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12-Dez-2007 |
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Os portugueses já há muito que sentem na pele (e no bolso) a ditadura
do défice que, dia após dia e desde há já bastante tempo, lhe vem
sugando as carteiras e as condições de vida até ao tutano. Com efeito,
o nível e a qualidade de vida dos portugueses (não de todos, claro!) há
muito que vêm pagando um elevadíssimo preço por força e em nome do
cumprimento do tão apregoado défice.
Sistematicamente, o Governo vem a
público proclamar e defendera necessidade dos inúmeros sacrifícios por
parte dos portugueses (claro que não por parte de todos: bancos;
grandes empresas; administradores; etc.), sacrifícios esses que o
Governo e os governantes consideram ser algo de todo necessário e sem
volta a dar, pois é preciso a todo o custo reduzir o défice e pôr ordem
nas contas públicas. Por isso, a obrigatoriedade de tantos "cortes nas
despesas", de tantos "sacrifícios" e de tanto "apertar do cinto" por
parte do zé-povinho.
Por conseguinte, e como pessoa honesta e de bem, o
Governo assume tal desígnio e dá honroso exemplo: o ministro da Justiça
acaba de comprar cinco automóveis topo de gama, cinco limusinas; o
negócio, sem incluir o imposto automóvel, rondou um valor global de 176
mil euros (35 mil contos em moeda antiga)! Assim, sim! Assim, o
zé-povinho até compreende os sacrifícios necessários para combater o
défice.
MANUEL BENTO | JN | 12.12.007
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