header image
Início seta Órgãos de Polícia Criminal seta Judiciária a caminho da Administração Interna
Judiciária a caminho da Administração Interna criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
10-Mai-2008
A convicção que cresce nos meios judiciais e políticos é que o Governo «está silenciosamente a criar as condições» para tornar mais fácil no futuro aquilo que agora diz não querer: a transferência da PJ da actual tutela do Ministério da Justiça para a da Administração Interna (MAI), juntando-a à PSP e à GNR.


«ESPERO que me julguem no final do mandato» - disse ontem ao SOL Almeida Rodrigues, o primeiro polícia de carreira a ocupar o lugar de director nacional da Policia Judiciária, uma função desde sempre desempenhada por magistrados. Perante a polémica levantada em torno da sua nomeação, Almeida Rodrigues promete tudo fazer para «combater o crime» e para que se «aperfeiçoem os mecanismos de relacionamento» e se «estreitem os laços» da PJ com os juízes e o Ministério Público (MP).
Segundo o SOL apurou, Almeida Rodrigues, de 49 anos, pretende aguardar pela publicação em Diário da República da nova lei orgânica da PJ (aprovada na semana passada no Parlamento) para fazer alterações na actual direcção da instituição, que inclui diversos magistrados do MP Se pretender manter alguns desses directores - como os procuradores Pedro do Carmo (Coimbra) e Baptista Romão (Porto), que lhe são próximos - é já certo que irá defrontar resistências no Conselho Superior do Ministério Público, que tem de autorizar as respectivas nomeações.

‘Xeque-mate’
Segundo o SOL apurou, há quem entenda neste órgão que se devem «reavaliar os critérios» das nomeações, tendo em conta que esses magistrados irão ficar na dependência hierárquica de um não magistrado. E há ainda quem duvide das reais intenções do Governo quanto à PJ.
A convicção que cresce nos meios judiciais e políticos é que o Governo «está silenciosamente a criar as condições» para tornar mais fácil no futuro aquilo que agora diz não querer: a transferência da PJ da actual tutela do Ministério da Justiça para a da Administração Interna (MAI), juntando-a à PSP e à GNR.
Fernando Negrão, deputado do PSD e ex-director da PJ, salienta que a nomeação de Almeida Rodrigues é uma forma de colocar as três polícias ao mesmo nível. António Martins, presidente da associação sindical dos juízes, concorda e vai mais longe: «Esta nomeação é mais uma peça, num jogo de xadrez que já se desenvolve há algum tempo e cujo xeque-mate acontecerá com a nova Lei de Segurança Interna». Para António Martins, não está em causa a pessoa de Almeida Rodrigues (um dos mais experientes e qualificados quadros actuais da PJ, com 26 anos de serviço). Mas, não tendo o estatuto de independência dos magistrados, considera que «estará integrado numa hierarquia, directamente dependente do ministro da Justiça e, portanto, será mais vulnerável e menos capaz de resistir a eventuais tentativas de governamentalização da PJ».
O ex-ministro da Administração Interna do PSD, Ângelo Correia, defende o Governo: «O que não fazia sentido é que a entidade que fiscaliza as investigações fosse a mesma que dirige a investigação» (o MP).
A eventual transferência da PJ para o MAI foi durante muitos anos criticada pelos partidos, mas começa agora a ganhar adeptos. Negrão afirma que a proposta «merece reflexão», o CDS está dividido e o próprio ministro da Administração Interna, Rui Pereira, já o defendeu antes de ir para o Governo.
A questão foi a gota de água que levou à demissão de Alípio Ribeiro. O magistrado demitiu-se na terça-feira depois de ter dado uma entrevista ao Diário Económico em que defendeu a transferência da PJ para o MAI ou a criação de um ministério que reúna todas as polícias, em nome da melhoria da eficácia da investigação criminal. Demitiu-se O Governo Veio a explicar depois, à RR, que a decisão de sair estava tomada há um mês, apontando como razões uma «visibilidade excessiva» da PJ. Terminou dizendo, de forma enigmática, que a sua saída terá «reflexos no futuro».
«Ainda hoje não conseguimos perceber se a hipotética divergência de Alípio Ribeiro com o Governo teve a ver com o timing da sua declaração ou com a substância da mesma», comentou ao SOL António Cluny, presidente do sindicato dos magistrados do MP.

Alegre contra
Na terça-feira, foi aprovada a lei de segurança interna que coloca a PJ, a PSP e a GNR em pé de igualdade, obedecendo a um coordenador-geral. No PS, o deputado Manuel Alegre absteve-se e promete votar contra a lei se, na discussão na especialidade, não forem introduzidas algumas mudanças. «Não concordo com a concentração de poderes no secretário-geral. Faz-me lembrar o intendente que já tivemos», explicou ao SOL, defendendo ainda uma «clarificação na independência da investigação criminal».

SOL | 10.05.2008 

Comentarios (9)add
... : juizdomp?
Bastará que o MJ e o MAI venham a ser um só: Min. da Justiça e da Adm. Interna!
12.Maio.2008
... : Ai Ai
Claro, foi isso que o amigo do ministro da justiça, então Director da PJ, quis adiantar, a pedido, para que no futuro não haja grandes surpresas se este governo se mantiver.
12.Maio.2008
... : Hi-Hi-no-Havai
António Martins está a melhorar e tem aparecido mais nos últimos tempos. Vê-se o esforço que faz a favor do aperfeiçoamenteo do sistema judicial e devemos louvá-lo por isso. Goste-se ou não, A. Cluny é cada vez mais uma referência no mundo da Justiça. "A hipotética divergência de Alípio Ribeiro..." Atentem nestas sábias palavras e pensem: Não terá sido tudo uma encenação? O discurso... a saída extemporânea... Não terá sido uma preparação ou uma porta aberta para outra coisa?
13.Maio.2008
... : Artista da Bola
Vêm aì o MIJ - Ministério do Interior e Justiça smilies/cheesy.gif

O ministro da pasta passá a ser o Mijão ou apaga fogos smilies/grin.gif smilies/grin.gif
20.Maio.2008
... : Justic3
A junção da PSP, GNR e PJ tudo no mesmo Ministério só iria trazer beneficios...Era uma mais vlia por causa da guerra de competencias que existe que acabam por so trazer mais problemas à resolução de certos crimes.
30.Maio.2008
... : ILF
Na PSP, as unidades especias, deram lugar a apenas uma unidade especial.

espera-se que o mesmo princípio seja agora aplicado também às próprias polícias.

mais corajoso será ainda aplicar o mesmo princípio ao próprio governo, através da redução do número de ministérios, de ministros e de ajudantes.

mas, verdadeiramente corajoso e imperioso, será reduzir o número de deputados e enfim reduzir significativamente a máquina a que alguém chamou de " a maior besta".


Será o cidadão ou o contribuinte que ficará a prejudicado se reduzirem o número de ministérios?

Não é o mesmo cidadão e o mesmo contribuinte o mais interessado em manter um parlamento
03.Junho.2008
... : Magnifico
Senhores

Basta criar uma Direcção Nacional de Segurança Interna que englobasse todos os serviços e forças de segurança com pessoas devidamente formadas e especializadas onde os magistrados do MP deveriam de chefiar e acabar de uma vez todas por todas com Escolas Superiores de Polícia, e academias militares, que apenas "formam" pessoas que a maior parte das vezes só existem como figuras decorativas...
Assim conseguir-se-ia uma melhor racionalização de toda a investigação criminal em todos os sentidos...
27.Junho.2008
... : Magnifico
Senhor João da Costa

Cada OPC tem a sua função entre aspas pois todos estão interligados e trabalhar para o mesmo e o senhor se for da área sabe muito bem ao que me refiro!! smilies/cool.gif
27.Junho.2008
Escreva o seu Comentario

Este post foi bloqueado. Impossivel adicionar comentarios.


busy
 
< Item anterior   Item seguinte >
Sondagem
Concorda que os gabinetes do MP sejam fora dos edifícios dos Tribunais ?
 
Fim da sondagem: 03.09.2008