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«Pinto Monteiro terá uma relação de veneração pelo senhor ministro da
Justiça. Mas o senhor ministro da Justiça veio agora desapontá-lo,
ridicularizando-o publicamente, ao dizer que ele estará equivocado ou
«por desconhecimento» ou por «atrevimento» (sic) se pensa que o Governo
não respeita a autonomia do Ministério Público. Durante muito tempo os
magistrados do MP tentaram que o PGR tomasse as suas distâncias face ao
poder político. Pinto Monteiro entrou numa pose de complacente
contemporização. Agora, pode ser que aprenda como é o poder político:
primeiro perderam-lhe o medo, agora perderam-lhe o respeito».
JOSÉ ANTÓNIO BARREIROS | Patologia Social | 22.11.2007
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Ministro da Justiça considera que PGR pode estar "equivocado" quanto à autonomia dos magistrados
O
ministro da Justiça assegurou hoje que o Governo respeita a autonomia
do Ministério Público, sublinhando que, se o procurador-geral da
República (PGR) pensa o contrário, trata-se de um "equívoco" que
resulta de "desconhecimento" ou "atrevimento"."O Governo
respeita a Constituição e a autonomia do Ministério Público e não tem
nenhum plano para solicitar a revisão da Constituição", disse Alberto
Costa sobre uma entrevista à revista Visão de Pinto Monteiro, na qual o
PGR diz "haver alguns sinais de que pode estar em perigo a autonomia do
Ministério Público".
A propósito do diploma sobre vínculos,
carreiras e remunerações na Função Pública, que abrange os juízes e os
magistrados, Pinto Monteiro afirmou que "começa a haver alguns sinais
de que pode estar em perigo a autonomia do Ministério Público",
advertindo que não aceitará "ser um procurador-geral dependente do
poder político".
"A primeira vez que li aquilo pensei que
tivesse sido uma distracção do Governo, mas agora vejo, com grande
espanto, que a prazo pode pôr os magistrados ao nível dos funcionários
públicos. E isso é o fim da independência dos tribunais, pois os
funcionários públicos dependem da tutela ministerial", comenta Pinto
Monteiro.
A esse propósito, o ministro da Justiça referiu: "Não
há equiparação a funcionários públicos. Isso é um equívoco e se [o PGR]
diz isso, ou resulta de desconhecimento ou resulta de atrevimento".
O
PGR considera que, "se puserem os magistrados como funcionários
públicos, a partir daí recebem ordens tal como o funcionário das
Finanças que responde perante o seu chefe que, por sua vez, reporta ao
ministro". Neste contexto, avisa: "Não aceitarei ser um
procurador-geral dependente do poder político".
PÚBLICO | 22.11.2007
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