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Aprender com o caso do Tribunal da Feira |
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27-Jun-2008 |
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«Mal vai a justiça quando é administrada em casas sem condições de
segurança, difícil acessibilidade e problemas de climatização, onde se
treme de frio ou se destila em suor».
Andaram cadeiras pelo ar no salão dos bombeiros da Vila da Feira,
improvisado em tribunal. Os dois irmãos que estavam a ser julgados por
tráfico de droga levaram a mal terem sido condenados a penas de prisão.
Ameaçaram de morte e bateram nos juízes e mergulharam a sala numa
balbúrdia ao bom estilo dos westerns.
Se tivesse conhecimento deste e de outros episódios caricatos que
desprestigiam a justiça portuguesa, Jerry Bruckheimer, o mais
bem-sucedido produtor de séries televisivas dos Estados Unidos, não
desperdiçaria a oportunidade de os usar como matéria-prima para uma
série cómica. Ainda não há muito tempo, um arguido assaltou o edifício
do tribunal de Alijó para recuperar a droga que lhe tinha sido
apreendida.
Mal vai a justiça quando é administrada em casas sem condições de
segurança, difícil acessibilidade e problemas de climatização, onde se
treme de frio ou se destila em suor.
Um estudo da Associação Sindical dos Juízes Portugueses concluiu que
90% dos tribunais de 1.ª instância não têm policiamento e que 70% dos
edifícios carecem de obras urgentes.
O Governo anunciou um investimento de 444 milhões de euros na
modernização do sistema prisional. A decisão merece aplauso. Mas não
chega. É preciso olhar para montante. Os episódios de Vila da Feira e
Alijó gritam pela urgência de um investimento público numa rede
condigna de tribunais.
EDITORIAL DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 27.06.2008
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