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O Procurador-geral da República critica o novo regime de vínculos,
carreiras e remunerações da função pública, que inclui juízes e
magistrados do Ministério Público lado a lado com os restantes
funcionários públicos. Pinto Monteiro diz que não aceitará "ser um
procurador-geral dependente do poder político" e fala em "sinais de
perigo" para a "autonomia do Ministério Público".
Em entrevista
publicada hoje na revista Visão, o Procurador-geral da República diz
mesmo que "a primeira vez" que leu o regime em causa pensou "que
tivesse sido uma distracção do Governo, mas agora vejo, com grande
espanto, que a prazo pode pôr os magistrados ao nível dos funcionários
públicos". Um regime que será "o fim da independência dos tribunais,
pois os funcionários públicos dependem da tutela ministerial".
O
diploma chegou ontem a Belém para ser analisado pelo Presidente da
República. Toda a oposição e sector da justiça aguardam um veto de
Cavaco Silva, que trave o que apelidam de "funcionalização" dos juízes
e magistrados. Ainda assim, ontem, em reacção às palavras de Pinto
Monteiro, o Presidente disse apenas que agora é o seu "tempo" e que tem
oito dias para decidir se envia a lei para o Tribunal Constitucional e
20 dias para promulgar ou vetar. Sobre as palavras do Procurador não
quis comentar, alegando que "nunca" falou de leis que "estão a ser
objecto de análise" em Belém.
Se Cavaco promulgar, Pinto Monteiro
considera que, a partir da entrada em vigor da lei, tal como está, os
magistrados "recebem ordens como o funcionário das Finanças que
responde perante o seu chefe que, por sua vez, reporta ao ministro".Para
o Procurador, a autonomia do Ministério Público pode ser reduzida "a
pouco e pouco", colocando-o "num compartimento cada vez mais pequeno".
Daí os "sinais preocupantes, como o da lei que foi aprovada sobre o
vínculo à função pública dos magistrados".
Pinto Monteiro acabou por
vir juntar-se assim aos partidos da oposição e aos sindicatos e
associações do sector, que continuam a apontar o dedo à lei de
vínculos, carreiras - e remunerações. Fernando Negrão, do PSD, vê as
declarações de Pinto Monteiro como as de "um magistrado quando sente
ameaçada a sua independência".
A alteração que o PS irá introduzir hoje
no Orçamento do Estado é para Negrão a prova de que os socialistas
"perceberam que erraram e querem emendar esse erro". Para Mota Soares,
do CDS, o regime "é uma aberração jurídica" que "põe em causa a
independência dos juízes e magistrados do Ministério Público e a
separação dos poderes".Na defesa do Governo e do PS veio Ricardo
Rodrigues. O deputado do PS diz que "é tudo um equívoco". "Não
aprovamos o regime de vínculos, remunerações e carreiras com a intenção
de que nos acusam: atacar a independência do poder judicial e dos
tribunais". Ontem, o Ministério da justiça considerou "prematuro"
comentar a entrevista de Pinto Monteiro.
DIÁRIO ECONÓMICO | 22.11.2007
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