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Magistrados com funções de chefia abandonam PJ criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
08-Mai-2008
Procuradores a desempenhar cargos de direcção começaram ontem a despedir-se da Polícia Judiciária, num movimento iniciado durante a manhã e que tem directamente a ver com a nomeação de Almeida Rodrigues, um polícia de carreira que pela primeira vez desde a fundação da PJ vai ficar à frente da Polícia.

Um deles é o próprio número dois da PJ, o procurador-geral-adjunto Baltasar Pinto, responsável pela área do pessoal, e que em declarações ao JN admitiu ter entregue o pedido de exoneração ao ministro da Justiça, em desacordo com a nomeação de um polícia de carreira para ficar à frente da Judiciária. O bater de porta do magistrado constitui a primeira prova pública da clivagem gerada pela nomeação de um polícia de carreira para liderar a PJ, depois das reacções negativas por parte das estruturas sindicais dos magistrados do Ministério Público e da Magistratura Judicial.
“Sou muito amigo do dr. Almeida Rodrigues, já trabalhei com ele várias vezes, mas também sou procurador-geral-adjunto com dez anos de cargo e por uma questão de estatuto não podia ficar” na dependência hierárquica de um elemento policial - se bem que coordenador superior. “Se eu ficasse, seria mal visto pelos meus colegas do Ministério Público”, apontou o magistrado.
Baltasar Pinto não sai, no entanto, em solidariedade com Alípio Ribeiro. “Não concordo com o conteúdo das declarações do dr. Alípio Ribeiro, ele sabe disso porque eu disse-lho”, apontou o ainda número dois da PJ.
O magistrado, que esteve pela primeira vez na PJ em comissão de serviço entre 92 e 96 e depois desde 2004 - “fui sempre convidado pelos vários directores e governos” -, espera agora que o ministro Alberto Costa responda ao seu pedido.
Mais definitiva, no entanto, poderá ser a posição do procurador Manuel Gonçalves, responsável pela Direcção Central de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (DCITE), que ontem já estava a despedir-se dos vários funcionários, no sentido de hoje mesmo deixar as funções. O magistrado despediu-se com a intenção de regressar à Comarca de Anadia. Também disponível para sair estaria o inspector de finanças Manuel Ferreira, responsável pela gestão financeira na PJ. Aparentemente, as saídas estarão dependentes do ministro da Justiça, responsável pela autorização ou pelo fim das comissões de serviço.
Ainda assim, há quem garanta que poderá ser do interesse do Governo manter os magistrados até à entrada em vigor da nova Lei Orgânica da Polícia Judiciária, precisamente porque a legislação só deverá ter efeitos dentro de dois meses. É que a lei só saiu do Parlamento na segunda-feira para ser levada ao presidente da República, para promulgação. Cavaco Silva tem 45 dias para se manifestar, mas não é suposto que venha a ceder a pressões para apressar a promulgação, como poderia ser do interesse do Governo -para que a nova direcção entrasse em funções num quadro mais definido.
Assim, e se a tomada de posse de Almeida Rodrigues está prevista para amanhã, às 15.30h, a haver lugares por preencher na direcção, com a saída dos magistrados, poderá verificar-se uma situação particularmente confusa - obrigando a nomeações apressadas, que poderão ter de ser repensadas com o início da nova lei orgânica.

Sócrates nega interferência
O gabinete do primeiro-ministro garantiu, ontem, que José Sócrates não tentou evitar a demissão de Alípio Ribeiro da liderança da Polícia Judiciária. Entretanto, e ao contrário do que erradamente o JN escreveu na edição de ontem, o ex-director da PJ não enviou qualquer carta ao primeiro-ministro, mas sim ao ministro da Justiça, com o pedido de demissão.

Juízes temem governamentalização da PJ
António Martins receia que a investigação de crimes como a corrupção possa vir a ser prejudicada

Almeida Rodrigues poderá ter já manifestado a vontade de continuar a contar com o juiz Moreira da Silva à frente da DCICCEF, e dos procuradores Baptista Romão, a chefiar a Directoria do Porto, e Pedro do Carmo, a liderar a Directoria de Coimbra, onde Almeida Rodrigues era número dois, soube o JN. A ideia de Almeida Rodrigues será de evitar a criação de mais clivagens entre a Polícia Judiciária e o Ministério Público e a Magistratura Judicial. O mal-estar parece ter ficado mais claro ontem, em particular depois das violentas declarações do presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, juiz-desembargador António Martinho, que em declarações à agência Lusa associou a nomeação de um polícia de carreira para director da PJ ao risco de interferência política naquela Polícia. Um “magistrado teria melhores condições para conseguir garantir que a PJ não fosse politizada nem governamentalizada”. “O xeque-mate deste jogo será deixar de haver condições para se investigar determinado tipo de crimes, nomeadamente pouco visíveis e pouco incomodativos para o cidadão comum, como a corrupção, o branqueamento de capitais, tráfico de influências”.
O PGR, por seu turno e em declarações à TSF, disse que “a nomeação do director da PJ é da competência do ministro da Justiça. Eu não invado competências de outros nem gosto que invadam as minhas competências”, salientou, garantindo “Vou trabalhar tão bem com este director como com o anterior”.
Entretanto, no Parlamento, já começaram a ser debatidas as leis de Segurança Interna e da Organização da Investigação Criminal.

JORNAL DE NOTÍCIAS | 08.05.2008

Comentarios (7)add
... : juiz
é por estas e outras que não me refiro a mim como magistrado, mas sim como juiz.
08.Maio.2008
... : Julio Roque
Felizmente existem outros magistrados, de reconhecida competência e independência, que se vão manter nos seus lugares, sem complexos de dependerem hierarquicamente de "um simples polícia, apesar de ser licenciado". As declarações do Presidente da ASJP são o sintoma de um corporativismo doentio, Basta atentarmos na enorme "independência" do poder político que demonstrou no exercício do cargo um dos últimos directores nacionais da PJ, apesar de ser magistrado...
Ele, aliás, diz bem ..." um magistrado teria melhores condições..." teria se quisesse ... digo eu!
08.Maio.2008
... : juiz de uma confraria
juiz: V. Excia é capaz de explicar o que quer dizer com isso?
09.Maio.2008
... : ghjk
Magistrados fora dos Tribunais só excepcionalmente e nunca abaixo de director-geral!
09.Maio.2008
... : Um Juiz desiludido
Só não oercebo a cara com que o juiz que era superior hierárquico do nomeado poder ficar agora como ... seu inferior. Dá para rir, mas que poderá acontecer poderá. Até já houve um caso em que uma galinha andou de bicicleta...
12.Maio.2008
... : WATER
Tanto orgulho, não pode ficar subordinado de um policia de carreira... pode ficar mal visto pelos colegas procuradores... Como é isto possivel, num país comandado por um pseudo-engenheiro, mas desse não se importam de ser comandados.
Até eu sou comanadado por um Sr. com (bastante) menos habilitações e não me queixo, adapto-me, e normalmente pede-me opiniões nas questões pertinentes.
È o país que temos...
12.Maio.2008
... : Magnifico
Senhor Juíz

A Magistratura é o hiperónimo dos hipónimos juíz e procurador!!
27.Junho.2008
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