header image
Início seta Órgãos de Polícia Criminal seta Polícias não são super-herois
Polícias não são super-herois criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
05-Mai-2008
É cada vez mais importante que, para além de haver segurança, as pessoas se sintam seguras e confiem nas suas polícias. Para que essa confiança possa existir contribuem vários factores, entre eles as condições em que os polícias trabalham. O Sindicato dos Profissionais de Polícia - SPP/PSP tem vindo a alertar para as precárias condições em que muitos polícias trabalham, para os seus baixos salários (onde não existe um subsídio de risco) e para a falta de efectivos.

Entre 1978 e 1994 houve anos com dois cursos de guardas na PSP. Em 1998 foi criado, por portaria, o Quadro Orgânico da PSP, que estipulou 21.353 efectivos. Desde 2002 entraram entre 500 e 700 agentes, por ano. Em 2005 não houve ingressos na PSP. Em 2006, entraram 740 agentes, mais 150 três meses depois. Em 2007, entraram 940 agentes. Entretanto as competências técnicas da PSP foram alargadas - criaram-se estruturas, a nível nacional, sobejamente elogiadas, na área da investigação criminal e a chamada pequena criminalidade, aquela que causa o maior alarme social porque interfere directamente com as pessoas e antes não era investigada. Finalmente começou a encontrar culpados, criaram-se diversos programas de policiamento de proximidade com méritos reconhecidos por todos, como os programas Escola Segura, Comércio Seguro, Idosos em Segurança, etc.
 
Foram também aumentadas as áreas territoriais. Sem que houvesse o reforço de efectivos, a PSP ficou com mais uns milhões de pessoas à sua responsabilidade, o que implica mais uns milhões de instalações para guardar e no meio de tudo isto mais umas quantas “zonas problemáticas” para resolver. O SPP/PSP defende o alargamento do Quadro Orgânico da PSP para, pelo menos, 25.000 efectivos.
 
Para uma melhor eficácia, logo melhor prestação de serviço às populações, o SPP/PSP defende, através da fusão das PJ, PSP e GNR, a criação de uma Polícia Nacional única, tal como acontece em quase toda a Europa, excepção da Itália, França, e Espanha, que mantêm, tal como Portugal, uma polícia civil e outra militar. Mesmo assim na França todas as polícias estão no mesmo Ministério e em Espanha existe uma Direcção Nacional para todas as polícias, bem diferente do que cá se passa. Só o que se pouparia em gastos e em reforço de efectivos para a actividade operacional, com as duplicações de serviços que deixariam de existir, é mais que suficiente para se repensar, urgentemente, o nosso modelo. Os polícias continuarão a dar o seu melhor, mas não fazia mal nenhum se os Governantes dessem uma ajudinha e respondessem com actos, de uma vez por todas, o que pensam sobre SEGURANÇA - Prioridade ou Despesa? Governantes, assumam-se…
 
24 HORAS | 05.05.2008 
Comentarios (18)add
... : Tony
É verdade que não alguns não têm subsídio de risco, mas têm muitos outros subsídios. E um subsistema de saúde superior à generalidade dos funcionários públicos. Há riscos de diferente natureza, mas um juiz também sofre muitos riscos e não tem subsídio. E já agora, também não tem subsistema de saúde, tendo que ir para a "bicha" do centro de saúde para ser atendido, enquanto um GNR/PSP vai para os hospitais e clínicas privadas com quase tudo comparticipado.

Por outro lado, as habilitações literárias da maioria dos agentes policiais é baixíssima. Um professor que tem licenciatura ganha pouco mais que entre 100 a 400 euros que um polícia/gnr. E não deixa (o professor) de ter bastantes riscos, sem poder andar de arma na escola...
05.Maio.2008
... : 1964
há grande tony! amanhã á hora de almoço aparece no meu escritório para almoçar-mos uma sopa.
06.Maio.2008
... : aaa
Tony
Da próxima vez que o assaltarem vá chamar um professor....
07.Maio.2008
... : Castro
Dizer que a eficácia da PSP na investigação criminal é sobejamente elogiada, deve ser brincadeira....que há sucessos indiscutíveis, há e louve-se isso mesmo, agora afirmar que é sobejamente logiada, por favor...
A ideia de junção interessa tão somente à PSP e GNR. Precisamente porque querem auferir, sem nada fazer, todo o respeito e confiança que os cidadãos depositam na PJ, além de quererem auferir mais (questão perfeitamente legítima e não criticável).
Acho piada, que se fale na questão do subsídio de risco, porque, em termos de subsídios, a PSP tem vários com outros nomes: subsídio de patrulha por exemplo. Além de fazer gratificados.
Não se tente é ganhar direitos à custa de quem também os merece.
A PSP e GNR deviam ter subsídio de risco.
07.Maio.2008
... : WATER
Caro Castro sabe quanto é o subsidio de patrulha?
Concerteza não sabe, porque se soubesse não escrevia tal barbaridade e os gratificados, sabe quanto se ganha a policiar um futebol? e sabia que muitas das vezes são colocados lá efectivos com 8 horas de serviço nas pernas e que têm de ir para mais 4 de gratificado e já reparou que os futebois são ao domingo, quando v. Ex.ª está em casa, veja lá o domingo de um GNR/PSP, digo-lhe mais se V. Ex.ª estivesse habilitado como eu, trocava todos os gratificados consigo, para poder ficar em casa com a minha familia.
À quem receba subsidio de risco, é verdade, o CI e o BEOP, mas o engraçado é que ambos estão sediados em Lisboa, e quando algo corre mal no interior quando estes chegam já outros sem subsidio, levaram ou foram alvos de violência.
Podia expor mais, mas vou ficar por aqui e tente-se informar melhor antes de escrever sobre aquilo que desconhece.
Tony, voçê é um heroi... de banda desenhada, outro leigo, nem merece resposta com tanta ignorância...

12.Maio.2008
... : Castro
Há quem receba sim...principalmente com "H"....
Recebo ?2,20 por hora, até ao máximo de 40? por trabalhar fora de horas de expediente e aos fins de semana e feriados.
Essa irritação não lhe faz bem, principalmente quando o faz com a pessoa errada e pelo motivo errado. Que eu saiba, escrevo português e sem erros e...que eu saiba, defendi o subsídio de risco para a PSP e GNR.

14.Maio.2008
... : MP
Sou Agente da PSP e vesti uma farda durante 8 anos, sempre em serviço operacional, sem saber o que é ter um fim-de-semana programado, um feriado nacional, o Natal, etc. Tudo isto (cerca de 144 horas mensais) a troco de cerca de 850?/mês em início de carreira.

Fruto da minha dedicação e empenho, vim a desempenhar funções de Investigador Criminal da PSP.
Isto que dizer, de forma muito resumida, que tenho directamente delegada a responsabilidade da investigação de cerca de 40 crimes contra o património (ex.furtos e roubos). Dizer-se que temos um horário de trabalho defenido é pura demagogia, pois isso é sempre uma inconstante, que está dependente das necessidades do serviço. A única certeza, é a hora a que inicio o serviço, cerca das 06h00 em dias de buscas domiciliárias e 08h30 nos restantes dias. A hora de saida....enfim...por vezes maratonas de 14 a 24 horas consecutivas.... Não julguem que me estou a lamentar, faço aquilo que gosto.

Não sei se sou a favor do "subsidio" de risco, porque se me pagassem ao menos as horas que faço a mais!!! Mas não, nem mais um cêntimo.

Para finalizar, deixo-vos aqui alguns factos: Em Portugal, existem 4 forças/serviços de segurança que fazem Investigação Criminal, a saber PJ, SEF, GNR, PSP.
Um investigador criminal da PJ (licenciatura) e do SEF (11.º ano), aufere em início de carreira cerca de 1400? / mês.
Um segurança da PJ, (11.ºano) que é o funcionário que por norma está na portaria das diversas directorias aufere em inicio de carreira cerca de 1000?/mês .
Os técnicos de laboratório da PJ, (Especialistas-Adjuntos) (12.º ano) auferem em início de carreira cerca de 1100?/mês.
Todos estes funcionários da PJ, a que acrescem os administrativos, por absurdo que possa parecer, auferem subsidio de risco de cerca 350?/mês, a que acresce as regalias dos transportes colectivos, Ferroviários, Fluviais e Terrestres.

Enfim, meus amigos, será que sou só eu que vê aqui alguma injustiça??!!

Para finalizar, ser investigador criminal da PSP, significa auferir cerca de 950?/mês.

A realidade diz-me que nós por cá, auferimos os ordenados, em função do n.º de associados que o nosso "clube" tem. Num país justo, as pessoas deviam auferir ordenados, em função do trabalho que desempenham!!!! ... mas eu sei, é pedir de mais.......
23.Maio.2008
... : Justic3
MP estou contigo....Nem há nada a acrescentar, mas só uma coisa em relação ao Sr. Tony, que ou não sabe o que diz, ou entao se sabe pior ainda, os elementos da PSP teem subsistema de saúde e falou muito bem, mas pagam para o ter que todos os meses é descontado do vencimento.
Outro ponto em que fala, "habilitações literárias baixissimas" esse nem vou comentar, porque isso é conversa que não leva a lado nenhum e algo mais importante o estatuto de uma pessoa não é algo que se arranja com uma licenciatura, ganha-se com as acções...Eu sou licenciado em Psicologia, sou agente da PSP, faço noites, fins-de-semana, feriados, horas extra e ao fim do mês é o mesmo, mas fui para esta profissão por gosto.Apenas tirei o curso porque não podia entrar para a PSP antes dos 21 anos, na altura.
As pessoas quando teem um conhecimento abstrato das coisas, às vezes falam coisas que devem ser desculpadas. Para aquelas pessoas que às vezes fazem comentários mais infelizes, vai um exemplo, um oficial de justiça que vai fazer uma penhora, vai na companhia das Forças de Segurança, que teem de zelar pela sua segurança, mas ele recebe subsidio de risco....Algo está mal...Mas isto sou eu dizer...
30.Maio.2008
... : Castro
Caro MP
Que diga que ganha mal, concordo consigo.
Que diga que merece receber horas extaordinárias, concordo consigo, e também eu mereço.
Que diga que trabalha muitas horas e muitas delas seguidas, concordo consigo, eu também o faço.
Que diga que os funcionários administrativos da PJ não mereçam subsídio de risco, concordo plenamente consigo que tal não se justifica minimamente. Ter subsídio de risco apenas e só porque se trabalha para uma Polícia, não se justifica.
Que diga que os especialistas adjuntos não mereçam subsídio de risco, concordo apenas parcialmente, porque existem alguns que acompanham os inspectores nas inspecções judiciárias e outras diligências, estando por isso sujeitos a um grau de risco semelhante.
Agora que diga que tenhamos regalias nos transportes, discordo completamente. Essas tais regalias a que se refere, são ferramentas de trabalho e não regalias. Ainda que alguns colegas as transformem em regalias, alguns houve que tiveram o que mereceram: o competente processo disciplinar.
São ferramentas de trabalho porque a nossa competência territorial é nacional e podemos iniciar um seguimento ou vigilância no Porto e acabá-la no Algarve. Coisa diferente da PSP e da GNR que tem a sua competência territorial delimitada.
Ainda que diga que pode acontecer de ter que fazer o mesmo no tráfico de droga, o certo é que mesmo aí não se justifica tal à luz da lei. Isto porque a PSP e GNR só têm competência para o pequeno tráfico de rua, de bairro, de proximidade.
Ora, o senhor sabe tal como eu, que isso não acontece, aventurando-se principalmente a PSP, em investigações para as quais não tem competência legal nem valências operacionais que possam, a fundo, investigar o tráfico. E fazem-no com a conivência do MP, que devia desde logo cumprir a Lei.
Que diga que os senhores magistrados têm regalias com os transportes, aí até tenho de concordar consigo. Não precisam de livre trânsito para viajar no alfa.
Não me veja seu opositor, defendo e trato a PSP e a GNR como verdadeiros Colegas, mas tal como não me meto nas competências daqueles OPC's, não gosto que se metam nas minhas. E aprecio ainda menos que alguns me tentem fazer de lorpa...
A LOIC ainda em vigor, define que a PSP e a GNR em crimes da competência da PJ, façam tão somente as diligências cautelares. O que acontece actualmente e desde há muito, é que os senhores fazem mais do que isso, porventura para tentar mostrar serviço, ou, até, para nos ajudar. Isso é ilegal.
Sabe também que quando isso acontece, o crime só é comunicado à PJ, muito tempo depois; às vezes horas depois, outras vezes, quase um dia depois. (v.g. sequestros em que os senhores andam com as vítimas a fazer reconstituições, raptos ou tomadas de reféns que são comunicados quando apetece ou quando já não conseguem esconder, etc)
Em outras situações, comunicam por fax, o que exigia que comunicassem por telefone dada a premência da ocorrência.
Mais uma vez, não o estou a inculpar de tudo isto, apenas lhe estou a dar exemplos do que acontece actualmente.
Na casa a que pertenço, também existem coisas más e ovelhas ranhosas e estas e aquelas, vão-se tentando mudar, umas vezes depressa, outras vezes de forma lenta; uma vezes para melhor, outras vezes para pior.
Outra coisa e para terminar:
O princípio da igualdade não determina só que se deve tratar igual o que é igual, também estipula que se deve tratar de forma diferente o que é diferente.
Logo, PSP e GNR são necessariamente diferentes da PJ, tal como são do SEF; tal como a PJ é diferente do SEF.
Sei que me alarguei um bocado do seu comentário, mas as realidades, tal como a investigação criminal, não são estanques.
30.Maio.2008
... : Brandão
Justic3
Não é verdade que os oficiais de justiça tenham subsídio de risco. Têm reivindicado, mas não têm.

Castro
Não é verdade o que escreveu acima que «(...) os senhores magistrados têm regalias com os transportes. (..). Não precisam de livre trânsito para viajar no alfa».
Os magistrados só podem viajar nos transportes públicos, na área da respectiva circunscrição ou, no caso dos magistrados dos tribunais superiores entre o local de residência e o local do tribunal superior. Não é suficiente a exibição do livre trânsito, antes é necessária a emissão de um cartão pelo MJ e MOT e agora é necessária a requisição expressa por parte do tribunal onde presta funções para essa viagem em concreto, correspondente ao dia da sessão. Ou seja, só pode ser utilizado para o serviço concreto que tem que estar justificado e na área da circunscrição. Essa ideia que os magistrados viajam no alfa como lhes apraz é caluniosa e totalmente falsa, porque os bilhetes da CP não se arranjam de qualquer maneira.
30.Maio.2008
... : MP
Caro Castro,

Não sei, quais as funções que desempenha no seio da PJ, mas depreendo que esteja de certa forma, afastado da realidade da Investigação Criminal, nos termos em que está tipificada na Lei 21/2000 (LOIC)
Digo isto, porque a PSP, enquanto Polícia de Investigação Criminal de competência genérica, actua no processo, na estrita dependência funcional do Ministério Público.
Os crimes por nós investigados, estão tipificados na Lei, sendo a título de exemplo, os crimes de Furto, Roubo, Tráfico de Estupefacientes, Burlas, etc?, sendo que, quando o crime tenha características de complexidade essa competência esteja deferida à PJ, como não podia deixar de ser.
Digo isto, com toda a humildade, mas ao mesmo tempo, orgulho e prestígio de quem pertence a um OPC, cujo legislador incumbiu de realizar investigação criminal, há apenas 8 anos a esta parte.
A PJ, tem cerca de 60 anos de experiência, e por esse motivo, é considerada a Polícia de Investigação Criminal, por excelência.
Nós, PSP, estamos a dar os primeiros passos, com resultados que falam por si. Estamos a aprender com os melhores, com quem tem a experiência, e esses não tenho a menor dúvida, que são os Investigadores da PJ, aqueles que ao tempo se denominavam Agentes e que construíram aquela que chegou a ser considerada em finais da década de 90, uma das melhores policias europeias.
Isto, também para lhe dizer, que no decurso de uma qualquer investigação criminal, é normal existir a necessidade de fazer o seguimento do suspeito, proceder-se à sua detenção, ou levar a cabo diligências processuais de recolha de prova, tais como buscas. Não compreendo como pode dizer que essa é uma caracteristica exclusiva da PJ, é simplesmente absurdo e não corresponde à realidade!!
Deveria de saber, que estas diligências, são realizadas sob orientação do MP, e efectuadas pela equipa do Agente Investigador que tem a seu cargo a Investigação, quer esta se inicie em Lisboa e tenha que se estender a uma qq outra cidade, como é usual acontecer, pelo que a PSP - Investigação Criminal, não tem competência territorial restrita, mas sim a nível nacional.
Quando diz que a PSP vai para além das suas competências em matéria de crimes cuja Investigação é deferida à PJ, está a cometer um erro enorme, ao tomar a parte pelo todo.
Essa não só não é a regra, como é uma prática grave, absolutamente reprovável e verdadeiramente excepcional. Agora poderão existir situações pontuais, mas não podemos falar das excepções, senão todos tínhamos muitas histórias para contar. Temos sim que banir todo e qq tipo de abusos e violações da lei.
Acontece porém, que fruto da organização e do número de efectivos de que a PSP dispõe, quando um crime acontece, somos sempre os primeiros a chegar.
O que a LOIC estipula, é que nós PSP - IC, temos que comunicar imediatamente os factos à PJ, e praticar até à vossa chegada, os actos cautelares e urgentes e assegurar os meios de prova.
Recentemente, aconteceu-me, ocorrer a um homicídio com arma de fogo, às 06h30, de um dia de semana. A brigada da PJ chegou ao local somente pelas 08h15! É claro, que no decurso da execução dos actos cautelares, detivemos o suspeito, que foi entregue ao vosso pessoal.
Isto não é concorrência, é cooperação!!
Ainda recentemente, ocorri a uma tentativa de homicídio com arma de fogo, às 03h00 num fim-de-semana. Uma vez mais, comunicamos os factos de imediato à PJ, uma vez que é um crime cuja competência lhe está reservada. No entanto, não vieram ao local, para tomar conta da ocorrência, e iniciar de imediato a investigação, bem como recolher os vestígios, deixados no local, (munições e invólucros, entre outros). O que sucedeu, é que solicitaram-nos para fazer-mos nós o serviço, e assim sucedeu.
Isto não é concorrência, é cooperação!!

A POLÍCIA, só pode conhecer um único objectivo comum, o combate ao crime, e todos já somos poucos.

Para finalizar, o colega considera-se diferente? dos demais, quero que saiba que eu não!...... Considero-me, somente, um profissional de Polícia.

31.Maio.2008
... : Castro
MP,

Primeiro, não estou afastado da realidade da investigação criminal, estou bem no meio dela e, da mais grave e problemática.
Segundo, quando disse que somos diferentes, não estou a falar de estatuto mas sim de realidades de investigação. E, para realidades diferentes, necessidades e meios diferentes.
Terceiro, quando disse que a PSP vai além das suas competências, não estou a falar de parte e a tomar pelo todo. Estou mesmo a falar da generalidade e louvo-lhe o comportamento de excepção.
Sabe, já passei em Lisboa, em Coimbra e no Porto e em áreas de investigação diferenciadas e falo com colegas destes departamentos e de outros. Incrível como todos apontam estes mesmos problemas.
Quando fala em não haver concorrência e sim cooperação, eu concordo consigo quando defende a cooperação. A realidade por vezes é que estraga o que desejamos.
Tem razão quando diz que a investigação trabalha sob os auspícios do MP. Também eu trabalho sob os auspícios do MP. O que não faço é esconder do MP o que é da competência dos outros como alguns fazem. Outras vezes, os senhores mantêm investigações com o apoio do MP, que não deveriam manter. Lembro-lhe que há poucos anos (talvez 3) a PSP de lisboa apreendeu umas toneladas de haxixe acondicionada em fardos, no âmbito de um inquérito de tráfico que lhe estava distribuido.
O engraçado desta história, é que antes da detenção e apreensão, era só mais um processo de tráfico. Na conferência de imprensa, já era uma investigação de tráfico internacional marítimo desenvolvida pela PSP.
Critíco é isto. Critíco é esta Postura de desrespeito pelas competências. Tanto vossa como nossa. Não estou a desresponsabilizar a "minha" casa. Ela também tem culpas, em alguns casos, muitas até.
Relativamente ao atraso na ida a locais de crime, devo dizer-lhe que tal depende de vários factores. O primeiro, atende ao facto de a PJ não ser uma Polícia de proximidade mas sim uma Polícia de 2ª linha (passe-se a expressão). O segundo atende ao regime de trabalho escolhido pelo departamento; nomeadamente, se é o piquete a intervir ou uma equipa de prevenção especializada no tipo de crime em questão.
Terceiro: se se tratarem de elementos de prevenção, eles saem da sua residência e muitas vezes têm que ir buscar o colega que com eles trabalha.
Quarto, se os elementos indicados para ir ao local (sejam eles do piquete ou da prevenção) estão ocupados em outro serviço do mesmo ou de outro tipo.
Quinto, a prioridade da situação perante outras.
Sexto, a necessidade ou não de ir preparado para o local, com meios ou informação já previamente tratada acerca de possíveis intervenientes.
A nossa intervenção, tal como já vem sendo amplamente discutido (principalmente ao nível interno) não pode ser, desejavelmente, desenfreada. Antes deve ser uma intervenção adequada, proporcional e ponderada.
Claro está que também depende do bom senso dos inspectores, como é óbvio.
Além do mais, está hoje em voga, em todos os OPC's, uma intervenção mediante impulso prévio dos Media, algo que crítico veementemente. Tudo para precaver críticas (na maior parte delas infundadas) daqueles. Às vezes, bastava uma explicação ponderada e simples para se fazer passar a informação ao cidadão e para este compreender. Mas não, é preciso é mostrar rapidez e "operacionalidade", mesmo que isto não dê em nada ou até seja desaconselhável.
Relativamente a chamar-me colega, louvo-o por isso sabe?!
Primeiro porque não me concedo um estatuto de ser ou ente superior.
Segundo porque concordo consigo de que devemos combater o crime e que até já somos poucos.
Terceiro, porque também aqui já tive uma e tão somente uma má experiência. Accionei uma vez o 112 por causa de uma situação não propriamente policial, mas à qual os colegas precisam de responder. Quando me dirigi a um dos colegas, identifiquei-me e disse que era colega ao mesmo tempo que exibia a carteira profissional. A resposta pasmou-me: "colega?! colega não será bem!"
Perante tal facto, apenas perguntei do que precisavam e porque a resposta foi negativa, mesmo tendo sido eu o primeiro a chegar ao local, vim-me embora.
Muito sinceramente, o que me preocupou não foi este facto isolado, mas sim o "feed back" dos meus colegas que me contaram que já tinham tido situações idênticas. Isso sim, preocupou-me.
Para concluir, acho que bastava o cumprimento da lei e o bom senso de todos para se resolver os problemas, mas nem toda a gente o tem e quer cumprir a lei...enfim...o país que temos....


03.Junho.2008
... : Pedro Galvão
Cidadãos

Somos um país muito pequeno para tantas forças e serviços de segurança como tal já deveriam de ter terminado com este caldeirão de tropelias que a nada levam e estruturar um força única com cada elemento especializado nas várias áreas...
Os elementos da polícia Judiciária actualmente vivem da fama que todos aqueles elementos que se reformaram plantaram há uns anos atrás, esses sim foram realmente bons...agora recrutam miúdos queques fúteis que por verem o CSI querem ir para a Polícia Judiciária fazer nada e o que está a SEGURAR a Polícia Judiciária actualmente são os elementos oriundos da PSP/GNR que estão habituados a trabalhar por uma miséria de ordenado...não é só na PJ que há pessoal com licenciaturas, ide ver as fileiras da PSP/GNR e encontrais inúmeros elementos dessas forças com licenciaturas, pós graduações, mestrados e doutoramentos e quando falo de elemtos refiro-me aos que andam na rua e não aos queques da ISCPSI que não passam de figuras de estilo...
08.Junho.2008
... : Castro
Sr. Pedro Galvão,

Concordo parcialmente consigo. Há gente que foi para a PJ, por estar na moda ou por ser giro, ou para viver da fama. O que vale é que essa gente, facilmente se destaca pela fraqueza de principios e pela inferior competência. Competência e fraqueza essas que depressa os encostam em cantos nos quais não gostariam de se ver.
E formação é diferente de educação. Por isso existem licenciados mal educados e existem educados não licenciados.
Uma coisa lhe(s) posso dizer: existe muito capital humano na PJ, tal como na PSP,na GNR e no SEF. Apenas se deve é deixá-los trabalhar e dar-lhes meios para tal.
No que se refere à unificação, discordo. Tem mais lógico unificar o que é parecido ou semelhante, do que juntar o que é diferente.
PSP e GNR, apesar de diferentes no conceito base, são semelhantes nos seus objectivos: ordem pública, trânsito, proximidade com o cidadão, etc.
A PJ é diferente, tem um conceito diferente, tem objectivos radicalmente diferentes, tem formação diferente, tem exigências diferentes.
Sabe, paises na Europa houveram que decidiram unificar as polícias (lembro-me da bélgica), em que unificaram a investigação com a ordem pública. O resultado vem sendo desastroso e agora a classe política já só pensa em como remediar o assunto e obter os resultados de outrora.
Se for à nossa vizinha Espanha, as várias Polícias têm por vezes as mesmas competências causando atropelos constantes. Nós, por cá, não temos esta situação de partilha das mesmas competências, mas ainda assim há atropelos legais.
Por isso, a investigação criminal devia estar toda concentrada no mesmo OPC como já esteve. Não só por causa dos atropelos, mas acima de tudo por causa da informação criminal e da eficácia no combate ao crime.
Unificações de OPC's são medidas económicas que em nada ajudam a resolver o problema.
Várias Polícias europeias anseiam pelo modelo da PJ. Isto porque toda a formação se dá em investigação criminal, desde o início daquela.
Não quer isto dizer que colegas de outros OPC's que tenham ingressado na PJ não contribuiram com boa experiência. Certamente que ensinaram também muito de bom. Mas uma coisa tiveram de fazer concerteza: perder os "vícios" a que já vinham habituados da sua anterior profissão ou área de actividade. Tiveram que fazer alguma tábua rasa.
Esta é uma das grandes diferenças de base e que sempre deram bons resultados à PJ.
Relativamente às pessoas que vão para a PJ por panache ou por serem queques a ver o CSI em demasia, enfim...tem que se melhorar a selecção de pessoal. Não é o facto de se ser licenciado que nos impede de ser bons profissionais e de ir para a rua e de usar a força, trabalharmos à noite e durante dias seguidos, usarmos uma arma de fogo, e fazermos detenções perigosas.
Não é por andarmos à civil, com menos apetrechos à cintura e com uma carteira profissional diferente que somos menos operacionais ou menos eficazes.

10.Junho.2008
... : Pedro Galvão
Senhor Castro

Tenho estado a observar a sua explicação...
25.Junho.2008
... : Magnifico
Senhor Castro

O Magnifico tem razão parcial naquilo que escreveu!
Embora o senhor diga que só tem sentido juntar o que é igual e não o que é diferente digo-lhe que mesmo assim tem todo o sentido juntar tudo numa Direcção Nacional de Segurança Interna com pessoas formadas e especializadas e sob a chefia de magistrados!
Quanto a vícios aconselho-o a repensar melhor a forma como enquadra esse vocábulo na oração escrita!! Vícios, Senhor Castro?!
27.Junho.2008
... : CI
O CI PSP , não aufere qualquer subsidio de risco ....... e é verdade que o CI só vai resolver aquilo que outros não conseguiram ....................
01.Julho.2008
... : APP
Boa noite

Sr Castro

"A ideia de junção interessa tão somente à PSP e GNR. Precisamente porque querem auferir, sem nada fazer, todo o respeito e confiança que os cidadãos depositam na PJ, além de quererem auferir mais (questão perfeitamente legítima e não criticável)".
Agora sou eu que lhe digo, por favor.....

Depois de um certo Juíz apelidado de Santos, a unica coisa que vos tem acontecido é cavar um buraco cada vez maior....

Isto para não falar de um certo Costa, que cada vez mais ajuda à festa...

Falando em transportes, não me diga que vai entregar o "ouro ao bandido" identificando-se numa vigilância ou seguimento? Não me parece uma boa pratica, tanto mais que, quanto mais perto do "alvo" melhor...

E a eficiência, esquece-se que na maior parte dos crimes que a PJ investiga os suspeitos estão identificados? Sim, porque quando não o estão o mais provabel é terem o mesmo final feliz do tão badalado caso Maddy.

Quanto à informação, basta que as vossas equipas de pesquisa e vigilância façam bem aquilo que lhes compete. Caso contrario, resta-vos partilhar...

No que toca a atropelos, vou contar-lhe uma coisa
Um dia destes fiquei boquiaberto quando um certo magistrado me disse que, após uma reunião na PJ lhe foi dito que aquela policia não investigava certos tipos de crime informático, nomeadamente devassas de vida privada através de e-mail etc etc. A unica coisa que poderiam fazer é localizar o e-mail, sendo depois o processo investigado por outro OPC.
Como o sr sabe, sendo isso facil de fazer, resta-me dizer que a "ocasião faz o ladrão" (entra-se num, resolvem-se os outros).

Mas voltando à primeira parte do meu comentário, olhe para a sua casa e então depois fale na dos outros.

Cumprimentos
03.Julho.2008
Escreva o seu Comentario

Este post foi bloqueado. Impossivel adicionar comentarios.


busy
 
< Item anterior   Item seguinte >
Sondagem
Concorda que os gabinetes do MP sejam fora dos edifícios dos Tribunais ?
 
Fim da sondagem: 03.09.2008