda poderíamos retirar a este número, os notários, os advogados que trabalham para empresas de cobranças de créditos e etc etc etc mas não sejamos mesquinhos e fiquemo-nos por este número e passemos às outras profissões.
O Sr bastonário eleito acha que havendo 380 habitantes por advogado se deve restringir o acesso à profissão. Bom ... com todo o respeito pela opinião do Dr isso leva-me a procupar-me com as restantes profissões. Dei uma breve, brevíssima, olhada ao site do INE e verifiquei o seguinte descalabro:

21 habitantes por Quadros superiores da adm. pública, dirigentes e quadros superiores de empresa
23 habitantes por Especialistas das profissões intelectuais e científicas
23 habitantes por Técnicos e profissionais de nível intermédio
20 habitantes por Pessoal administrativo e similares
14 habitantes por Pessoal dos serviços e vendedores
18 habitantes por Agricultores e trabalhadores qualificados da agricultura e pesca
10 habitantes por Operários, artífices e trabalhadores similares
24 habitantes por Operadores de instalações e máquinas e trabalhadores da montagem
16 habitantes por Trabalhadores não qualificados
351 habitantes por Forças armadas

Estou a ver que os unicos que ainda se safam são as forças armadas, mas mesmo assim ainda são menos habitantes que os proclamados 380 advogados de que fala o bastonário eleito.

Estou preocupado com este país, urge fazer uma ordem dos operários, artífices e trabalhadores similares - há imensos - 955800 - e cada 10 portugueses têm que suportar um. Isso é a minha família mais chegada. E nós somos pobres e não podemos sustentar um operário artífice e trabalhador similar. Além do que quem quiser ingressar nessa profissão vai estar tramado porque como há muitos não vai conseguir trabalho nem vai dignificar a profissão. Não concebo evidentemente que hajam profissões mais nobres que outras (exceptuando proxeneta ou contrabandista que não são propriamente profissões) todas as profissões têm a mesma dignidade (fonte - artº 13º da Constituição da República Portuguesa) pelo que a protecção que é devida aos operários deve ser exactamente a mesma que a dada aos advogados. É claro que só pode sê-lo quem souber. Ou seja, não podem as faculdades de direito lançar para a rua licenciados que não sejam capazes de ser advogados sob pena de cometerem um crime (pelo menos no domínio da moral) da mesma forma não podem os operários manobrar máquinas, que mal manobradas podem causar a morte, sem para isso estarem habilitados. Presume-se, sob pena de andarmos todos a brincar às faculdades, que só usam o título de profissional aqueles que realmente sabem sê-lo e tendo para isso um atestado válido (uma licenciatura, a experiência ou uma certificação profissional).

Em suma, acho que devemos todos tremer de pavor pelos números que o INE nos apresenta.

Ou então ..... e que tal cumprir os imperativos do tratado da união e deixar que a livre concorrência trate do assunto ? Os bons têm trabalho os menos bons têm menos trabalho. Não é o mercado um instrumento da liberdade ?

Eu bem digo que os números quando bem torturados dizem o que nós queremos. A verdade é que o cidadão que queira arranjar um advogado vê-se em palpos de aranha. Experimentem tentar arranjar um advogado sem recorrer a amizades .... Vão ver como é dificil.


15.Dezembro.2007
... : Carlos de Marinhão
E para quando uma Ordem dos Juristas?
Sim! Daqueles que, amando o direito, se licenciaram já adultos, trabalhando noutros mesteres, quiçá mais rentáveis, mas que sentiam o "bichinho" do DIREITO, não como uma mesquinha actividade comercial(?!!) mas sobretudo como uma afirmação da cultura e identidade cívica do ser humano como ente social e parte de um grupo.
Licenciados que, tal qual os sores doutores advogados, estudaram direito, embora apenas para seu uso pessoal e não para defenderem "mafiosos", "criminosos e habilidosos" que usam os advogados não para terem DIREITO, mas apenas paea se livrarem à custa da má elaboração de leis conjunturais, de cariz mais ou menos direccionado,
Fico-me por aqui.
19.Dezembro.2007
... : Advogado Descontente
"Experimentem tentar arranjar um advogado sem recorrer a amizades .... Vão ver como é dificil." Meu caro Santos,já ouviu falar das Páginas Amarelas?Se consultar a secção "Advogados",verá que é composta por dezenas de páginas com menção a centenas de advogados.Quem quiser os serviços de um advogado,só tem que lá ir e escolher;é o mercado a funcionar em pleno,não concorda?Mais democrático que isto é dificil.
Quanto ao Bastonário eleito,contou com o meu voto e posso dizer que não me arrependo.Na verdade,congratulo-me por lhe ter dado o meu voto;se antes de tomar posse o Dr.Marinho e Pinto já causou tantas reacções e anticorpos,isso é sinal que há muita gente com medo de perder as suas "regalias",(obtidas ao longo de anos e anos de promiscuídade na nossa profissão sem que a Ordem nada tivesse feito a respeito).É tempo de acabar com este estado de coisas,e o Dr.Marinho e Pinto é o homem certo para o fazer.
Concordo que a ideia dos numerus clausus não é a mais indicada para resolver o problema do excesso de adogados no mercado;sou a favor de numerus clausus,sim,mas na universidade.Aumente-se a média de acesso ao curso(no meu tempo era de 17,8 valores!)e limite-se o n.º de vagas.Acabem-se com algumas das faculdades de direito privadas que existem e só servem para lançar para o mercado de trabalho pseudo-juristas,mal preparados e habituados ao facilitismo.Institua-se um regime de acesso à Ordem semelhante ao do CEJ:exames de acesso ao estágio,escritos e orais(incluindo entrevista psicológica e exames psicotécnicos;só deve aceder à profissão quem tem perfil e vocação para tal - se existe este grau de exigência para os Magistrados,fará sentido que o mesmo se aplique aos advogados;os cidadãos não merecem menos que isto!),no qual os primeiros sejam eliminatórios no acesso aos segundos;e após ingresso no estágio,inserir o estagiário logo na vida prática,devendo a sua evolução profissional se acompanhada tanto pelos patronos tradicionais como por patronos-formadores,mediante a apliação de um sistema de avaliação contínua,com a emissão de relatórios periódicos conjuntos por parte dos patronos-formadores e patronos tradicionais,com carácter eliminatório,e de um relatório final com a menção de Apto ou Não Apto,sendo que a obtenção da classificação de Apto implicaria automáticamente o ingresso na profissão com o estatuto de Advogado.Claro que este sistema implicaria a elaboração de um novo Regulamento do Estágio, de um Código de Conduta de Patronos e Patronos-Formadores,etc,etc.
É só uma sugestão,mas que julgo ser válida.O necessário é que se mude o estado de coisas,e se imponha rigor e exigência no acesso à profissão,valorizando-se o mérito.Só assim a imagem dos advogados e da nossa Ordem sairá digificada.
20.Dezembro.2007
... : Ana Santos
Imponha rigor e exigência no acesso à profissão....só assim a imagem dos advogados e da nossa ordem sairá dignificada.....Palavras, palavras e mais palavras.
Mas numa coisa parece que todos estamos de acordo: - a imagem dos advogados e da nossa ordem, não são boas. E, como se lê nesta página, parece que a solução está em exigir mais rigor no acesso à profissão. Eu penso que não. Além de os actuais exames de acesso à profissão serem até demais e exigentes, os novos advogados ainda não tiveram tempo de contribuir para a má imagem que a advocacia tem perante a comunidade em geral.Esta má imagem vem de há muitos e longos anos.Eu penso que chegou a altura de se exigir aos advogados já instalados que, periodicamente, lhes seja exigida a prestação de provas de actualização técnica e de deontologia. E sobretudo de deontologia. É possível que assim deixe de haver tantos incêndios em escritórios de advogados;tantas suspeitas de colaboração com o branqueamento de capitais e fraude fiscal em geral e outos tipos de burlas de valores astronómicos;o recurso sistemático a expedientes para anular escutas legais e outros tipos de mecanismos para esconder e dissimular a verdade material.Ao contrário do que possa parecer, a comunidade não esquece tão rapidamente estes casos.
Um Bom Natal para todos.
21.Dezembro.2007
... : BIC
O DR. JÚDICE DEVIA TER VERGONHA! ELENÃO É O ÚNICO ADVOGADO INTELIGENTE... E NÃO LHE RECONHEÇO QUALQUER GRAU PARA PODER FALAR E TECER JUIZOS SOBRE TODOS OS COLEGAS QUE VOTARAM EM QUEM VOTARAM!
DEIXEM QUE SE FAÇA ALGO PELA PROFISSÃO, E NÃO SE OPONHAM SÓ PORQUE NADA FIZERAM POR ELA! DR. JÚDICE, DEIXE DE SER IRÓNICO E RECONHEÇA DE UMA VEZ POR TODAS QUE O QUE LHE INTERESSA É O SEU BOLSO E O SEU UMBIGO! MAS, POR FAVOR DEIXE DEFINITIVAMENTE DE CONTRIBUIR PARA A DEGRADAÇÃO E DIFAMAÇÃO DA PROFISSÃO QUE EU ORGULHOSAMENTE EXERÇO!
27.Dezembro.2007
... : Um mero estagiário
Infelizmente, e com todo o respeito que a Opinião do Dr. Júdice nos deve merecer, não consigo compreender os seus argumentos. O constante aumento do número de advogados não beneficia nem a profissão, nem a própria justiça. O único factor positivo que resulta do excesso de advogados que à data existe é a progressiva crescente pré-disposição dos causídicos para se sujeitarem a condições de trabalho cada vez mais frágeis, o que apenas beneficia as grandes sociedades de advogados que contratam jovens advogados oferencendo-lhes remunerações ridículas. Por este prisma talvez consiga compreender a opinião deste ex bastonário. Há que contrariar a tendência actual da advocacia, que em tantos casos assume o carácter de profissão residual, encetada por muitos que não vêm no seu horizonte outra possibilidade de emprego, iniciando a profissão apenas como ultima ratio de um leque de opções inexistente. É necessário dignificar e proteger esta profissão.
07.Janeiro.2008
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