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Democracia amordaçada criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
08-Mai-2008
Cansa, definitivamente, a obsessão do Governo em diminuir a real autonomia do Ministério Público. Artigo de Opinião da autoria de Paula Teixeira da Cruz.

São hoje votadas no Parlamento as novas leis de Segurança Interna e de Organização e Investigação Criminal, que reflectem de forma clara a incapacidade do Governo de entender a separação de poderes e os limites entre Poder Político e Administração Pública. A alternativa é a intencionalidade - ainda que enquanto meio - de subverter princípios adquiridos para reforço e aperfeiçoamento das democracias. Só a esta luz se compreende que se crie um sistema integrado de segurança interna (o que é lógico), com um secretário-geral equiparado a membro do Governo, a secretário de Estado (o que é ilógico) e responsabilidades de coordenação da segurança interna semelhantes ao secretário-geral do Sistema de Informações (mais confusão institucional). Acrescente-se o enquadramento da Polícia Judiciária na segurança interna - nos termos em que o está - e que representa uma confusão óbvia, pois não só a Polícia judiciária é um órgão de investigação criminal a requerer uma imediata sujeição ao Ministério Público e não o recorte legislativo que a proposta de lei lhe dá, a permitir a intromissão do poder político na investigação criminal. Em processos concretos, por muito que se venha a dizer o contrário.

Quanto às medidas de polícia especiais e ao prazo de validação judicial de 48 horas, fazem temer pelo núcleo de direitos, liberdades e garantias (entendo, por exemplo, que é inconstitucional a inibição de difusão de comunicações, tal como está). Não por acaso a reacção da Amnistia Internacional foi uma reacção fortemente negativa.

A leitura da Lei de Segurança Interna e os termos em que a Polícia judiciária vem ‘enquadrada’ permitem compreender, sem a justificar, a afirmação de Alípio Ribeiro de que a tutela da Polícia Judiciária deve passar para o Ministério da Administração Interna (se assim for…)

E, finalmente, cansa, definitivamente, a obsessão do Governo em diminuir a real autonomia do Ministério Público, desta vez com mais um esvaziamento das suas funções (já não bastava a indefinição desta magistratura no novo mapa judiciário).

Quando se perde o sentido dos limites e o fundamento das instituições, põe-se em causa a qualidade da democracia, que já não é brilhante. Ou então o que se quer já não é bem uma democracia. O Governo, é evidente, quer uma democracia tutelada ou, convenientemente, uma democracia amordaçada. Mansa.
 
PAULA TEIXEIRA DA CRUZ | CORREIO DA MANHÃ | 08.05.2008 
Comentarios (3)add
... : kkk
mmm estranho...
será por causa do bcp...?...
08.Maio.2008
... : Hi-Hi-no-Havai
Paula Teixeira da Cruz é a quarta jurista mais bem paga do País em pareceres e apoio jurídico. Diz a donzela que a qualidade da nossa democracia não é brilhante...
09.Maio.2008
... : Um Juiz desiludido
Por mim digo apenas isto: não percebo porque é a Dr.ª Ferreira Leite, que não tem uma linha de idéias políticas, a concorrer para SG do PSD! O que a Dr.ª Paula Teixeira da Cruz escreve, pode merecer concordância ou o seu oposto, mas é plítica pura e dura. Sr.ª Dr.ª, porque espera?
12.Maio.2008
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