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Dos 3.185 processos de criminalidade económica em 2007, só 192 casos é que tiveram direito a acusação: o equivalente a 6%.
A Polícia judiciária arquivou 66% das suspeitas de crime económico em
2007. O departamento responsável pela investigação da corrupção e
criminalidade económico-financeira decidiu não dar seguimento a 2.124
casos, num total de 3.185. Dos processos que conheceram uma decisão no
ano passado, apenas 192 saíram da PJ com uma proposta de acusação dos
arguidos, segundo o relatório de actividades da judiciária, a que o
Diário Económico teve acesso. Nestes processos constam sobretudo crimes
de circulação de moeda falsa, burla, corrupção, gestão danosa ou
tráfico de influências. A baixa percentagem de inquéritos com acusação
em crimes desta natureza contrasta com o discurso de altos responsáveis
políticos que estabelecem o combate a este tipo de criminalidade como
prioritário. Os fracos resultados não se lêem, no entanto, apenas
através dos dados da principal polícia de investigação. Se juntarmos o
número de condenados por crimes económicos nos tribunais fica
demonstrado que há poucas punições.
Olhando para os dados globais do relatório de 2007, a criminalidade
económica volta estar em destaque. A circulação de moeda falsa aparece
no topo, dominando o tipo de crimes que são investigados, mais de oito
mil no ano passado (ver gráfico em cima). A burla, com recurso a
empresas fictícias, também está no conjunto dos dez crimes mais
representativos em 2007, e neste caso sublinha-se um aumento de 5o%
entre 2005 e o ano que passou. Embora não constem do ‘ranking’ dos
crimes mais frequentes, as suspeitas de peculato, corrupção ou falência
fraudulenta aumentaram. No caso concreto da corrupção, investigada pela
Direcção Central de Investigação da Corrupção e Criminalidade Económica
e Financeira (DCICCEF), foi matéria de 426 inquéritos.
Este terá sido o último relatório anual assinado por Alípio Ribeiro,
enquanto número um da Polícia judiciária. O ex-director nacional
demitiu-se em Abril desde ano, sucedendo-lhe Almeida Rodrigues. Mas
Alípio deixou uma estratégia para 2008, ainda que traçada na
expectativa de que a nova lei orgânica da judiciária iria ser marcante.
Contudo, o diploma só foi aprovado esta semana, mais de um ano depois
de ter entrado no Parlamento. Como crimes de investigação prioritária,
o ex-director definiu o terrorismo o tráfico de droga e a criminalidade
económica, sobretudo a corrupção.
DIÁRIO ECONÓMICO | 04.07.2008
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