|
As crianças em risco que estão enquadradas em instituições vão poder
contar a muito breve prazo com uma nova medida de protecção, a meio
caminho entre a família de acolhimento e a adopção plena. A nova figura
jurídica, que está a ser estudada pelo Observatório da Adopção, está já
na sua fase final de elaboração e, segundo o DN apurou, será
apresentada na próxima semana ao grupo de peritos que colaborou no
projecto.
O objectivo é criar uma família de acolhimento duradoura, a que os ingleses chamam family for life
(família para a vida), em que a criança possa ser inserida de forma
estável, mas sem romper definitivamente os laços afectivos com a
família biológica, a não ser que tal se mostre absolutamente
necessário. Ao abrigo desta figura, as crianças poderão ser integradas
numa nova família, que terá direitos de tutela, mas continua, por
exemplo, a fazer visitas sociais aos pais biológicos.
"Sentiu-se a necessidade de uma nova figura, na medida em que se chegou
à conclusão de que os instrumentos existentes, como a família de
acolhimento tal como é hoje e a adopção, não estão a ser suficientes
para retirar as crianças das instituições ou impedir que elas cheguem a
lá entrar", disse ao DN o presidente do Observatório da Adopção,
Guilherme Oliveira. As famílias de acolhimento tradicionais são, na sua
génese, medidas de protecção transitórias, enquanto a situação das
crianças não está resolvida, mas não visam a adopção.
Prova disso mesmo constitui o facto de cerca de 12 mil crianças estarem
actualmente institucionalizadas, sendo que uma parte substancial das
mesmas não tem a sua situação jurídica resolvida - nomeadamente o
consentimento dos pais biológicos - para poder avançar para um processo
de adopção plena.
Guilherme Oliveira observa que, apesar de já existir no Código Civil a
figura da adopção restrita, "é algo que não pegou, talvez por ser
demasiado parecida com a adopção plena e pela circunstância de os
candidatos a pais adoptivos manifestarem algumas reservas em dividir as
crianças com os pais biológicos".
Para a secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, Idália Moniz,
trata-se de mais uma medida complementar para reforçar a protecção das
crianças em risco.
Também a presidente executiva do Instituto de Apoio à Criança, Dulce
Rocha, apoia a iniciativa, porque "as situações da vida são muito pouco
lineares e as medidas têm de ter flexibilidade, pelo que quanto mais
possibilidades diferentes melhor". Aquela magistrada observa que,
"muitas vezes, as crianças vão parar às instituições vítimas de
agressões das quais as mães não são directamente responsáveis, e
continuam a ser muito afectivas, pelo que é violento condenar uma mãe a
romper definitivamente com o seu filho".
DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 28.03.2008
Comentarios () |
|
|
|
|
|