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O
Bastonário da Ordem dos Advogados é o Pedro da história criada por
Prokofiev, afirmando que temos um Lobo entre nós, que não nomeia nem
identifica. O
pior é que, quando o verdadeiro Lobo surgir, ninguém vai acreditar
no jovem Pedro e este conseguirá, em muito pouco tempo, destruir o
quociente de credibilidade que outros demoraram a anos a criar.
Nos
últimos anos e, a propósito dos problemas da administração da justiça
em Portugal, verificou-se um ambiente de algum consenso e de serenidade
na discussão dos problemas e na procura de soluções, em particular
junto de todos aqueles que trabalham nos tribunais (magistrados judiciais
e do Ministério Público, advogados, solicitadores e funcionários
judiciais).
Os
problemas são bem conhecidos e melhor identificados e, nalguns aspectos,
apenas varia a visão que cada um dos profissionais do foro tem sobre
o modo de resolução dos mesmos, sendo certo que, nas questões relacionadas
com a administração da justiça, não existem soluções milagrosas
e rápidas pois tudo tem o seu tempo.
Se
recordarem as notícias de alguns meses atrás sobre as questões relacionadas
com a justiça e os tribunais, evidencia-se melhor esta conclusão
Contudo,
há poucos meses e provindo apenas de uma única fonte, tem sido introduzido
um “ruído” excessivamente elevado em questões que pouco ou nada
têm que ver com a administração da justiça.
Afirmar
que não existem problemas na administração da justiça seria “esconder
a cabeça na areia”, pois estes existem mas, com toda a certeza, não
é possível afirmar que têm os contornos que afirma o actual Bastonário
da Ordem dos Advogados, tanto mais que se limita a afirmar generalidades
e acusações sem concretizar onde ocorreram ou onde tiveram lugar.
Quem
quer justificar o cargo que ocupa e melhorar a administração da justiça
em Portugal não pode fazer como o jovem Pedro que, de tanto enganar
os seus vizinhos com a chegada de um pretenso lobo, quando este realmente
apareceu, ninguém lhe ligou e veio a ser devorado.
O
problema não está em saber quando é que o Bastonário da Ordem dos
Advogados terá contacto com o verdadeiro lobo que assola a justiça
portuguesa mas, se este existe, o Dr. António Marinho Pinto tem o dever
deontológico e moral de o denunciar, embora sem o recurso a generalidades
e acusações gratuitas que apenas empobrecem o respeito e a consideração
que deve existir entre advogados e magistrados (e que, felizmente, não
tem sido minimamente beliscada com esta atitude do Bastonário).
O
verdadeiro problema estará na falta de credibilidade quando esse lobo
surgir pois, nessa altura, nem o próprio Pedro conseguirá provar que
o mesmo existe e tem nome.
Comparar
alguns magistrados judiciais a agentes da PIDE/DGS não fica bem a quem
se afirma democrata e exibe os “pergaminhos” de perseguido político
durante o Estado Novo pois era justamente esse um dos métodos utilizados
para lançar o descrédito sobre os opositores a esse regime.
Disparar
na direcção das associações sindicais dos magistrados (ainda por
cima confundindo os juízes, titulares de órgãos de soberania, com
os magistrados do Ministério Público que não detém esta qualidade)
também não fica bem a quem se afirma defensor dos direitos, liberdades
e garantias, para mais quando uma das conquistas do Estado de Direito
democrático é, muito justamente, a liberdade de associação sindical.
Com
toda a certeza, encher os tempos de antena dos jornais, das rádios
e das televisões com generalidades e acusações não concretizadas
também não ajudará a resolver os problemas da justiça portuguesa
e, enquanto isso, o Lobo ficará à solta, livre para dizimar a vida
e o património dos habitantes desta aldeia.
Mas
isso não é coisa que preocupe o jovem Pedro.
DR. ANTÓNIO JOSÉ FIALHO | 12.07.2008
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