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Polícias já não prendem suspeitos criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
01-Out-2007

Agentes da PSP recusam-se a prender suspeitos. Detenções caíram 80 por cento. Bater na mulher ou num polícia não obriga a passar a noite na esquadra. Com a nova lei, o agressor é libertado e no dia a seguir apresenta-se em tribunal. Na Pequena Instância Criminal “ninguém fica preso” mas os agentes da PSP acabam o turno e, “sem dormir”, estão lá às 10h00 para testemunhar.

Muitos estão a evitar detenções: o CM apurou que só em Lisboa estas caíram 80 por cento nas últimas duas semanas.
O novo Código de Processo Penal entrou em vigor a 15 de Setembro. Na altura, a média de detenções na cidade de Lisboa rondava as 120 por semana nas cinco divisões. Agora, a média baixou para pouco mais de 20. E na Amadora “era frequente haver 45 a 50 detidos por semana mas agora não passa dos dez”, disseram ao CM fontes policiais.
Com a lei anterior, os suspeitos eram detidos e seguiam da esquadra para os calabouços do comando da PSP de Lisboa, antes de serem conduzidos ao Tribunal de Instrução Criminal. O polícia que fizera a detenção não era inquirido porque, em vez do actual julgamento sumário previsto para crimes até cinco anos de prisão, os suspeitos eram levados a primeiro interrogatório judicial.
“Agora, quando chegamos à Pequena Instância, das duas uma: ou não há julgamento por falta de exames médicos – que demoram meses – ou, pior, o arguido dá-se ao luxo de faltar”. Ou seja, “diminui a vontade de trabalhar porque a detenção passa a ser castigo para polícias e não para suspeitos, que vão para casa dormir”.
Uma chamada cai na PSP e é apanhado um homem a agredir a mulher. Crime público, detenção obrigatória. É levado à esquadra e notificado para estar em tribunal no dia a seguir. “Já sabemos que ninguém fica preso ou nem aparecem... Imagine-se um agente do Porto a trabalhar em Lisboa. Faz a última noite e entra de folga. Vai arriscar passar o dia seguinte em tribunal sem ver a família? E para nada ?”
A quebra de 80 por cento nas detenções em Lisboa é confirmada por agentes da PSP que reconhecem ao CM “evitar o confronto” com situações de flagrante delito e que os possam obrigar a fazer detenções.

Fotografias ficam por tirar
Quando um suspeito é notificado a comparecer no Tribunal de Pequena Instância Criminal, “pode apresentar-se voluntariamente ou fugir”, alertam fontes policiais, “sem que exista sequer uma fotografia para o procurar”. Ou seja, no tempo em que eram presentes ao Tribunal de Instrução Criminal (TIC), para primeiro interrogatório, “eram fotografados e um elemento da Polícia Judiciária de serviço recolhia-lhes as impressões digitais”. Mas, agora, notifica-se e são libertados. “Se derem uma morada falsa, confirmada por um cúmplice, nem uma fotografia há para os procurar – no TIC eram levados ao juiz sob custódia policial. Aumentaram os gastos com burocracia, combustível e refeições.” Uma agressão ou tentativa de atropelamento a um polícia são punidas até cinco anos de prisão – com o novo Código de Processo Penal não dá direito a prisão preventiva, a medida de coacção mais grave. “E assim o polícia é agredido, notifica e liberta o agressor e termina um turno das 01h00 às 07h00. Sem dormir, está às 10h00 no tribunal para testemunhar. É óbvio que, agora, qualquer agente pensa duas vezes antes de se expor ao ponto de ser agredido”, diz um comandante da PSP. “Se não é punido duas vezes, enquanto o agressor descansa...”.

"É o estado a que chegou a nossa polícia"
O facto de muitos agentes da PSP se retraírem a fazer detenções, em consequência da entrada em vigor do novo Código de Processo Penal, “só mostra o estado a que chegou a nossa polícia”, diz o presidente do Sindicato dos Profissionais de Polícia. António Ramos não aceita que fique por cumprir “a missão de fazer as detenções necessárias”, mas diz ao CM que “há uma enorme desmotivação na PSP, desde os agentes até ao topo da hierarquia. A frustração é geral, quando de detém pessoas de noite e se passa os dias seguintes no tribunal, para nada e sem qualquer contrapartida financeira”. O presidente do SPP lamenta que “o polícia fique na esquadra a fazer o expediente enquanto o suspeito é apanhado três, quatro, cinco vezes no mesmo crime e volta para a rua”.

Pormenores

INVESTIGAÇÃO ACABA
Uma das críticas que elementos da PSP fazem à nova lei é o facto de, “quando se é julgado em processo sumário, a investigação acaba por completo”. Até há duas semanas, em processo comum, “havia tempo para reunir mais provas”.

FURTO NÃO DÁ PRISÃO
Outro dos crimes que não dá direito a prisão preventiva é o furto até aos 4799 euros. “Um ladrão deste nível fica notificado para se apresentar...”

TRIBUNAL VAZIO
O Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa tinha até à entrada da nova lei uma média de 15 detidos aos sábados. Ontem, a PSP levou apenas uma pessoa a interrogatório, apurou o CM.

PSP CONTACTADA
O CM tentou insistentemente contactar as relações públicas do comando da PSP de Lisboa, mas, até ao fecho desta edição, não obteve qualquer resposta.

CORREIO DA MANHÃ | 30.09.2007 

Comentarios (17)add
... : predador
..."diz que é uma espécie de reforma penal"...(Ver correio da manhã -actualidade)
01.Outubro.2007
... : Antunes
Votem neles outra vez. Corram a votar no Pinto de Sousa.
02.Outubro.2007
... : Alberto Ruço
O problema da pequena criminalidade é que quando é massiva leva a uma escalada na criminalidade.
O pequeno criminoso, vendo que nada lhe acontece, além de gozar com os polícias, passa ao patamar imediatamente superior.
Chegará um dia em que parte da população já não consegue suportar outra parte da população e haverá desgraças ( assaltos sucessivos, insegurança generalizada, comerciantes desesperados que disparam sobre os assaltantes, etc. )

02.Outubro.2007
... : Blasfemo de passagem
Se, um dia destes, um bandidozeco roubasse, sorrateiramente, a carteira ao Sócrates enquanto faz jogging, ou desse uma lambada ao Alberto Costa à saída do Ministério, ou conduzisse bêbedo e atropelasse ligeiramente o Rui Pereira enquanto atravessa a passadeira para entrar no seu carro oficial, garanto-vos, meus caros, mas de garantia bem afiançada, que o regime da prisão preventiva voltaria, rapidamente, ao que era antes da Casa Pia e, quiçá, se agravaria drasticamente, porque, como é sabido, os senhores juízes têm pouca sensibilidade para os graves problemas da segurança e tranquilidade públicas e preocupam-se demais com as garantias e direitos constitucionais dos arguidos .
02.Outubro.2007
... : ribov69
O estado da justiça se encontra deve-se aos nossos ilustres politicos, que tal alteração só dão garantias aos "gatunos", desculpem cidadãos que tiveram um comportamento menos correcto, vamos sim recriminar as vitimas, "discuidados", por serem tão negligentes. Apoio total aos POLICIAS, que estes sim passam horas a fio em tribunal, muitas vezes esquecidos pelos próprios Juízes e funcionários, passando muitas vezes além do turno de serviço, outro em tribunal quando não passa para outro dia.
02.Outubro.2007
... : Julio Roque
Estou nos tribunais há 25 anos e sempre ouvi estes e outros lamentos. Umas vezes com razão e outras nem por isso. Os polícias, na sua generalidade, estão habituados a lidar com coisas piores e o seu trabalho inclui as deslocações aos tribunais, onde realmente por vezes as coisas podiam correr melhor, mas daí a fazer disso uma tragédia...
Quanto às garantias dadas aos arguidos, lembro que qualquer um de nós o poderá vir a ser, mesmo que vítimas de denúncia caluniosa e que numa situação dessas vamos com toda a certeza lembrar o conceito "presunção de inocência".
02.Outubro.2007
... : Anónimo
A justificação que os senhores agentes apresentam para não deterem um indivíduo acaba por os caracterizar:

"Imagine-se um agente do Porto a trabalhar em Lisboa. Faz a última noite e entra de folga. Vai arriscar passar o dia seguinte em tribunal sem ver a família? E para nada ??

Sem palavras...

A reforma do CPP é uma aberração pegada. Por vários motivos.

Nenhum deles é o apresentado neste post.

03.Outubro.2007
... : Um cidadão
No fundo, a culpa é de todos.
A falta de seriedade profissional e a desconfiança existente na sociedade portuguesa são elementos que os reformadores não tiveram em conta na sua obra, aliás, como poderiam ter se na feitura da lei limitaram-se a copiar os valores de outras sociedades com idiossincracias dissemelhantes?
Mas afinal, esta "copiança" não se espelha, ela própria, na falta de seriedade profissional?
03.Outubro.2007
... : ffffffff
Adorei a caacterizacao dos Agentes da policia, efectuada por um iluminado anonimo.


05.Outubro.2007
... : Alex
Acho o texto da notícia muito limitativo e maniqueísta. Não se vai a lado nenhum com a história do polícia que se farta de trabalhar e o bandido que vai para casa dormir. Aliás, é mesmo assim: o bandido é bandido, não é um esforçado trabalhador e aproveita o que pode, com esta ou com outra lei e respectivos "buracos", que os há sempre. A polícia parece que fica sempre muito aflita quando não pode prender tanto, sempre que há uma qualquer limitação na possibilidade de detenção. Qual é a vantagem de o arguido ficar detido uma noite nos calabouços? É para tirar-lhe uma fotografia!!!! Ah!Ah!Ah! Eu tenho um telemóvel que tira-lhe uma foto num minuto! Eh!Eh!Eh! É porque falta ao julgamento no dia seguinte? Com a lei anterior faltavam no dia do julgamento à mesma!!!! Com a diferença de que era um ano mais tarde!
A polícia devia tern mais cuidado com o choradinho que veicula através do seu jornal, o Correio da Polícia, pois com estas esmeradas análises dos malefícios da nova lei, só vêm dar razão a quem a fez e distrair as pessoas dos seus verdadeiros pontos negros. Só vem dar razão a quem a acusa de só saber prender para investigar, e não investigar para prender. É que a segunda também é possível.
08.Outubro.2007
... : Caliméro
Caro Blasfemo,
Os juízes não se preocupam em demasia com os direitos e liberdades. Simplesmente, devem obediência à lei, independentemente de com ela concordarem ou não. Já quem faz a lei são aqueles cavalheiros que costumam estar a bocejar na AR e aos quais, desgraçadamente, um dia, foi dado o voto da maioria dos eleitores. No mais, acho piada à carteira, gostava de ver a lambada e não me importava que ocorresse o atropelamento. Não fique de passagem, apareça sempre!

08.Outubro.2007
... : Lina Frederico
Tira a casca da cabeça, ó calimero, que só dizes disparates.

08.Outubro.2007
... : PENA, MUITA PENA
Com o devido respeito a todos os que anteriormente se pronunciaram, uns a favor, outros contra isto ou aquilo, apena queria dizer isto:
- Como esposa de um policia, cunhada de outro, prima de um GNR e amiga de muitos polícias, vejo o que se passa por dentro das almas dessa gente que, dentro dos pouquissimos meios que têm tentam fazer o seu melhor, MUITAS vezes com sacrifício fisico extremo,sacrificio pessoal e familiar e tenho a dizer que não é fácil fazer parte das forças de segurança e nem tão pouco estar inserida em uma família onde há elementos dessas forças. Não conseguir dormir descansada, o coração saltar cada vez que se recebe uma chamada que não sabemos identificar, sempre com o receio que um dia a porta que os viu sair não os veja entrar. Por isso, peço-vos, como cidadã, como mulher e mãe- tenham mais respeito pelas nossas forças policiais, porque quem faz o que pode ( e por vezes mais do que deve) a mais não é obrigada.
Obrigada pela atenção
M
10.Outubro.2007
... : David720
è a vida que nos querem dar, mais e melhor, só que se esqueçem de que o cidadão é que paga a factura, mas em fim é o País que temos!
11.Outubro.2007
... : Burro da Justiça tuga
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...não interessa o novo código...porquê?...continua a existir em Portugal uma Justiça dos RICOS , quer sejam arguidos ou ofendidos, e a outra dos pobres.

Continua a existirem maus e bons Magistrados(as) do MP...continua a existir maus e bons Julgadores(as) nos Tribunais Portugueses , mas continua -se a praticar a TORTURA no meio Judicial para quem é pobre e arguido.

O C.P.P é só conversa da treta , pois é sabido e coo um dia alguem disse :... existem capturas no meio Judicial .... : claro é disser : existe a aplicação de Leis próprias para a situação em apreço.

mais informações : Este endereço de email está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
11.Outubro.2007
... : Joaquim Ferreira : http://Talvez, um dia....
"O POLICIA E O MEXILÃO"

O Policia é o "mexilão" do sistema judicial Português desde há muitas décadas. Basta olhar-mos as primeiras páginas dos jornais e as páginas interiores dedicadas à Policia e aos Tribunais, durante estas duas últimas décadas, para perceber-mos o quanto a questão, binómio JUSTIÇA / SEGURANÇA, tornou-se fulcral na vida dos Portugueses em geral e na politica portuguesa em particular.
No centro de toda esta polémica estão, como sempre, desde o início dos "tempos modernos", dois problemas fundamentais: 1- O enorme desfasamento entre o "tempo jurídico" e o "tempo justo". 2- O ideal de segurança / justiça para todos.
Ambas as questões têm por detrás um problema ainda mais grave: A economia Nacional é aquilo que todos nós sabemos e a segurança / justiça saem muito caras a um Estado "Cegueta" que nelas vê pouco ou nenhum retorno económico e financeiro a qualquer prazo. Assim, os nossos "iluminati" políticos e outros fizeram as suas opções! Vamos mexer nas leis respectivas por forma a que, em média, qualquer tipo de processo, crime ou outro, saia exageradamente caro a quem o queira colocar em movimento, para que a pessoa desista do mesmo. Ou então, vamos continuar a trazer mais factores de lentidão processual, com o mesmo intuito! Assim, vamos ter menos processos e precisaremos de investir menos, nas Policias, nos Tribunais, nas Prisões, nas Reeinserções Sociais, etc...! A estastística manda, mesmo que nos diga que, cúmulo dos cúmulos, paradigma dos paradigmas, é maior o número de crimes não comunicado às entidades competentes do que o número daqueles que o são!
Conclusão: Por razões meramente economicistas, vamos demitir o estado daquela que foi a primeira razão para a sua existência e ascenção como forma de organização social! A administração da justiça, a segurança de pessoas e bens!
Em termos práticos, no meio de tudo isto, quem fica entre a população em geral, que tem de lidar com a insegurança real e a "informativa" e entre os Tribunais e os Políticos, que lidam com os papeis e as situações já difusas, calmas e claras?! Quem!? O Zé Polícia!!! Exactamente, aquele que deve fazer uma investigação que se pode fazer mas não se faz por não estar devidamente regulada ser práticamente impossível no presente CPP e por isso só pode reagir à posteriori! Aquele que não tem meios nem para reagir à posteriori, apesar dos fantásticos gastos publicitários de partidos e governos a dizer que nem tudo está mal, até pelo contrário! Aquele que ganhando um ordenando miserável em relação às exigências que lhe são efectuadas todos os dias e à disponibilidade que lhes é exigida ainda tem de ouvir desaforos do tipo:"Sou eu, com os meus descontos, que te pago o ordenado."! Por parte de um advogado, em pleno Tribunal, só porque chegou atrasado a uma audência de julgamento, atraso perfeitamente justificado, por que esteve numa outra audiência de julgamento, quase no lado oposto da cidade, tendo informado atempadamente o Tribunal sobre esse facto! O Minitério Público nada disse e o Juíz, parece que nem ouviu!!!!!!!!!!
Nesse dia, depois de ter trabalhado e efectuado uma detenção entre as 07h00 e as 13h00, ter estado em dois Tribunais entre as 13h30 e as 17h45, ainda foi fazer um serviço remunerado desportivo (O DINHEIRO, ESSE IMPOSTOR NECESSÁRIO!), onde foi insultado e agredido. Deteve o "suspeito" "autor" de tais actos, que após as formalidades colocou imediatamente em liberdade, não vá o Diabo tecê-las e alguém ainda vir acusá-lo de detenção ilegal por ter ultrapassado o tempo estritamente necessário para as respectivas formalidades, foi para casa, já o "suspeito" deveria ter jantado e estava agora a dormir, aonde reentrou cerca das 23h00. A esposa e o filho já dormiam. Comeu uma sopa daquelas de microondas. Deitou-se muito devagarinho e adormeceu a chorar, depois de ter colocado o desportador a tocar para as 05h30, outra vez. É para isto que, alguns dos comentadores supra escrevem, servem os Polícias, a quem pagam, na grande maioria, menos de ? 1.000,00 por mês!
17.Outubro.2007
... : Carlos Cunha
Acho que ainda ninguém chegou ao ponto fundamental, pelo menos para mim.

Sou da classe de Chefes de Polícia (PSP) e farto-me de ir a tribunais. Vou fora do horário de trabalho, SABEMMMMMM????

Sabem quanto recebo por estar ali a fazer figura de BBBB....?

Tanto como 0,00?.

Ai sim está o problema. Quando o digníssimo Tribunal tiver de pagar as custas aos Polícias (tal como faz a muita boa gente), certamente vai haver mais consideração por NÓS OS DO ELO MAIS FRACO.

Mas é claro que o legislador tem medo que os polícias ganhem umas migalhas por trabalharem pelo bem das VÍTIMAS DE CRIMES.

Um dia destes com a maior parte do Polícas na balda, ainda vamos ter Juízes e Procuradores em SUPRA NUMERÁRIOS (sem querer ser mau, tinha a sua piada)


POLÍCIAS, NÃO SE BALDEM, ABRAÇO CAMARADAS DE LUTA

18.Outubro.2007
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