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16-Dez-2007
Diz o Dr. Marinho Pinto que há advogados a mais, ou seja acha o bastonário eleito que 1 advogado por 380 habitantes são muitos advogados. Não vou aqui contestar a opinião do Sr Dr., vou apenas tentar dedicar-me ao mesmo desporto que ele, ou seja torturar os números. Torturemo-los que eles hão-de dizer seja o que for que nós quisermos.

Primeiro que tudo será bom ter em conta os seguintes dados. Mais de metade dos advogados não pagam quotas ou não têm quotas em dia (fonte - Dr. Miguel Júdice enquanto bastonário) e só os advogados com as quotas em dia podem exercer a advocacia. Isto coloca imediatamente a fasquia em metade. Não acredito que essas pessoas todas estejam a cometer o crime de procuradoria ilícita, provavelmente o que se passa é que deixaram de exercer advocacia e simplesmente deixaram de pagar quotas. Significa assim que já temos um numero mais perto do razoável ou seja 760 habitantes por advogado. Depois dizem-nos as finanças que um advogado declara em média 70 Eur por mês de rendimento. O que, tendo em conta que essas pessoas têm que viver, resulta como conclusão lógica que exercem outra actividade profissional paralelamente. Fazendo umas contas generosas podemos dizer que quem aufere rendimentos mensais de 70 Eur apenas exerce a advocacia a .... digamos 30 % ... não ... sejamos mais generosos ... 50 % ! o que vai retirar ao universo de advogados 25 % ou seja teremos agora apenas 975 habitantes por advogado. O número já parece fazer sentido, acho eu. Ainda poderíamos retirar a este número, os notários, os advogados que trabalham para empresas de cobranças de créditos e etc etc etc mas não sejamos mesquinhos e fiquemo-nos por este número e passemos às outras profissões.

O Sr bastonário eleito acha que havendo 380 habitantes por advogado se deve restringir o acesso à profissão. Bom ... com todo o respeito pela opinião do Dr. isso leva-me a preocupar-me com as restantes profissões. Dei uma breve, brevíssima, olhada ao site do INE e verifiquei o seguinte descalabro:

21 habitantes por Quadros superiores da adm. pública, dirigentes e quadros superiores de empresa
23 habitantes por Especialistas das profissões intelectuais e científicas (aqui estão incluídos os 26000 advogados)
23 habitantes por Técnicos e profissionais de nível intermédio
20 habitantes por Pessoal administrativo e similares
14 habitantes por Pessoal dos serviços e vendedores
18 habitantes por Agricultores e trabalhadores qualificados da agricultura e pesca
10 habitantes por Operários, artífices e trabalhadores similares
24 habitantes por Operadores de instalações e máquinas e trabalhadores da montagem
16 habitantes por Trabalhadores não qualificados
351 habitantes por Forças armadas

Estou a ver que os únicos que ainda se safam são as forças armadas, mas mesmo assim ainda são menos habitantes que os proclamados 380 advogados de que fala o bastonário eleito. Há que chegar neles e vedar-lhes o acesso à profissão também.

Estou preocupado com este país, urge fazer uma ordem dos operários, artífices e trabalhadores similares - há imensos - 955800 - e cada 10 portugueses têm que suportar um. Isso é a minha família mais chegada. E nós somos pobres e não podemos sustentar um operário artífice e trabalhador similar. Além do que quem quiser ingressar nessa profissão vai estar tramado porque como há muitos não vai conseguir trabalho nem vai dignificar a profissão. Não concebo evidentemente que hajam profissões mais nobres que outras (exceptuando proxeneta ou contrabandista que não são propriamente profissões) todas as profissões têm a mesma dignidade (fonte - art. 13º da Constituição da República Portuguesa) pelo que a protecção que é devida aos operários deve ser exactamente a mesma que a dada aos advogados. É claro que só pode sê-lo quem souber. Ou seja, não podem as faculdades de direito lançar para a rua licenciados que não sejam capazes de ser advogados sob pena de cometerem um crime (de burla ?) da mesma forma não podem os operários manobrar máquinas, que mal manobradas podem causar a morte, sem para isso estarem habilitados. Presume-se, sob pena de andarmos todos a brincar às faculdades, que só usam o título de profissional aqueles que realmente sabem sê-lo e tendo para isso um atestado válido (uma licenciatura, a experiência ou uma certificação profissional).

Em suma, acho que devemos todos tremer de pavor pelos números que o INE nos apresenta.

Ou então ..... e que tal cumprir os imperativos do tratado da união e deixar que a livre concorrência trate do assunto ? Os bons têm trabalho os menos bons têm menos trabalho. Não é o mercado um instrumento da liberdade ? Como dizia o meu ilustre professor Arlindo Donário.

Eu bem digo que os números quando bem torturados dizem o que nós queremos. A verdade é que o cidadão que queira arranjar um advogado vê-se em palpos de aranha. Experimentem tentar arranjar um advogado sem recorrer a amizades .... Vão ver como é difícil.

JAIME RORIZ | FINALISTA DE DIREITO

Comentarios (26)add
... : acácio
Como é difícil arranjar advogado, se na minha rua quando iniciei éramos cinco e agora são (somos) 120 (cento e vinte) ??????????!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
17.Dezembro.2007
... : Anónimo
Jaime Roriz mostra que é bom com os números.

É pena que já não tenha a mesma sensibilidade para perceber as diferenças óbvias entre os exemplos dados.

17.Dezembro.2007
... : BD
Eu percebo o finalista Jaime Roriz, a ideia que teve foi boa, tanto que o Administrador da Revista Digital a colocou à disposição dos comentadores. Não o vou atacar, posso discordar aqui e ali dos seus números e da sua pesquisa, mas em geral digamos que estou com ele, ou com o que ele quis, e muito bem, significar. Agora, também entendo Acácio e o que o move. Pois, dantes eram cinco e agora são 120, e pelo espanto que mostrou (nada grego, com 'n' pontos de exclamaçao e de interrogação como um estudante da secundária) dir-se-ia que 119 são melhores do que ele.
17.Dezembro.2007
... : Jaime Roriz
Caro Anónimo,

O lamentável é que Vª Exª não tenha sensibilidade para perceber o que quero dizer com "torturar os números". O texto é sarcástico. Pretende dizer que não podemos analisar a questão olhando para os números. Os números podem ser um apoio para dar substância a uma análise de qualquer problema. Os números não podem ser o problema.
Acredito que hajam advogados a mais, como acredito que hajam lojas chinesas a mais. A solução é deixar o mercado funcionar. Ou quererá Vª Exª voltar à constituição de 1976 ? Já foi sobejamente verificado que numa economia de mercado não podemos limitar certas actividades.
17.Dezembro.2007
... : Jaime Roriz
Caro Acácio,
Sendo finalista de direito, tenho uma profissão. Sou administrador de sistemas. Quando comecei em Portugal eramos menos de uma centena. Hoje somos mais do que os advogados. Não conheço nenhum administrador de sistemas desempregado. Porém, é muito mais dificil arranjar trabalho hoje do que era quando comecei. O resultado mais importante deste aumento de profissionais é que o público está hoje muito mais bem servido. Os serviços de informática prestados a quem os compra (na verdade todos nós) são muito melhores e muito mais baratos. Lembra-se de ouvir alguém falar de enganos no multibanco ? quando foi a última vez que devido a um erro informático viu uma factura da EDP errada ? A livre concorrência serve para isso mesmo para que o público seja melhor servido. Voltando à questão da limitação do número de advogados e das vantagens que isso traria. Para os advogados que hoje o são ? Dúvido .... Fazer baixar a fasquia da qualidade só levaria a que houvessem cada vez mais advogados medíocres por não necessitarem de se esforçar. Quantos mais houver melhor. Os serviços serão melhores e só conseguirá singrar na profissão quem tiver qualidade no serviço que presta. Note que a qualidade não se esgota na capacidade técnica do advogado, antes extende-se às qualidades éticas, sentido de justiça e até ao envolvimento idealista que se tem com todo o processo de prossecução da justiça. Como finalista de direito tenho a certeza que estou muito longe de perceber o que é ser advogado. Para isso o estágio é fundamental. Para inserir o advogado nas melhores práticas da profissão. Esse estágio tem diversas provas que o candidato a dvogado deverá superar. No fim só sobreviverão na profissão aqueles que os clientes elegerem.
17.Dezembro.2007
... : Anónimo
Caro Jaime Roriz:

Resolvi enviar um comentário apenas porque humildemente não poderia deixar de corrigir um erro ortográfico grave patente no último comentário..."hajam advogados"... haja advogados, verbo haver não tem plural. Fica a correcção... quanto ao conteúdo ainda tou em reflexão..
17.Dezembro.2007
... : Jaime Roriz
Caro Anónimo,
Grato pela correcção. Foi uma distracção. Porém não se trata de um erro ortográfico mas sim de um erro de sintaxe. Não posso deixar de referir, já que se permitiu a liberdade de corrigir, e bem, o meu erro que "tou" não existe, salvo melhor opinião, na língua portuguesa.
17.Dezembro.2007
... : ANÓNIMO
Jaime Roriz:

Sou o 1ª anónimo. O tal que não percebeu a ironia do seu texto.

E também não percebo muito bem que país é que vive quando diz que

"A verdade é que o cidadão que queira arranjar um advogado vê-se em palpos de aranha. Experimentem tentar arranjar um advogado sem recorrer a amizades .... Vão ver como é difícil." Mas adiante...

Como reconhece, está, de facto, longe de perceber o que é ser Advogado (assim mesmo, com maiúscula). Portanto o que escreve, apesar de totalmente desprovido de sentido, tem essa atenuante.

Aconselho-o a ler "Iniciação à Advocacia" de António Arnaut. No final nos dirá se ainda lhe apetece fazer comparações desse teor.

Uma nota final: Não percebi muito bem a pergunta de querer voltar à CRP de 1976. Ou eu estou a ler mal ou alguém deveria ter chumbado a Direito Constitucional...
17.Dezembro.2007
... : Jaime Roriz
Caro anónimo,
A constituição de 1976, nomeadamente a constituição económica, impunha que algumas actividades fossem monopólio do estado. Dessa forma resultava que não havia concorrência o que levou ao depauperamento do país. As sucessivas alterações constitucionais repuseram a livre concorrência.
A minha aprovação a direito constitucional talvez tenha resultado da boa vontade do professor Gomes Canotilho que lá achou que eu sabia o suficente da matéria. E quem sou eu para discordar dele ?
18.Dezembro.2007
... : Mário Rama da Silva
Jaime Roriz,

Não sei se há excesso de Advogados. O que é inegável é a existência de um excesso de cursos de Direito, ministrados sem qualquer qualidade e que só surgiram porque eram de baixo investimento, tal como os de Gestão, convertendo-se num bom negócio, apadrinhados por sucessivos governos, com uns poucos doutores que se deslocam à velocidade do TGV, com prejuízo da actividade docente e o resto recrutado ali mesmo ou entre ex-governantes.
Ao contrário da Ordem dos Engenheiros, que tem o poder de reconhecer os cursos que dão acesso à profissão, a Ordem dos Advogados tem o obrigação de se assegurar da qualidade académica de quem pretende exercer a profissão. E quanto mais exigente for melhor para todos, incluindo os clientes dos Advogados.
A não ser assim correrão o risco de andar de medíocre em medíocre, porque os há, à espera que o mercado e a concorrência façam tal serviço e já se viu que, na generalidade dos casos, a concorrência nunca funcionou e a quantidade nunca foi garantia de qualidade.
Não concordo com o "numerus clausus", nem no ensino superior, mas também não concordo com a falta de qualidade e selectividade deste.
Continuo a não perceber, tal como o anónimo, a relação da Constituição de 1976 com o exercício da Advocacia, mesmo após a sua explicação. Será novamente uma ironia subtil?
Só uma nota pessoal: no meu tempo, no Palácio dos Condes de Redondo, havia a Escola Primária n.º 49, onde aprendi muito com um excepcional professor.
18.Dezembro.2007
... : Ana
ideias românticas, quem não as têm? Jaime, acabe lá o curso, venha até ao mercado, deixe-se ficar cinco anos por cá e depois falamos.
18.Dezembro.2007
... : acácio
Rio-me das petições iniciais de alguns advogados. Rio-me de não se queixarem ao Tribunal Europeu por causa dos processos nacionais que violam a Convenção Europeia dos Direitos do Homem. Tudo por ignorância. Rio-me quando não sabem raciocinar. Choro porque foram enganados quando andavam nas faculdades, pois nem todos têm trabalho. Choro porque um cavador ganha mais que eles. E é mais bem respeitado. Ando nisto há 30 anos.
18.Dezembro.2007
... : Zé
70 euros por mês??????????
18.Dezembro.2007
... : Grande Manitu
Como já aqui escrevi, o que existe e existiu nos últimos anos é um excesso de faculdades de direito e de recém licenciados em direito. Sobre este problema ninguém fala, pois a ninguém o convém.
Não faz sentido falar-se em excesso de advogados pois, sendo a advocacia uma profissão liberal, a ela devem aceder todos os licenciados em direito, sem quaisquer restrições nem numerus clausus.
Estiveram calados quando as comportas foram abertas, agora estão alarmados com a cheia e querem dizer à água para voltar para trás.

É difícil saber-se se há excesso de advogados. Considerando a actual confitualidade social e económica e as formalidades e burocracias a que as pessoas e empresas estão sujeitas, quase que apetece defender a criação da figura do "advogado de família" e do "advogado da empresa". Porém, esta expectativa é gorada pelo processo em curso da privatização e administrativação da justiça e pela falta de resposta (e pelas más respostas) que a justiça dá aos problemas das pessoas, o que provoca um crescente afastamento das populações dos tribunais.
Ao que acresce que é o próprio poder político que aposta neste afastamento, para contenção de despesas.
Este divórcio do povo com a justiça, aliado a fenómenos de procuradoria ilícita e à crise económica (as pessoas não têm dinheiro para pagar a advogados) aumenta grandemente a tendência que existe para o excesso de advogados, que, de outra forma, seria atenuado.
18.Dezembro.2007
... : Santos
Grande Manitu:
Não existem advogados a mais mas há demasiadas faculdades de direito ? Isso signifca que a solução seria fazer um numerus clausus às faculdades de direito ? E porque não aos cursos do secundário já agora ? Ou mesmo à instrução primária ?
18.Dezembro.2007
... : PROACTIVO
há advogados a mais por culpa da o.a. e do bloco central.
bons advogados são poucos.
o mal está feito.

coitado do povo...

18.Dezembro.2007
... : Grande Manitu
O comentário do Santos é disparatado, ao colocar no mesmo saco o ensino básico, secundário e o superior, pelo que me dispenso de responder.
Aliás, a minha opinião sobre o ensino do direito em Portugar já foi suficientemente expressa noutros comentários desta revista.
19.Dezembro.2007
... : ALBERTO CANCELINO : http://www.meritocracia.blogspot.com
"O homem é o único ser humano que tem consciência da morte, mas age como se fosse imortal"
Sou colega do Jaime, da "privada"...
Sou assumidamente estúpido, raciocino mal, verbalizo demasiado e com muitos erros. Não obstante, "não devo, não temo e não minto":
- Ao longo da minha vida, cansei-me de assistir impávido ao emergir de vigaristas, aos seus discursos e às suas acções;
- A conceber pessoas brilhantes, quer pelos seus discursos, quer pelas suas acções; desisti, não existem, muito menos nas cátedras;
- Uma coisa vos garanto, Srs. doutores, nunca, se me derem oportunidade, "pedirei justiça!"; ao invés, procurá-la-ei com todas as minhas forças, sempre, desde sempre, para sempre, porque sou assim, e assim continuarei a ser;
- Seguindo a minha Lei Moral, porque não encontrei outra melhor - Prof. Castanheira Neves, o que eles fizeram, no que eles se tornaram! - nas pessoas;
Vou terminar!
Mas que raio, agora estão preocupados com a minha subsistência?
Por outro lado, estão preocupados com a qualidade dos serviços prestados?
Mais grave: Com a dignidade e consciência de classe?
R: Acho que esse paternalismo exacerbado e esses falaciosos apelos à responsabilidade - no fundo, à dignidade humana - social que a Ordem dos Advogados deve assumir, já não colhe, CADA UM VALE POR SI, E RESPONDE PELO QUE FAZ, DEIXEM-SE DE GENERALISMOS, gentalha!
Não diminuam a capacidade do ser humano, nomeadamente no que toca a fazer escolhas, ou será que: não ficaram cansados de Salazar e do seu corporativismo?
Tampouco foram os recentes, muito menos os futuros, que sustentaram a imagem pública do ofício - tenham vergonha -, irresponsabilidade foi o que aconteceu até agora, e é isso que o xadrês político ? o vosso - , manipulador pretende eternizar.
Nota 1: Não escrevo mais, porque dou muitos erros, sou da "privada", burro que nem um tamanco e não quero maçar os Srs. Brilhantes.
Nota 2: Jaime, o Prof.? Gomes Canotilho apenas apareceu por lá, uma ou duas vezes, sejamos nesse ponto honestos, mas mais valia nem lá ter aparecido, interrompeu o programa da cadeira (Jonatas Machado) - como disse, estou farto de pessoas brilhantes ? deixo claro que quando me refiro ao Prof. Gomes Canotilho, apenas estou a criticar o facto de permitir que lhe tomem ?emprestado? o nome; também sei que isso não acontece só nas privadas. Ainda, prefiro um bom pedagogo que um escriba a metro.
Alberto Cancelino

19.Dezembro.2007
... : Afonso II : http://Braga
Dr. Alberto Cancelino: Li o seu blog e gostei de saber a sua posição. Deu para perceber que afinal o maior consumidor de brilhantina não eram os outros.
Gostei sobretudo da frase onde o Sr, em nota 2, aconselha o Jaime a ser honesto em determinado ponto e os outros pontos?
Fez-me até lembrar uma história de um apresentador de TV, onde entram os bofias, os cotas do tricôt e aqueles que saiam de serviço e estavam com umas vontades...
A privada é outra loiça!
Boas Festas.
22.Dezembro.2007
... : Alberto Cancelino : http://www.meritocracia.blogspot.com
Tenho a certeza que o Sr. Afonso II - O gordo? o crasso? - quererá rectificar o seu comentário, bem como decifrar-me as analogias que faz, designadamente, a questão do "consumo de brilhantina" e o 3.º parágrafo.
Sabe, sendo da "outra louça" tenho dificuldades acrescidas.nas deduções...
Não me chame Dr., porque não sou, e creio que nunca o serei!
Honesto, claro que sim, embora não seja crível que V. Exa. não tenha entendido o contexto em que se insere o artigo do JAIME RORIZ...
De qualquer modo, pode ser que aconteça uma revolução, e haja passagens de ano administrativas e notas votadas pelos pares, enfim... seja salva a honra do Convento do Palácio dos Condes do Redondo, e afins...
Mas não se preocupem, eu conheço um escritório de advogados, duns amigos tresmalhados, que sempre facilitam a entrada na ordem! Ups...
Esqueci-me que sou da outra louça, e o anúncio do Expresso exclui-me.
Resta-me a Faculdade de Direito de Bissau! ai...
Quem contrata é a louça! (não a outra)
Estou tramado, deveria ter investido os 15000? na edição do manual "Cábulas - comemoração dos xxx anos da Faculdade de direito de Lisboa".
Já agora: sempre estou para ver se até eu consigo ser advogado. Mais, sempre quero ver qual a posição da (des)ordem, no caso de eu decidir, ao invés da luxuosa mármore do Saldanha Residence, abrir escritório num interior de um Bairro dito problemático, entre habitações ditas barracas!
Será que vou também ser criticado e eventualmente sancionado como a Dra. Sofia Almeida Ribeiro. Viva a (des)ordem: Nela se decide quem pode, onde pode, como pode e o que pode. Viva à "só" vossa interpretação do artº 37º/1 da CRP!
Viva as "só vossas" medidas que visam a concretização "efectiva" do acesso ao direito - desde que se realize na Av. da Liberdade ou onde o metro quadrado supera aquilo que eu ganho num ano.
Viva Portugal!
Bom Ano!



28.Dezembro.2007
... : WAM
Onde se pretende chegar com este artigo?

Pretender-se-á afirmar que afinal de contas há advogados a menos?

Se assim o é, dá um óptimo artigo humorístico!

O que significa:
"A verdade é que o cidadão que queira arranjar um advogado vê-se em palpos de aranha".

Com o devido respeito, será que o escritor deste artigo está a referir-se à realidade portuguesa?

A meu ver não!


03.Janeiro.2008
... : Jaime Roriz
Caro WAM,

Já tive necessidade de arranjar um advogado (arranjei e estou muito mal servido) e recusei-me a recorrer a amigos e conhecidos por razões óbvias (sim, é um axioma) e digo-lhe que tive imensa dificuldade. Se quiser fazer a experiência comigo ( Este endereço de email está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email ) é só dizer que lhe demonstro imediatamente a grande dificuldade.
Comecei por contactar a Ordem que me respondeu que não podia indicar nenhum advogado pois não pode favorecer os seus associados. Fui à lista da OA e comecei a contactar ao calhas. Enviei uns 20 mails e não recebi uma unica resposta. Depois usei as paginas amarelas e recebi uma unica resposta que queria apenas saber se eu a tinha mesmo encontrado nas páginas amarelas - pois em 20 anos de profissão nunca tal lhe tinha acontecido - mas que não tinha disponibilidade para o meu caso. (Uma acção executiva de 3500 Eur). Por fim contactei uma sociedade de advogados que muito simpaticamente me telefonou dizendo que para analisarem o caso eu teria que fazer um deposito de 1500 Eur. Feitas as contas para receber 3500 Eur teria que gastar uns 4000. Lá continuei a telefonar (um a um) e a enviar mails para a lista de advogados da OA e por fim recebi uma resposta positiva de um advogado que em dois anos a unica coisa que fez foi consultar o processo. Os 3500 Eur viste-los. Enfim e eu até me acho um rapaz desenrascado. Como finalista de direito ainda vou ser eu a tratar do caso. Pode ser que o numerus clausus não me apanhe.
06.Janeiro.2008
... : WAM
Caro Jaime Roriz

Obrigado pela explicação que teve o cuidado de aqui explanar para melhor compreender-moso caso em questão.

É que tudo o que disse não atesta que existem advogados a menos, até pelo contrário.

Parece que não teve nenhuma dificuldade em contactar com diversos advogados. Você contactou-os e e eles só não lhe responderam porque não estão interessados, ou não lhes covém profissionalmente intentar tal acção executiva.

Na minha opinião o seu problema reside no tipo de acção que quer propor, que como você próprio afirma, parece não " valer a pena".

É óbvio que pode ter toda a razão no crédito que alega, mas também é normal que um processo tenha os seus custos, e por vezes um advogado não pode/quer cobrar os honorários devidos pelo facto de o próprio cliente poder ficar a perder com a acção. Ele poderá pagar mais pela acção do que o que tem a receber.
E os advogados não são obrigados a aceitar todos os casos!

Para além disso os advogadosnão podem "dar" a única coisa que têm para "vender".

Mas repare, esta questão não têm a ver com a falta de advogados...

Tem a ver com a falta de advogados, que querem patrocinar a sua acção ,nos moldes que traçou.

Relativamente à questão do "numerus clausus" estou de acordo consigo (e com o seu sarcasmo) e se quiser saber a minha opinião no que respeita a essa matéria, poderá consultar neste site os comentários ao artigo no qual escreve o ex-bastonário Dr. José Miguel Júdice.


Desejo-lhe as maiores felicidades para o seu curso e espero poder contar com mais artigos seus, para podermos todos discutir como vai a Justiça neste nosso Portugal.


07.Janeiro.2008
O numerus clausus não vai resolver nada, pois se já existem demasiados advogados, então há que "separar o trigo do joio". Será que voltamos ao tempo do Tribunal da Santa Inquisição?
Não acredito, além do mais, o "numerus clausus" é uma medida injusta para as novas gerações, porquê culpar os mais novos da irresponsabilidade dos mais velhos? Ou será que estes pretendem criar a sua Coutada Privada de possível Clientela?
10.Janeiro.2008
... : alumia
falam falam...mas de concreto ou palpável...nicles...
Deixemo-nos de retórica e sejamos pragmáticos...ideias sim ideiais para quê! Já basta o D. Quixote...e os seus moinhos de vento
30.Janeiro.2008
... : Anónimo2
Li os comentários todos e como ando no estágio da ordem, sei as dificuldades que nos impõem até alcançarmos o tão desejado sonho de obter a cédula profissional de advogado....penso que são muitos os exames....e repetitivos....questiono-me se são mesmos necessários???? tenho amigos que vão repetir a 2ªfase, alguns iniciaram há 3 anos....chumbaram no exame escrito de agregação....e agora vão ter mais 24 meses pela frente..... Sabendo-se que antigamente os exames da ordem eram do estilo americano de marcar com x....e todos obtinham boas médias, 18, 19 e 20. E pensar que os que lá estão hj que tiveram no passado este tipo de exame ou mesmo não fizeram exame algum, que agora querem impor aos outros colegas um acesso mais dificuldado à ordem. Tive uma colega espanhola que ficou chocada com o nosso sistema, isto porque em espanha tão logo se licenciam, a seguir já se inscrevem logo na ordem....porque não vamos buscar outros exemplos ???
17.Fevereiro.2008
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