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Pulseiras para vigiar violência doméstica criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
04-Jun-2008
A utilização de pulseira electrónica para vigiar os agressores e a limitação das dificuldades legais para a detenção “fora de horas” são duas das medidas defendidas pela PSP e pela GNR para reforçar o combate à violência doméstica.

Só assim será possível não continuar a penalizar ainda mais as mulheres, que na maior parte das vezes, são vítimas de agressão continuada. “Porque não é possível ter um polícia à porta de casa de cada vítima, a utilização da pulseira electrónica é uma solução”.
Esta opinião dos representantes das forças de segurança foi ontem transmitida ao grupo parlamentar de trabalho de protecção contra a violência de género, no âmbito do debate na especialidade de um projecto de lei do Bloco de Esquerda (BE). Mais tarde, ainda no Parlamento, o ministro da Administração Interna, Rui Pereira admitiria que a adopção dos meios electrónicos de vigilância é uma possibilidade. “É a vítima que é obrigada a sair de casa, muitas vezes com os filhos, desenraizando-se tento pessoal como profissionalmente, porque não há forma de garantir eficazmente o afastamento do agressor”. A afirmação do subintendente Luís Elias, da PSP, subscrita pelo major António Pereira, da GNR, chama a atenção para situações, “mais frequentes do que seria desejável”, em que as mulheres são obrigadas a ficar nas instalações policiais para não serem agredidas pelos maridos ou companheiros. Isto porque, de acordo com o Código do Processo Penal, não é possível às polícias procederem a detenções em flagrante delito de madrugada ou aos fim-de-semana. Além disso, como nem sempre (ou quase nunca) os agressores se apresentam às autoridades na hora e dia aprazado, aumenta o risco de reincidência do crime de agressão. E só quando a agressão se agrava, é possível a detenção efectiva.
Esta limitação de actuação das autoridades foi considerada “uma imensa dificuldade”, pela procuradora da República, Isabel Jordão, também ouvida pelos deputados. “A detenção fora do horário normal de expediente é um problema, até porque não há garantias de que o detido se apresentará voluntariamente, noutra hora”, acentuou a magistrada do Ministério Público, que, no entanto, alertou os legisladores para a necessidade de se encontrar uma solução, “sem precipitações e com muita calma”.

Rui Pereira volta a anunciar reforço da PSP e da GNR

Pela quarta vez este ano, o ministro da Administração Interna. Rui Pereira, foi à comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. E voltou a fazer um balanço “positivo” do grau execução do plano estratégico, garantindo que PSP e GNR terão cada uma mais mil elementos prontos em 2008.
Das iniciativas mais recentes, o ministro destacou a criação do Observatório da Delinquência juvenil para o Porto, Lisboa e Setúbal e o contrato local se segurança, já assinado com a Câmara do Porto para o Bairro do Cerco.
Rui Pereira fez questão de revelar que as Equipas de Reacção Táctica criadas para agir em “zonas problemáticas” apreenderam de Janeiro a Abril cerca de 2.200 armas ilegais e que ao projecto Abastecimento Seguro já aderiram cem postos de venda de combustível e que até fim de 2008 mais 135 postos deverão aderir.
No âmbito da reforma do regime das polícias municipais, Rui Pereira considerou não existir confusão de competências com as forças de segurança e disse pretender encorajar as autarquias” a constituírem unidades próprias.
Ao ser questionado sobre o alegado fim do contrato com a empresa que fornece e mantém os radares da BT da GNR, Rui Pereira garantiu que “nenhum contrato está caducado” e que “só quatro radares estiveram avariados alguns dias”. Interrogado ainda sobre o Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP), o ministro rejeitou que tenho custado mais do que o valor estimado, afirmando que o que está em funcionamento custou “12% abaixo do previsto em 2001″.

Tribunais específicos

“O Estado e a sociedade civil estão motivados para banir a ideia de que a casa é o lugar mais perigoso da sociedade”
Isabel Jordão, Procuradora da república

Ao comentar o projecto de lei do BE, que disse conter inconstitucionalidades e normas de sobreposição relativamente a outros instrumentos legais, a magistrada não apoiou a instalação de unidades especiais nos tribunais, mas sugeriu a criação, no quadro do mapa judiciário, de tribunais específicos de competência mista, de família e de menores.

JORNAL DE NOTÍCIAS | 04.06.2008 

Comentarios (3)add
... : Viva o Rei!
O texto é algo confuso e contém alguns equívocos.

Se o que se defende é, nos casos em que os arguidos ficam sujeitos às medidas de afastamento da habitação e/ou de contactar com a vítima, vigiar electronicamente o cumprimento dessas medidas, tudo bem. Só com um senão de natureza técnica. Se essa vigilância poderá ser eficaz para controlar se o agressor se aproxima da habitação da vítima, já não se vê de que forma possa prevenir os contactos do agressor com a vítima, se esta não estiver em casa.

Outra questão. Permanece o equívoco, alimentado por alguns, que os casos de violência doméstica, designadamente quando há detenções em flagrante delito, devem ser tratados nos quadros do processo sumário (o que significaria que, ocorrendo tais detenções durante a noite, o agressor seria, por regra, libertado e notificado para comparecer no tribunal).
Tal não corresponde à verdade. O crime de violência doméstica permite a prisão preventiva, logo, existindo flagrante delito, o agressor deve permanecer sempre detido, sendo apresentado ao MP nessa situação.
Leiam o Código (apesar de não apetecer muito, bem sei).

04.Junho.2008
... : Hi-Hi-no-Havai
Informem é as mulheres e as crianças dos seus direitos perante os agressores continuados para elas se queixarem criminalmente, divulguem a mensagem nas televisões através de um programa adequado que trate de questões judiciais sobriamente, e deixem-se lá de pulseiras e de politiquices. Falem menos e trabalhem é bem.
04.Junho.2008
... : M. Fatima : http://:Hi-Hi-no-Havai
Diz bem: falem menos e trabalhem bem...
No meu caso que fui vitima (e pelos vistos vou continuar a ser) de violencia domestica, quando este por doença deixou de ter capacidade fisica para o fazer, passou a mandar o meu/dele filho agredir-me e, para surpresa minha, depois de ter sido agredida na casa que habitava, onde eles já não viviam, depois do meu filho ter arrombado a porta, ter-se atirado a mim, ter-me tirado os oculos graduados indispensaveis para o meu trabalho, com o pai à porta a assistir a tudo isto, ter ido ao hospital, ter ido à esquadra para fazer queixa e ter sido informada pelo chefe da esquadra que não precisava de apresentar queixa, recebo hoje uma carta do DIAP, COMO ARGUIDA, POR QUEIXA APRESENTADA PELO MEU FILHO. Onde é que eu falhei???
05.Agosto.2008
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