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Psicólogas da PJ estudam 200 agressores sexuais
09-Mar-2010
Análise. Base de dados da Judiciária existe desde 2002. Identificados quatro perfis de violadores. Vítimas têm, em média, entre 18 e 28 anos.


O violador de Telheiras é a mais recente entrada na base de dados da Polícia Judiciária para o estudo dos agressores sexuais. Desde 2002, a listagem já conta com 200 casos. As psicólogas traçaram quatro perfis de violadores, todos com um traço em comum: uma baixa auto-estima, oriundos de famílias com problemas de vinculação.Os 200 agressores da base de dados da PJ foram detidos por violação e, também, foram apanhados nas malhas da justiça por abuso sexual de crianças. Duas psicólogas, Cristina Soeiro e Raquel Guerra, tentam caracterizar o comportamento criminal (antes, durante e depois da agressão), entender as características individuais do agressor (como é no trabalho, na família) e, ainda, compreender qual a relação que o agressor estabelece com a vítima. Um trabalho amplo, complexo e muito vasto.

 

Porque se cometem as violações? Cristina Soeiro, ao DN, fala em crenças, em abordagens e tipologias. O estudo da PJ, com a identificação dos factores de risco, incide, precisamente, sobre as tipologias das agressões sexuais.

São quatro os perfis encontrados neste estudo da judiciária (ver caixa), de acordo com a psicóloga. O maior número de casos está relacionado com as violações de oportunidade. É alguém que aborda a vítima de forma impessoal, consumado o crime, vai embora. Querendo exercer uma forma de poder, o violador, neste caso, aborda a vítima porque era ela que lhe surge naquele momento. São vulneráveis a este tipo de crime, por exemplo, as pessoas que trabalham por turno e usam os transportes públicos a horas menos movimentadas.

Por ordem decrescente de detenções efectuadas pelos investigadores da PJ surgem os casos associados ao comportamento criminal. Nestes, a violação decorre de outro acto criminal, agressão fisica, roubo. É uma espécie de “presente” depois de um roubo. Nalgumas situações destas, diz Cristina Soeiro, a vítima pode morrer. Trata-se, pois, de alguém já com antecedentes criminais.

PERFIS

Violação por oportunidade
É um exercício de poder. A vítima surge no momento. São, em regra, indivíduos menos escolarizados. Usam a zona que conhecem para actuar.

Violação associada á criminalidade
A violação decorre de outro acto (agressão física, roubo) e surge como um ganho depois de perpetrado outro crime. Pode ter antecedentes criminais.

Violação com comportamento agressivo
Retira prazer da violação. Tem prazer em humilhar. Indivíduo com perturbações da personalidade. Mais escolarizado. É predatório.

Violação com comportamento sexual
Tem um comportamento exploratório, procura passar algum tempo com a vítima. Pode deixar a vítima amarrada. Usa algemas. Este é o caso mais raro na base de dados da PJ.

Mas há os predadores. No cômputo geral, os violadores de comportamento agressivo são os que retiram prazer em violar, pode agredir a vítima e pretender estabelecer uma relação com ela, personalizando o acto. Neste caso, diz a psicóloga da PJ, são pessoas mais escolarizadas e têm maior competência mental para fazer a preparação do espaço. São ainda pessoas com perturbações da personalidade e têm um padrão de crime. Têm um ideal de vítima (que pode começar apenas por uma fantasia). Afirma a psicóloga que nestes casos o indivíduo tem maior probabilidade de reincidir. O violador de Telheiras pode estar neste grupo? Cristina Soeiro não fala de um caso ainda em investigação.
O caso mais raro existente nesta base de dados é aquele que está tipificado como o violador com comportamento sexual. Neste caso, o agressor procura estabelecer passar tempo com a vítima, ganhando confiança e, consumada a violação, pode deixar amarrada a pessoa agredida.
Em geral, apesar destas diferenças, assume a psicóloga ao DN, aos agressores sexuais está associada baixa auto-estima, são oriundos de famílias com problemas de vinculação. “É como se tivessem duas vidas, porque não têm esse papel com as pessoas com quem vivem.” As vítimas destes agressores têm, em média entre 18 e 28 anos, embora haja também vítimas com mais de 60 anos.

PAULA CARMO | DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 09.03.2010

 

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