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«(...) Isto o que é? Não é uma pessoa,
não é um político, não é um ente reconhecivelmente humano. É uma
montagem publicitária: polida, vácua, inócua. O herói de plástico, uma
invenção. É José Sócrates, o primeiro-ministro».
«Deixou de fumar, começou a fazer
jogging, agora corre a meia maratona. A saúde conta. Não é autoritário,
nem reservado, nem austero, nem arrogante, é firme. A firmeza vem da
vontade, a vontade vem da convicção. É um português que serve. Gosta
mais, de resto, de servir o país nos momentos difíceis do que nos
momentos fáceis. Não fala, santamente, de sacrifício. Fala, santamente,
de missão.
É fiel à sua missão e não pretende outra recompensa. Sofre
por vir nos jornais; como o outro, não gosta de "ser falado". Viveu
sempre dividido entre a acção e "a contemplação e o pensamento".Há,
dentro dele, um "permanente paradoxo". A política, no fundo, não passou
de "uma soma de casualidades". Mas dará sempre "o melhor de si". Quem
não ficará extasiado com este exemplo?
Um
homem de família, um homem simples, que tenta ver os filhos:
disciplinadamente. Um homem tolerante. Ouve as críticas. Respeita a
opinião alheia e espera que respeitem a dele. Quando não está de
acordo, não está: e não esquece que foi escolhido pela maioria do povo
para "cumprir" o "melhor" para esse povo. "Muito obsessivo com o
trabalho", não se considera um workaholic. Tem pena de não ler, por
falta de tempo. No Verão, lê "obsessivamente", impelido talvez pelo seu
lado contemplativo e de pensamento. Este Verão, leu três livros, dois
livros de história e um romance. Admira Ortega y Gasset, "um bom
filósofo", que "escreve bem". Quanto a poetas, não admira nenhuma
personalidade viva, com a presumível excepção de Manuel Alegre, de que
retira um indescrito "prazer".
Acredita
que nada impede Portugal de se tornar um "país moderno, competitivo,
com uma boa educação e com protecção social". Quer um Portugal "aberto
e dinâmico". Acha Portugal "muito aberto". Reafirma que é de esquerda,
como provam a Lei do Aborto e as leis da paridade e da procriação
medicamente assistida. Pensa que a perspectiva socialista é a de "pôr o
Estado ao serviço dos mais pobres". Sabe que ainda existem bolsas de
pobreza. Insiste em que os países que controlam o défice são mais
livres. Mais democráticos.
Isto
o que é? Não é uma pessoa, não é um político, não é um ente
reconhecivelmente humano. É uma montagem publicitária: polida, vácua,
inócua. O herói de plástico, uma invenção. É José Sócrates, o
primeiro-ministro».
VASCO PULIDO VALENTE | PÚBLICO | 09.12.2007
José Sócrates e Durão Barroso na Cimeira EU/África. Foto: (c) Público, 09.12.2007
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