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Sindicatos afirmam que não basta reorganizar escalas para ter segurança.Paulo
Rodrigues, o presidente da ASPP, não concorda com a ideia do ministro
da Administração Interna de reorganizar o trabalho e os agentes da PSP
sem fazer um reforço de efectivos. António Ramos, do Sindicato dos
Profissionais da Polícia, também está preocupado com a situação.
Rui Pereira defende que basta reorganizar as escalas para garantir mais agentes e mais segurança nas esquadras.
O
presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP)
tem dúvidas quanto à maneira como o ministro quer assegurar a presença
de mais polícias nas esquadras sem reforçar o número de agentes. Paulo
Rodrigues diz que não basta reorganizar as escalas. «Infelizmente o
efectivo não é elástico e quando se puxa para um lado falta do outro»,
salienta. «É verdade que temos cerca de 45 elementos por
esquadra, mas estão divididos por quatros turnos e ainda temos de
contar com as folgas, as férias e as baixas», explica Paulo Rodrigues
acrescentando que isto «faz com que fique pouca gente para pôr nas ruas
e também põe em causa a segurança da esquadra». Paulo Rodrigues
diz que, muitas vezes, cada turno não tem mais de quatro ou cinco
agentes, o que é insuficiente para garantir todo o trabalho. «A
situação [de Moscavide] só aconteceu porque os comandantes tentam, e
bem, colocar o máximo de profissionais na rua para garantir a segurança
das pessoas, o que obriga a abrir brechas à segurança das esquadras»,
conclui o responsável da ASPP.
Uma análise que é partilhada pelo
presidente do Sindicato dos Profissionais de Polícia. António Ramos dá
como exemplo o que está a acontecer no comando da PSP de Santarém, que
tem poucos agentes para corresponder à área ampla que abrange.
O
responsável salienta mesmo que verificou se uma ocorrência e estava
apenas um efectivo ao serviço, o que se tornou insuficiente para fazer
frente à situação. Para saber de que forma é que vai ser feita
a reorganização do serviço e escalas dos agentes da PSP, a TSF aguarda
ainda uma resposta ao pedido de entrevista que dirigiu ao director
nacional da Polícia de Segurança Pública
TSF | 29.04.2008
POLÍCIAS EXIGEM SEGURANÇA DENTRO DAS ESQUADRAS
Associações sindicais de polícias exigem mais efectivos, sistemas de
videovigilância e segurança dentro das esquadras da PSP. Queixam-se que
o número de agentes "é insuficiente para as necessidades e em quase
todas as esquadras só fica um elemento, enquanto outros dois estão a
fazer ronda no carro-patrulha". Estas reivindicações surgem após um
grupo de indivíduos ter entrado na esquadra da PSP de Moscavide, em
Loures, no domingo, e agredido outro que ali se encontrava.
Paulo Macedo, dirigente do Sindicato dos Profissionais de Polícia
(SPP), denuncia ao DN que "isto acontece em todo o País, devido à
grande falta de efectivos na PSP". Na sua opinião, "é a prova que não é
uma esquadra eficaz, só com um elemento lá dentro e dois a circular no
carro-patrulha. Até esse agente fica sem segurança". Alerta que, "se
assaltarem uma esquadra, podem roubar armas e munições que ali se
encontram".
O mesmo sindicalista defende a instalação de sistemas de
videovigilância nas esquadras. "Como não há, ninguém consegue
identificar os indivíduos que entraram na esquadra", salienta Paulo
Macedo, lembrando um caso em que "um suspeito tinha sido levado à
esquadra, deu uma cabeçada numa parede e ficou a sangrar e depois foi
queixar-se de ter sido agredido pela polícia. Com registos vídeo,
haveria provas e não restariam dúvidas sobre o que sucedeu".
Sobre a falta de efectivos, exemplificou com a esquadra de Odivelas:
"Tem 48 elementos, que têm de se dividir em quatro turnos de serviço e
outro de folga, descontar o pessoal de apoio logístico (serviços de
secretaria e de apoio ao bar e ao comércio, programa Escola Segura,
etc.) e quem está de férias e de baixa médica. Em termos de pessoal
operacional, só fica um elemento na esquadra e dois no carro-patrulha".
Paulo Rodrigues, da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia
(ASPP/PSP), diz que estas situações são pontuais e só acontecem "quando
o comandante da esquadra tenta assegurar a segurança dos cidadãos,
descurando a segurança da própria esquadra".
A falta de efectivos é uma realidade e a ASPP culpa o Governo pelo que
aconteceu em Moscavide porque no ano passado foi alertado para estas
situações. Ao Ministério da Administração Interna (MAI) foram dados a
conhecer dois casos de agressões em posto policiais. Em 2002, no Bairro
do Lagarteiro, no Porto, um grupo de pessoas lançou cocktails Molotov
para a esquadra e depois invadiu o espaço, agredindo os agentes. Foi
necessário o envio do Corpo de Intervenção para o local para evitar o
pior. Em 2007, um agente foi espancado por um civil quando se
encontrava sozinho na esquadra de segurança ferroviária, em Gaia.
Mas os casos sucedem-se. Também anteontem, um jovem de 18 anos foi
detido em Beja por alegadas agressões físicas a dois agentes à porta da
esquadra. Paulo Rodrigues afirma que o indivíduo começou por "agredir a
pontapé um subchefe que estava à porta da esquadra". O polícia ficou
com o maxilar partido e um outro agente, que o ia socorrer, acabou
também por ser agredido a soco pelo mesmo indivíduo, mas conseguiu-o
controlar e deter. "Alertámos em devido tempo o Governo para o que se
está a passar, mas ninguém nos deu ouvidos", acrescenta Paulo
Rodrigues, considerando que com o mais recente episódio, em Moscavide,
"a imagem da PSP ficou ferida", aumentando também o sentimento de
insegurança da população.
Para a ASPP cabe à tutela não uma simples e mal planeada reestruturação
das forças de segurança mas investir mais no sector. Até porque a
desmotivação dos agentes começa a ser preocupante. "A maioria dos 994
novos polícias que entraram ao serviço em Dezembro só ainda não
abandonou a profissão porque não encontrou outros empregos", diz a
ASPP. A exigência e risco deste serviço são grandes, mas os salários
ficam pelos 750 euros mensais.
DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 29.04.2008
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