|
«Aquele ser todo-poderoso que, no tribunal, me manda calar ou levantar -
como não faz nem o meu patrão, nem o Presidente da República, nem
polícia armado nenhum -, esse, que pode fazer-me isso e eu aceito que
faça, tem de ser intocável. Intocável, ponto final. Sem qualquer
desculpa de salas pequenas ou impróprias. É assim e cumpra-se».
«Leio a notícia: "(...) o juiz foi agredido, a pontapé, embora sem
gravidade." Notícia mais falsa! Um juiz, agredido no tribunal, é sempre
com extrema gravidade. Extremíssima, aliás.
Diz a juíza, também ela
agredida, sobre as causas: "(...) a forma como a sala estava organizada
é que potencia este tipo de ataque." Análise mais falsa! Arguidos que,
acabada de ser lida a sentença, batem nos juízes não precisam de nada
que potencie o seu crime. Precisam é de mão pesadíssima.
Não digo isso
por respeito excessivo. Meu vizinho, o juiz recebe o mesmo "bom dia"
que o padeiro e passa à minha frente na porta, como faço com todos.
Agora, aquele ser todo-poderoso que, no tribunal, me manda calar ou
levantar - como não faz nem o meu patrão, nem o Presidente da
República, nem polícia armado nenhum -, esse, que pode fazer-me isso e
eu aceito que faça, tem de ser intocável. Intocável, ponto final. Sem
qualquer desculpa de salas pequenas ou impróprias. É assim e cumpra-se».
FERREIRA FERNANDES | DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 27.06.2008
Comentarios () |
|
|
|
|
|