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Se a Justiça é administrada pelos Tribunais em nome do Povo, como decorre da Constituição, natural será que o Povo discuta na praça pública a Justiça que tem ou deixa de ter. Mas uma coisa é discutir-se a Justiça em si, outra pretender julgar na praça pública o que nos Tribunais, por via dessa mesma Constituição, deve ter lugar
JUSTIÇA E POVO
Por Dr. Luís Ganhão, Advogado
Se a Justiça é administrada pelos Tribunais em nome do Povo, como decorre da Constituição, natural será que o Povo discuta na praça pública a Justiça que tem ou deixa de ter.
Mas uma coisa é discutir-se a Justiça em si, outra pretender julgar na praça pública o que nos Tribunais, por via dessa mesma Constituição, deve ter lugar.
Reconheçamos, porém, que numa sociedade cada vez mais mediatizada, onde, não raro, o informar com objectividade sobre «O quê?», «Onde?», «Quando? «Como?» e «Porquê?», dá lugar ao vender «notícias» a qualquer custo, se exploram emoções por mais destituídas de racionalidade que se possam apresentar, nem sempre é fácil demarcar/ intuir a respectiva fronteira entre esses dois campos.
Tratando-se de um campo cheio de «minas», restará, pois, a cada um de nós o cuidado e a atenção permanentes para não pisarmos alguma delas.
Já agora: havendo quatro Poderes, o Legislativo, o Executivo, o Judicial... e o da Imprensa, supostamente independentes entre si e ainda que essa independência não impeça, antes pelo contrário, trato de cordialidade entre os respectivos membros, não deixa, contudo, de ser curioso observar o «intimismo» com que cada vez mais membros dos restantes Poderes se procuram relacionar com o da Imprensa, onde à pergunta da (o) jornalista respondem com um «Oh! Fátima...», «Oh! Ricardo...»...
Tão «in»!
Depois queixam-se!
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