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Um bastonário que não resiste ao mediatismo |
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28-Jun-2008 |
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Alguém devia lembrar ao bastonário da Ordem dos Advogados que a regra
número um para quem está metido num buraco é parar de escavar. Marinho
Pinto tem o coração ao pé da boca e não sabe distinguir entre o que
pode dizer numa cavaqueira de amigos e o que deve dizer quando lhe põem
à frente microfones à saída de uma reunião com uma comissão parlamentar.
A
imagem do elefante em loja de porcelanas é demasiado branda para
ilustrar a atitude do bastonário ao responsabilizar "a acção
perniciosa" dos sindicatos da polícia pelo aumento da criminalidade.
Antigo jornalista, Marinho Pinto ocupou o palco ao alimentar a
comunicação social com declarações que ele sabe serem matéria prima
apreciada nas redacções. Por isso, não deixa de ser irónico que acuse
os polícias de se atropelarem uns aos outros na investigação criminal ,
numa corrida "para ver quem sai em primeiro lugar nos telejornais".
Em
meio ano no cargo, o bastonário disparou em todas as direcções.
Declarou guerra aos juízes, aos grandes escritórios de advogados, à
polícia, aos sindicatos e a José Miguel Júdice. E tornou públicas
posições heterodoxas sobre casos quentes como a violência doméstica e
Vale Azevedo.
Um populista e rei do politicamente incorrecto
na cadeira de bastonário dos advogados é a última coisa de que
precisava um país em que os juízes são agredidos por arguidos
desagradados com as sentenças, em que metade dos advogados reconhece
que a população tem uma má imagem deles e em que 90% dos tribunais não
têm policiamento permanente.
EDITORIAL DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 28.06.2008
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