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«(...) Não se compreende é que o Secretário de Estado da Justiça não seja
capaz de assumir as responsabilidades do Governo pela situação que foi
criada, declarando pelo contrário que as agressões nada têm a ver com
as instalações provisórias arranjadas pelo Governo. (...) Se há coisa que tem caracterizado este Governo, (...) é um desprezo
absoluto pelo funcionamento do sistema de justiça e pelas condições de
trabalho dos operadores judiciários».
O anterior edifício do Tribunal de Santa Maria da
Feira estava em risco de ruína iminente, colocando em perigo de vida os
magistrados, advogados e funcionários que lá trabalhavam.
Por
esse motivo, o Governo viu-se forçado a encerrá-lo, mas manifestamente
que se limitou a arranjar instalações provisórias que não satisfazem os
mínimos requisitos de segurança.
Por esse motivo, há dois magistrados que no fim de um julgamento acabam agredidos pelos arguidos que acabaram de condenar  .
Trata-se
de uma situação gravíssima, não só pelos danos causados aos
magistrados, mas também pela imagem da justiça, que fica pelas ruas da
amargura perante situações desta natureza.
Compreende-se por isso perfeitamente que os magistrados desse Tribunal tenham decidido suspender as diligências até serem arranjadas novas instalações  .
O
que já não se compreende é que o Secretário de Estado da Justiça não
seja capaz de assumir as responsabilidades do Governo pela situação que
foi criada, declarando pelo contrário que as agressões nada têm a ver
com as instalações provisórias arranjadas pelo Governo, mas antes com "a reacção a uma sentença [que] não tem a ver com o local em que a mesma ocorreu ".
Parece
que o Secretário de Estado acha que não é de esperar que os arguidos
reajam à condenação em penas de prisão, pelo que será irrelevante o
lugar onde as sentenças são proferidas. Tanto faz que o sejam num
Tribunal em risco de ruína, como num quartel de bombeiros, como até ao
ar livre. Quem quiser que chame a polícia.
Se
há coisa que tem caracterizado este Governo, desde o primeiro discurso
do Primeiro-Ministro sobre as férias judiciais, é um desprezo absoluto
pelo funcionamento do sistema de justiça e pelas condições de trabalho
dos operadores judiciários. O que mais faltará ainda acontecer para que
esta situação se altere?
LUÍS MENEZES LEITÃO | BLOGUE LEI E ORDEM | 26.06.2008
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