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Saída estava decidida há um mês criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
08-Mai-2008
Alípio Ribeiro afirmou hoje que a decisão de abandonar a chefia da Polícia Judiciária (PJ) estava tomada há um mês, apontando como razões da sua saída uma visibilidade excessiva e o facto de ter sido muito castigado por declarações que fez.

As revelações deste magistrado do Ministério Público foram feitas em entrevista hoje à Rádio Renascença, na qual diz também que nunca se conformou com os problemas e que sempre optou por dizer a verdade.

"Eu tive sempre intervenções em que tentei pautar-me pela verdade, pela coerência, por uma reflexão séria, sem qualquer crispação, porque eu creio que nós não devemos sobreviver com os problemas, devemos é viver os problemas e saber encontrar, pensando em voz alta, as respostas adequadas", disse Alípio Ribeiro.

Em retrospectiva, acrescentou: "O que eu fiz muitas vezes foi pensar em voz alta e creio que ninguém me pode levar isso a mal, essa necessidade de falar verdade e de falar, enfim, dentro do possível com alguma inteligência e subtileza, mas enfrentar os problemas".

Na entrevista à Renascença, com excertos publicados no site desta estação de rádio, Alípio Ribeiro aborda ainda o caso do desaparecimento da menina inglesa Madeleine McCann no Algarve em Maio de 2007, admitindo que a investigação pode prolongar-se por largos anos e que o caso pode ficar por resolver.

"Precisamos ter paciência, há casos desses que, às vezes, se resolvem muitos anos depois. É evidente que gostaria que esse caso tivesse sido resolvido plenamente, mas há sempre casos que ficam por resolver", comentou Alípio Ribeiro.

A demissão de Alípio Ribeiro do cargo de director nacional da PJ foi divulgada terça-feira passada pelo Ministério da Justiça, tendo no mesmo dia sido designado o seu sucessor, José Maria Almeida Rodrigues, que desempenhava as funções de subdirector nacional adjunto da PJ na Directoria de Coimbra, sendo um polícia de carreira.

O mandato de Alípio Ribeiro à frente da PJ, que terminava em Abril do próximo ano, ficou marcado por algumas polémicas.

Em entrevista segunda-feira ao Diário Económico, Alípio Ribeiro mostrou-se adepto da transferência da tutela da PJ do Ministério da Justiça para o da Administração Interna e, quanto à figura do secretário-geral de Segurança Interna, criada pela Lei de Segurança Interna, considerou que este ficou com competências "aquém" do que seria desejável.

Alípio Ribeiro admitiu que a passagem da PJ para o Ministério da Administração Interna iria trazer uma maior "eficácia".

O mandato de Alípio Ribeiro ficou também marcado por outra declaração polémica, desta vez sobre o "caso Maddie".

Alípio Ribeiro afirmou, numa entrevista, que teria havido "alguma precipitação" na constituição de arguidos do casal McCann, pais da criança inglesa desaparecida no Algarve a 03 de Maio de 2007.

Essas declarações geraram bastante polémica e levaram o ministro da Justiça, Alberto Costa, a dar explicações no Parlamento.

EXPRESSO | 08.05.2008 

Comentarios (1)add
... : Mário Rama da Silva
Francamente falando, desde há algum tempo que o Dr. Alípio Ribeiro me vinha parecendo um tanto ingénuo (no sentido real da palavra) nas suas intervenções públicas em que transparecia um sentir verdadeiro daquilo que dizia, embora discordasse de quase tudo.
Agora tenho a certeza e a explicação dada pelo próprio: sentia necessidade de pensar em voz alta o que, sendo honesto, não é aconselhável para quem ocupa certos cargos.
Não entendo é porque se queixa da visibilidade que teve mas parece-me que se trata de mais uma ingenuidade sincera.
09.Maio.2008
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