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O fim de discriminação positiva às mulheres
19-Jun-2008
POR JAIME RORIZ. «Sempre me pareceu que a discriminação retirava dignidade ao lado discriminado. Não só a discriminação é causa de injustiça, desigualdade e, de alguma forma, contrário à condição humana, como também é um logro pois prejudica tantos os discriminados como os discriminadores (se é que esta última palavra existe).No caso da discriminação positiva a equação parece-me que se aplica da mesma forma. Ou seja é negativa quer para o “beneficiado” quer para quem “beneficia”. Isto se entendermos que a discriminação positiva é um benefício. A meu ver resulta num prejuízo para a sociedade em geral e para a fruição da própria diversidade.


Não sendo redutor, é na diversidade que encontramos o confronto que nos faz crescer como seres humanos. A discriminação positiva nasce com a finalidade de colocar no mesmo plano aqueles que, por fatalidade ou circunstância, se encontram em posição de inferioridade. Lamentavelmente é o caso dos deficientes motores, dos deficientes mentais e no geral dos restantes tipos de deficiências. Um deficiente motor necessita de acessos especiais para chegar com a mesma facilidade que as outras pessoas aos diversos locais. Nesse sentido, nós enquanto sociedade, fomos levados a concluir que seria necessário criar regras imperativas que dessem alguns benefícios a essas pessoas. Assim, os deficientes pagam menos impostos, têm prioridade na admissão a certos concursos públicos e algumas empresas têm, estatutariamente, o compromisso de admitir percentagens de deficientes nos seus quadros de pessoal permanente.

Enfim o referido acima parece-me uma lamentável circunstância a que a sociedade (o estado) se obriga voluntariamente para fazer face a um problema que era imperativo resolver. Mesmo assim ficámos muito aquém do que seria desejável. Tenho também muitas dúvidas sobe a eficácia real de todas essas medidas. Porém, estou fortemente convicto que é necessário fazer algo neste particular.

Daqui passamos para as medidas de discriminação positiva em função do género, da raça, e de todos os subgrupos em que a sociedade pretende dividir-se. Loiros, carecas, gordos, toxicoindependentes, juristas, e até (pasme-se!) grupos que se pretendem autonomizar em função do seu comportamento íntimo. Nada disto me parece correcto.

A legislação do trabalho faz discriminação positiva relativamente à condição feminina e não me parece bem. Faz também discriminação positiva relativamente à mulher grávida e já me parece bem. Cumpre-me aqui explicar a diferença (para que não se diga que me parece bem porque sim). A mulher trabalhadora não precisa de nenhuma discriminação positiva. Ela pode (e já o provou) concorrer em igualdade de circunstâncias em competência e capacidade de trabalho, quer em regime de turnos, quer na própria dureza das condições de trabalho. Sendo portadora de menor massa muscular (e mesmo isso pode ser discutível) poderá haver razão para não estar adaptada a raríssimas profissões, porém está perfeitamente capaz de exercer todas as restantes. Já no que respeita à trabalhadora mãe a discriminação positiva apenas se compreende no que respeita ao período de amamentação dos filhos, não se compreendendo porque continuará a haver essa discriminação fora dessa circunstância (essa sim inerente à condição feminina). No que respeita à trabalhadora grávida a discriminação positiva (não sendo a gravidez uma doença ou uma deficiência) entende-se dada a especial fragilidade durante esse período. Todos, sem excepção, estamos de acordo que a gravidez deve ter uma especial protecção.

Encontrei na internet o testemunho de uma jovem do 10º ano cuja leitura aconselho vivamente. Pode ser lido em http://aartedepensar.com/ppt/discrpositiva2.pdf e o interessante é precisamente ter sido escrito por uma adolescente do sexo feminino. Ela defende a dignidade de quem parece estar em posição, à partida inferior, mas não está.

Na Suécia o sistema de quotas imperou, porém em virtude do sistema educativo sueco enfermar do mesmo mal que o português, só que com 30 anos de avanço, as mulheres são as professoras, logo as alunas têm mais sucesso, daí que as licenciadas são em número superior, logo têm, naturalmente, mais cargos de direcção e mais cargos no governo. Hoje o governo sueco tem mais mulheres do que homens e pensa-se em criar o sistema de quotas para que o governo tenha um número equilibrado de homens e de mulheres (discriminação positiva para os homens). Curiosidade; o governo (ministros e secretários de estado) sueco tem 21% de licenciados, a Suécia tem 21 % de licenciados; o governo português tem 99% de licenciados, Portugal tem 8% de licenciados.

JAIME RORIZ | FINALISTA DE DIREITO

Comentarios (10)add
... : Vera Sofia
Mas qual discriminação positiva?

Portugal ainda vive na idade da pedra no que respeita à igualdade de direitos e de oportunidades entre homens e mulheres, como aliás em relação a muitos outros assuntos.

Acorde e deixe-se de conversas da treta...
20.Junho.2008
... : Hi-Hi-no-Havai
Conversinha de café, ó caro Roriz! As mulheres precisam é de mimo e se for o legislador a dar além de nós, soberbos machos - deixe lá, homem, que, lá no fundo, é para bem da humanidade inteira. Vá por mim e aproveite.
20.Junho.2008
... : cgf
Vera Sofia,
Tem toda a razão.
Basta olhar para a justiça onde é urgente um conjunto de medidas de descriminação positiva. Caso contrário, qualquer dia não há homens a exercerem as profissões de juízes, procuradores do MP, advogados, etc.
20.Junho.2008
... : jaime roriz
Vera sofia, o seu poder argumentativo esmagou-me. "deixe-se de conversas da treta" é uma frase com um tal gabarito intelectual que me deixa siderado.

Faz-me lembrar a minha avó paterna que criticava a minha mãe por ser uma mulher muito vistosa e que corroborava com a seguinte frase "o homem sacode a calça" v. e a minha avó (que Deus tem) podiam juntar-se com tanto poder argumentativo.

20.Junho.2008
... : jaime roriz
Hi-Hi-no-Havai, concordo que as mulheres precisam de mimo. Acredito que, lá no fundo, é para bem da humanidade inteira. Tenho aproveitado a minha vida toda. Mas ... não seja condescendente, vá por mim, comprometa-se :-)
20.Junho.2008
Tenho passado nestes últimos dias por vários locais e só vejo homens a cortar pinhal e eucaliptal na serra, homens a armar ferro na obra, pedreiros e serventes de pedreiro pelos andaimes fazendo parede ao sol queimante, homens torrados ao sol a aplicar alcatrão nas estradas e autoestradas. Locais onde não se vê uma única mulher! Ora atento o invocado principio da igualdade, tanto reclamado pelas feministas, isto será inconstitucional. Será porventura tempo de estabelecer "quotas" para o mulherio nestas áreas. Ou este «bem-bom» continuará a ser um "privilégio" dos homens ? Haja tino!
20.Junho.2008
... : jaime roriz
Caro(a) Noite Velha, e já agora no que respeita à população prisional? Vamos lá prender mais mulheres! É que 97% são homens. Há aqui um forte favorecimento das mulheres por parte do lobby feminista das polícias.

Agora a sério. Pretendo com isto dizer que não basta reclamar (as feministas reclamarem) que as mulheres não chegam aos lugares de chefia. É preciso que as mulheres sejam capazes também de fazer esses trabalhos de que fala. E (já agora) de cumprirem penas de prisão também.
21.Junho.2008
... : Vera Sofia
CGF:
Qual é o seu problema?
Tem algum complexo de inferioridade pelo facto de, em igualdade de circunstâncias, as mulheres obterem invariavelmente melhores resultados do que os homens.
Além de que o seu argumento é completamente cretino, já que o universo do direito não é minimamente representativo do estado do país.
Há mais país para além das profissões jurídicas...

Jaime Roriz:
Precisa de crescer mais um bocado para conseguir usar a ironia com algum êxito. Vá tentando.
Já agora, estude bastante pois, como já se viu, a vida não está fácil para juristas homens.
23.Junho.2008
... : ADV
"A união faz a força" (e não existe aqui qualquer conotação política)
23.Junho.2008
... : cgf
Vera Sofia,
queira perdoar a minha cretinice, resultado concerteza desta inferioridade que advém do meu sexo.
No entanto, permita-me este comentário um bocado a sério. Segundo os últimos dados do INE, a percentagem de licenciados/mestrados é cada vez maior para as mulheres. Portanto, é provável que o mundo jurídico represente qualquer coisa, e já agora se não representasse, também somos gente, ao contrário do que alguns dizem, e como tal merecemos respeito.
Também é cada vez maior o número de mulheres em cargos de direcção e administração de sociedades.
Portanto impõe-se a questão.
Será que são tão necessárias as medidas de discriminação positiva em relação às mulheres. Se estas medidas são tão necessárias, provavelmente é porque são algumas mulheres que praticam essa discriminação (cá entre nós que ninguém nos ouve, por acaso já assisti a uma situação destas).
Além disso, se a minha cara Vera Sofia lesse alguns dos pensamentos contemporâneos mais esclarecidos do movimento feminista, há-de reparar que essas suas ideias já estão ultrpassadas à mais de duas décadas, e, que neste momento a maior luta das mulheres é a criação de medidas que apoiem a sua feminilidade, v. g. apoios efectivos à maternidade que permitam a uma mulher ser mãe na sua plenitude, sem que tenha que abdicar da sua carreira ou formação. Não queira ser um homem, porque a maioria são mais feios que as mulheres.
Quanto aos melhores resultados que refere, o que me diz a experiência, que já é alguma, é que eles aparecem a quem mais trabalha, independentemente de ser homem ou mulher.
Finalmente, minha senhora, despeço-me com um beijinho muito grande para si, agradecendo-lhe as palavras doces que teve o cuidado e amabilidade de me dirigir.
24.Junho.2008
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