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30-Jun-2007 |
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«Assisti no inicio da semana à posse do presidente do Tribunal da Relação do
Porto. Aí ouvi a intervenção do empossante, o Presidente do Supremo Tribunal de
Justiça e do empossado Presidente da Relação do Porto. Foram duas reflexões
fundamentadas sobre a justiça no nosso pais no momento actual e a função dos
tribunais numa sociedade democrática e livre. Falou-se sobre o que os cidadãos
esperam dos tribunais e que os juizes têm que ter condições para serem livres e
independentes. Abordaram-se alguns temas técnicos, que naturalmente não é
oportuno aqui focar, mas realçou-se a forma como a comunicação social,
sobretudo a escrita, é hoje um centro de ataque aos tribunais e juízes.
Comentam-se decisões truncando partes das mesmas do contexto, fazem-se
comentários sem rigor técnico ou distorcendo os factos; promovem-se julgamentos
na praça pública com violação ostensiva dos direitos das pessoas. Cria-se um
sensacionalismo oco só com o objectivo de vender mais; defendem-se interesses
económicos de forma indirecta ou disfarçada.
Disse-se que a concessão da
carteira de jornalista deve ser exigente como se é para se dar a licença de uso
e porte de arma. As decisões dos juizes e dos tribunais não estão imunes ás
críticas. No entanto essas críticas devem ser feitas com fundamento e com
honestidade intelectual.
As questões que os tribunais decidem devem ser
abordadas por quem sabe do que é que está a falar. Os tribunais também devem proferir decisões fundamentadas de uma forma clara e coerente que leve o cidadão a
perceber por que é que se decidiu de uma determinada maneira e não de outra.
Parece que todos estamos de acordo que o prestígio dos tribunais e uma
administração da justiça na qual os cidadãos confiem é um pilar fundamental de
qualquer sociedade evoluída e democrática. Os órgãos de comunicação social
têm de ser rigorosos na abordagem de questões que tenham por objecto decisões
judiciais. Esse rigor passa por uma abordagem fundamentada, tecnicamente
coerente e desinteressada. Também só assim é que a comunicação social se
prestigia e leva a que acreditem nela».
DR. MANUEL OLIVEIRA DIAS | DIRECTOR DO JORNAL DE OVAR | 21.06.2007
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