As
revelações deste magistrado do Ministério Público foram feitas em
entrevista hoje à Rádio Renascença, na qual diz também que nunca se
conformou com os problemas e que sempre optou por dizer a verdade.
"Eu tive sempre intervenções em que tentei pautar-me pela verdade,
pela coerência, por uma reflexão séria, sem qualquer crispação, porque
eu creio que nós não devemos sobreviver com os problemas, devemos é
viver os problemas e saber encontrar, pensando em voz alta, as
respostas adequadas", disse Alípio Ribeiro.
Em retrospectiva, acrescentou: "O que eu fiz muitas vezes foi pensar
em voz alta e creio que ninguém me pode levar isso a mal, essa
necessidade de falar verdade e de falar, enfim, dentro do possível com
alguma inteligência e subtileza, mas enfrentar os problemas".
Na entrevista à Renascença, com excertos publicados no site desta
estação de rádio, Alípio Ribeiro aborda ainda o caso do desaparecimento
da menina inglesa Madeleine McCann no Algarve em Maio de 2007,
admitindo que a investigação pode prolongar-se por largos anos e que o
caso pode ficar por resolver.
"Precisamos ter paciência, há casos desses que, às vezes, se
resolvem muitos anos depois. É evidente que gostaria que esse caso
tivesse sido resolvido plenamente, mas há sempre casos que ficam por
resolver", comentou Alípio Ribeiro.
A demissão de Alípio Ribeiro do cargo de director nacional da PJ foi
divulgada terça-feira passada pelo Ministério da Justiça, tendo no
mesmo dia sido designado o seu sucessor, José Maria Almeida Rodrigues,
que desempenhava as funções de subdirector nacional adjunto da PJ na
Directoria de Coimbra, sendo um polícia de carreira.
O mandato de Alípio Ribeiro à frente da PJ, que terminava em Abril do próximo ano, ficou marcado por algumas polémicas.
Em entrevista segunda-feira ao Diário Económico, Alípio Ribeiro
mostrou-se adepto da transferência da tutela da PJ do Ministério da
Justiça para o da Administração Interna e, quanto à figura do
secretário-geral de Segurança Interna, criada pela Lei de Segurança
Interna, considerou que este ficou com competências "aquém" do que
seria desejável.
Alípio Ribeiro admitiu que a passagem da PJ para o Ministério da Administração Interna iria trazer uma maior "eficácia".
O mandato de Alípio Ribeiro ficou também marcado por outra declaração polémica, desta vez sobre o "caso Maddie".
Alípio Ribeiro afirmou, numa entrevista, que teria havido "alguma
precipitação" na constituição de arguidos do casal McCann, pais da
criança inglesa desaparecida no Algarve a 03 de Maio de 2007.
Essas declarações geraram bastante polémica e levaram o ministro da Justiça, Alberto Costa, a dar explicações no Parlamento.
EXPRESSO | 08.05.2008