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Em cada hora, pelo menos três
residências são assaltadas em Portugal. Por dia, serão mais de 60 e, no
final do ano, o número será superior a 22 mil. As médias podem ser
calculadas a partir dos dados fornecidos, ao JN, pelo Gabinete
Coordenador de Segurança, relativos às ocorrências registadas em 2007
pela PSP, GNR e Polícia Judiciária.
Contas feitas, o distrito de Lisboa foi o líder - com uma média de 13
casos por dia - tendo ultrapassado o de Faro que, em 2006, surgia no
topo dos furtos em habitações, facto que poderá ser explicado pela
grande quantidade das designadas "casas de férias" neste último
distrito. O Porto - nove casos por dia - mantém a terceira posição, com
um total de 3440 situações, ainda que tenha registado um decréscimo de
quase 500 relativamente ao ano anterior. Na região Norte, apenas Braga
e Bragança registaram aumentos, pouco significativos. Mais a Sul,
Setúbal acompanhou a tendência de Lisboa (mais cerca de 600 casos), com
um quadro negro.
A nível nacional, o assalto a residências foi um dos crimes que desceu
nas estatísticas - 22324 casos em 2007 contra os 23314 no ano anterior
- conforme foi sublinhado no último Relatório de Segurança Interna. No
entanto, continua a ter uma dimensão preocupante e que escapará ao
comum cidadão. Até porque, conforme sublinham fontes policiais, os
métodos dos assaltantes têm-se revelado mais surpreendentes, em muitos
casos com "rombos" gigantescos.
Descuidos de moradores
São cada vez mais as situações em que os ladrões actuam durante a
madrugada, enquanto os moradores dormem. Entram discretamente nas casas
e remexem as suas várias divisões sem que os residentes se apercebam.
Quando acontece um flagrante, partem para a violência.
Não raras vezes, o objectivo principal tem passado pelo furto das
chaves das viaturas, que os intrusos vão depois buscar às garagens. A
este tipo de actividade está associado o surgimento de gangues
organizados. Um deles foi desmantelado, no ano passado, pela PSP do
Porto, num processo que envolve cerca de 40 arguidos. As viaturas de
alta cilindrada, furtadas nas garagens das residências, eram os alvos
predilectos de um grupo de jovens.
O arrombamento de portas e janelas e o escalamento continuam a ser as
formas predilectas de introdução nas casas. Fontes policiais sublinham
que, em muitas ocasiões, o "descuido" dos moradores é decisiva para o
sucesso dos assaltantes. Uma janela aberta (no Verão principalmente),
uma porta por trancar ou as chaves deixadas em locais mais visíveis têm
facilitado os furtos. Seja em moradias ou em prédios. "Há pessoas que
pensam que por viverem em andares superiores estão mais seguras",
realçou fonte da GNR, força policial que, no ano passado registou, só
no Norte, 3650 ocorrências, a maior parte no distrito do Porto (1786).
Entre os artigos mais procurados pelos ladrões contam-se televisores
plasmas, computadores e peças em ouro. O material é depois encaminhado
para receptadores e chega a aparecer à venda no "mercado negro".
JORNAL DE NOTÍCIAS | 19.05.2008
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