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Dois agentes não fardados da PSP da Covilhã entraram na tarde de ontem
na delegação do Sindicato dos Professores do Centro e levaram consigo
materiais destinados a uma acção de protesto contra o
primeiro-ministro, que hoje está de visita à cidade. O Ministério da
Administração Interna ordenou um processo de averiguações
Dois polícias "à civil" entraram ontem na sede do Sindicato dos
Professores da Região Centro (SPRC) na Covilhã e levaram dois
documentos de informação referentes à acção de protesto marcada para
hoje nesta cidade, onde estará o primeiro-ministro, no âmbito de uma
visita à Escola Secundária Frei Heitor Pinto.De acordo com o relato
feito por responsáveis do sindicato, os dois agentes entraram na sede
do SPRC numa altura em não se encontrava nenhum dirigente e informaram
o único funcionário presente que se tratava de uma acção de "rotina".
Para a direcção do SPRC, filiado na Fenprof, trata-se de uma "acção de
características pidescas" e que justifica a apresentação de queixa
sobre "esta violação dos direitos democráticos" ao Presidente da
República, Parlamento, Provedoria de justiça e Procuradoria-Geral da
República, lê-se num comunicado emitido ontem ao final do dia.
A PSP
da Covilhã remeteu para hoje as explicações. Mas, o ministro da
Administração Interna, Rui Pereira, já ordenou ao inspector-geral da
Administração Interna que instaure um processo de averiguações para
apurar os factos ocorridos na Covilhã.
"Os dois agentes entraram por
volta das 14h30 e disseram que se tratava de uma acção de rotina para
saber o que estava a ser preparado para a visita do primeiro-ministro.
Viram uns exemplares de um comunicado sobre o cordão humano que
tínhamos recebido da União dos Sindicatos de Castelo Branco
[organizadora da acção] e pediram para levar um. Como era uma
informação pública, o funcionário achou que não havia problema. Depois
ainda levaram um exemplar de um comunicado conjunto do SPRC e do
Sindicato de Trabalhadores da Função Pública do Sul e dos Açores que
vai ser distribuído na Escola Frei Heitor Pinto", conta Dulce Pinheiro,
coordenadora distrital do sindicato.
O SPRC diz que esta acção da
polícia assume "contornos repugnantes e deploráveis" e responsabiliza o
Governo por ela já que, diz, "as forças de segurança não agem sem
comando e muito menos sem a direcção do poder político".
A direcção
do SPRC entende que este episódio e os acontecimentos de domingo em
Montemor-o-Velho, em que uma concentração de sindicalistas motivou a
actuação da GNR e a identificação de alguns que ali se encontravam,
visam condicionar possíveis vozes discordantes. E apelam a "todos os
cidadãos para que não se deixem intimidar e aos professores para que
participem em todas as acções de contestação" à política do Governo.
PÚBLICO | 09.10.2007
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